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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

aumentos

24.06.10

 

 

 

 

Um dos argumentos que o Ramiro Marques utiliza, aqui, a favor dos mega-agrupamentos - "de como os mega-agrupamentos podem reduzir o controlismo sobre os docentes e as funções burocráticas e administrativas" - tem a minha discordância. Embora quem acompanhe o discurso do Ramiro Marques a propósito desta questão encontre uma forte carga irónica nos seus textos, desta vez a pertinente formulação que levanta está longe de ser provada.

 

Quando discuto modelos de gestão tenho sempre o cuidado de afirmar que há pessoas que funcionam bem em qualquer modelo e que as boas práticas têm uma relação directa com a cabeça que as utiliza.

 

Nesta caso, trata-se de perceber se a maior dimensão favorece a redução de procedimentos de má burocracia. Como já deixei implícito, defendo a tese contrária. Inscrevo nesse aumento a necessidade de generalizar instrumentos de obtenção da informação sem que o seu alcance no processo de tomada de decisões seja devidamente analisado. São os riscos da ausência de proximidade: nas relações humanas, mas também na mobilização dos diversos actores para a construção dos sistemas de informação. Sem esta última asserção, nunca se verificará uma cultura organizacional diferenciadora. E não esqueçamos: estamos a discutir à volta de uma organização que se dispersa (não usei o verbo no futuro, porque elas já existem; desgraçadamente) por vários edifícios.

 

Em regra, e num sistema muito dependente do poder central, a lógica de maior dimensão tende a tornar-se numa mera correia de transmissão informativa. Pretenderá introduzir procedimentos de má burocracia apenas para arquivo. A intenção primeira será a de garantir uma aparência de controle que satisfaça os requisitos da avaliação externa. No caso português será uma tragédia.

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