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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

(des)articular

21.11.10

 

 

 

 

 

O fenómeno articular nasceu em 1990 para enquadrar uma série de síndromas eduquesas que começavam a ganhar força e terreno. Foi aí que se notou a saturação em relação à pedagogia por objectivos e em que as teorias curriculares iniciaram um metabolismo de invenções técnico-pedagógicas, de má burocracia e de infantilização da aprendizagem; um processo imparável.

 

Para solidificar o edifício, construiu-se um modelo de gestão inspirado nas teorias tayloristas de organizar empresas: poucos pensam e muitos executam, processos muito burocráticos para a prestação de contas, imposição do unipessoal e vários patamares de lideranças intermédias com o consequente aumento dos custos financeiros. Este acervo de ideias seduziu tecnocratas com alergia às salas de aula, que se entretiveram a desenhar sistemas como se a actividade lectiva não fosse o topo da hierarquia e para quem os saberes organizacionais da escola eram desprezíveis.

 

Inventaram um modelo que se testou em cerca de 30 escolas portuguesas de 1992 a 1998. O balanço foi negativo. Percebeu-se a inutilidade dos departamentos curriculares, que apenas apresentaram como aspecto positivo a diminuição dos membros dos conselhos pedagógicos - objectivo que se podia atingir de maneira diferente -.

 

Com o novo milénio consolidaram-se as ideias empresariais do downsizing e abandonou-se o taylorismo. O achatamento organizacional apelou à informação da chamada primeira linha e reduziu os patamares de decisão. Mas não no ME de Portugal que teimou em caminhar à revelia da história, da modernidade e da racionalização da despesa.

 

Em 2005 chegaram os iluminados que impuseram as tais ideias que medravam desde 1990, mas que os teimosos das salas de aula insistiam em questionar. Os desastrosos resultados estão à vista e só não os regista quem não quer mesmo ver o estado de sítio organizacional a que se chegou.

 

 

(1ª edição em 26 de Julho de 2010)

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