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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

do ataque à escola pública

07.03.10

 

 

Foi daqui

 

Quando se executa um programa nunca se sabe quais os resultados que se vão atingir. Esta asserção, que encontrei em Michael Scriven, por volta da década de setenta do século passado, nos seus estudos de ACO (avaliação com referência a objectivos) e ASO (avaliação sem referência a objectivos) - tenho apenas livros sobre o assunto e numa pesquisa rápida para língua portuguesa o que encontrei está aqui - revelou-se de importância decisiva.

 

A partir daí, os responsáveis informados pela elaboração e execução de programas ficaram a saber que um determinado percurso, mesmo que muito bem planeado, pode obter resultados diametralmente opostos aos esperados. Estava dado o primeiro sinal contra o dogmatismo dos planos e, mesmo assim, isso não impediu os conhecidos exageros de planeamento e avaliação como é o caso, agora tão badalado, de Frederick Taylor.

 

O nível de decisão varia do macro ao micro e a responsabilidade de considerar a ASO exige sempre as mesmas características: estudo, avaliação sistemática, humildade, testagem por amostra, tempo, tolerância, capacidade para ouvir mesmo os outros - integrando, se for caso disso, as suas propostas - e reconhecimento do erro.

 

Quando Portugal sai de um período de devastação (pesei bem o nome) da Escola Pública, e em que se está a seguir uma fase de torpor com a inacção e a desorientação orientadas pelo primeiro-ministro que perpetrou a referida assolação, choca e magoa ouvir qualquer tentativa de branqueamento, de propaganda ou de manipulação do negro passado. Chega, que raio.

 

Os profissionais da Educação, que têm dedicado a sua vida profissional à escola pública e depois do que assistiram de dor e de destruição, não podem ficar impávidos quando vêem que quem foi obstinado, teimoso, desconfiado do trabalho dos professores e incapaz de qualquer ASO, tem o desplante de aproveitar todos os momentos para, de forma explícita ou implícita, passar a ideia de que nada fez que seja irreparável ou sequer objecto de arrependimento. É imperdoável.

 

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