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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

dias e mais dias no tribunal

25.01.07






Decorria o ano de 1997 e tinha acabado de tomar posse como presidente do Conselho Executivo de uma escola portuguesa. Ao final do dia, e no momento do embarque de muitos dos alunos para os transportes escolares, o caos instalava-se. A situação tinha contornos assustadores, uma vez que os autocarros tinham de fazer a inversão de marcha - a rua principal da escola é um beco sem saída - numa zona estreita e estavam rodeados por alunos. A administração local tinha deixado a situação no mais completo desleixo. Até que, num dia de inverno, por volta das 18h40, a tragédia abateu-se sobre todos nós: o Telmo, um jovem de 14 anos, é atropelado mortalmente por um dos autocarros; fui dos primeiros a acorrer ao local e guardo, ainda hoje, imagens da desgraça.

Seguiu-se a saga do tribunal. Visitas e mais visitas na presença dos pais e do motorista: a atmosfera destes encontros oscila sempre entre a amargura e a consternação; não há espaço para mais.

Escrevo este post em 24 de Janeiro de 2007, preenchido por um sentimento de desilusão pela desgraçada sociedade que temos construído - ei!, todavia, continuo com um invencível optimismo -.

Dez anos depois, as audiências estão em estado interminável: hoje, não havia sala disponível. Tinham sido convocadas mais audiências do que o número de salas: e já não é a primeira vez.

Soube, por um dos advogados, que as declarações que prestei no processo foram gravadas, e "perdidas": umas estão inaudíveis e as outras não tiveram as cassetes devidamente etiquetadas.
Com episódios ao melhor estilo de Kafka, lá ficámos a saber que voltaremos: os pais, o motorista, as testemunhas, os advogados e até a psiquiatra que ajuda a mãe do Telmo. Um pesadelo sem fim.

Não me vim embora sem primeiro reclamar no livro amarelo. Neste caso, como em muitos outros, faz-se o que se pode.

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