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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

da egolândia

21.03.10

 

 

Foi daqui

 

 

 

 

Passamos a vida submetidos à ideia de singularidade, testamos incessantemente o devir do ser qualquer e construímos o imaginário do insuperávelnão queremos nada igual mas precisamos do carácter universal do indivíduo e ansiamos pela descoberta da coisa comum (a religião, a ideologia política, a filiação associativa e a identidade de género).

 

Existe a diversidade regional ditada pela geografia e pela história. Portugal é uma zona semi-periférica em relação ao centro da civilização actual e tem as suas idiossincrasias; desde logo, uma densidade inigualável de inhos, de coitados e de supervisores. Fiquemo-nos pelos inhos e deixemos as outras duas categorias para outros textos.

 

A utilização acentuada dos diminutivos (não sei quantos idiomas o requerem e até já me disseram que somos únicos) tem de fazer efeito. As nossas crianc(inhas) coitad(inhas) são educad(inhas) com carrad(inhas) de desculpaz(inhas). E isso só pode dar maus resultados.

 

Somos uns adultos com egos elevados a uma potência infinita. Não deve existir paralelo, creio. Fui fazer umas pesquisas por ego-história convencido, e dava já a coisa por terminada, que era uma invenção nossa. Mas não; infelizmente: Freud, e o seu eu psicanalítico, influenciou mais de meio-mundo.

 

Mas não desisto e passo a sentenciar assim: temos de ser os melhores do bairro, dê lá por onde der; é uma alta competição generalizada. Reconhecer (que é diferente de anunciar) o sucesso alheio magoa até à medula. A soberba, a cobiça e a inveja alimentam-nos e dão cabo da nossa sociedade. Parece que o mote é a perseguição ao domínio alheio: viver na alteridade.

 

Ai de quem se distinga, ai de quem faça bem aquilo que sempre se espera que corra mal, ai de quem fuja do lugar comum e não se pareça com a formatação estipulada pelo horizonte do nosso quarteirão. Portugal sofre de uma dilatação tal dos egos que o espaço cansa muito e o exterior passa a ser o único sítio oxigenado; a não ser que ser que se consiga viver fora cá dentro.

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