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Correntes

em busca do pensamento livre

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6.000 Professores no 10º Escalão

17.01.20

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"Os professores não podem chegar todos ao topo", é a frase da última década e meia; e regressou. Faça-se um ponto prévio: algo de sério está a suceder quando a sociedade não se questiona sobre a perda de direitos adquiridos (leu bem) e fundamentais que exigiram lutas determinantes. Disse um comentador: "os professores chegam todos ao topo. Não pode ser". O homem estava possesso. Usou o raciocínio das hierarquias militares sem pensar nas diferenças dos conteúdos funcionais. Um general não realiza as tarefas de um tenente e vice-versa, mas um professor do 1º escalão pode leccionar a mesma turma que um professor do 10º. A tarefa cimeira de um professor é a sala de aula. As progressões estimulam a carreira e o conceito de topo não existe. É uma carreira horizontal. De resto, há toda uma discussão sobre direitos e deveres a recuperar; e já vamos muito atrasados e basta olhar para a crescente falta de professores num processo de degradação profissional que regista apenas os primeiros sinais.

Uma das notícias do dia é a "chegada óbvia de 6.000 professores ao escalão mais elevado da carreira" que esteve vazio durante mais de uma década. Ou seja, estes professores chegaram com anos de atraso ao 10º escalão, e sem retroactivos, e esses cortes, sem a recuperação total do tempo de serviço, originaram que uns 60.000 nunca o atinjam.

Por acaso, e para se perceber a agenda mediática, em 26 de Novembro de 2019 escrevi assim

O relatório anual do Conselho Nacional de Educação conclui que só havia 0,02% (20 para 100 mil?) de professores no escalão máximo. Estranha-se. Este escalão registou, por lei, zero professores durante anos a fio. Começou a receber professores com os descongelamentos. E só recebeu 20 em qualquer altura inicial? É "impossível". Bem sei que "dava jeito" à justa defesa dos professores. Mas o número seria 0% ou numa percentagem, no mínimo, de uns 4 a 5 por cento (5 a 6 mil). Ou então é uma gralha, embora o fenómeno ganhe contornos reais ao se acrescentar que "têm em média 61,4 anos de idade e 39 anos de tempo de serviço".