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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

os exemplos de contenção

10.06.08



O jornal Público intitulava, em primeira página: “Parlamento comemora efeméride com discreto buffet de luxo”. E acrescentava: “Os 30 anos da adesão ao Conselho da Europa vão ser comemorados pela Assembleia da República com uma cerimónia muito discreta, não divulgada, e cujo ponto alto é um almoço de luxo. Um buffet que custa mais de 150 euros por pessoa, elaborado por um dos chefs portugueses mais premiado e um velho conhecido de Jaime Gama” (o velho conhecido pouco importa para o caso, mas enfim...).

Não aprendem. Lembro-me de, em dada altura do mandato de Almeida Santos, ter-se levantado uma polémica à volta do preço dos automóveis de luxo que iam ser adquiridos para o serviço da Assembleia da República. Almeida Santos apareceu, cheio de uma bonomia convicta e com aquela superioridade de quem entende, em exclusivo, da inevitabilidade da vida dos príncipes e dos seus salões, nos telejornais, a argumentar com a dignidade da representação do estado - José Eduardo dos Santos, por exemplo, não faria melhor -. O exercício de António Guterres começava o seu ciclo descendente: imparável, como se veio a comprovar.

E podíamos falar das reformas dos deputados, das ajudas de custo, dos salários de administradores das empresas públicas, dos cartões de crédito a pagar pelo estado, das contas do telefone particular de alguns políticos que continuam a ser debitadas ao estado, muitos meses depois de os mandatos terem terminado, enfim...

São estes exemplos que exasperam as pessoas e ajudam a comprometer, em primeiro lugar, as chamadas políticas de contenção e, de seguida, a própria democracia.

 

 

 

(Reedição. Texto publicado

em 24 de Outubro de 2006)

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