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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

pessimismo fundamentado

18.10.10

 

 

Quando vejo dois ex-presidentes elegerem a avaliação de professores como um dos principais exemplos da coma que atingiu o país, entro no estado de "permanente" abanar de cabeça e convenço-me que não temos solução. É falência pela certa.

 

Não sei o que Ramalho Eanes e Jorge Sampaio sabem de avaliação de professores. Mas sei que a avaliatite incontinente dos professores situou-se no primeiro lugar das duas ou três causas com que retratam a nossa pré-bancarrota.

 

Ou seja, as duas ilustres figuras do estado escolheram um modelo comprovadamente inaplicável e incompetente, injusto, despesista, carregado de má burocracia, e que queria medir o imensurável e deixaram para plano secundário o financiamento partidário, os escandalosos benefícios do estado social, as causas e as consequências da bolha imobiliária, o clientelismo das parcerias público-privado e a reorganização da gulosa traquitana (ia a escrever máquina) do estado. Não. Assim não vamos lá. Acusem-me de corporativo e de estar a ver a coisa em tamanho micro. É nestes pequenos detalhes que se vêem as condições para decidir nos grandes e ponto final. O estado está aprisionado pela cobiça e pela ganância e não estou a insinuar que os dois ex-presidentes se situam nessas categorias humanas.

 

Espanta-me que estes dois experimentados políticos não se tenham apercebido que a tal avaliatite incontinente entrou nas prioridades da nação pela mão de um primeiro-ministro que usou o assunto como arma de manipulação mediática, com a intenção de segurar os votozinhos e de agradar ao lumpen. A coisa correu muito mal, como se sabe. Podem, os senhores, até nem saber do que falam, mas escolhem e logo em que lugar. O meu pessimismo é fundamentado.

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