Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

não gostei da cidade

03.02.10

 

Foi daqui

 

Admiro o Teatro da Cornucópia e gosto sempre das peças na sala de origem. Embora seja um prazer ir ao Teatro Municipal de S. Luiz, em Lisboa, pelo espaço em si mas também pela envolvência, nem sempre aprecio as actuações que a Cournucópia lá realiza; e desta vez não fugiu a essa regra. "A cidade" foi mesmo a mais fraca que vi na história da companhia.

 

Nos últimos tempos tenho tido escassas oportunidades para espectáculos ao vivo e estava cheio de saudades. As expectativas criadas por quem viu "A cidade", e também pela crítica, deixaram a fasquia bem elevada. Mas como já escrevi, não gostei e percebi que não fui o único com esse estado de espírito.

 

A adaptação dos textos e a encenação transformaram o espectáculo de quatro horas num razoável entretenimento, com raros momentos altos mas com várias cenas ou a roçar a brejeirice ou num registo de revista à portuguesa.

 

O elenco de actores tinha muitos nomes mediáticos (deu para perceber isso nas manifestações do público que enchia a sala), mas que revelaram uma excessiva formatação para o género televisivo e parcos recursos para a actuação no palco teatral; nalguns casos, era mesmo frequente não se perceber o que diziam. O enorme Luís Miguel Cintra, que encenou a peça e adaptou o texto, brilhou, como sempre, em palco; a sua voz, então, destacava-se sobremaneira. Nuno Lopes, que actuou de muletas em virtude de uma fractura de pé no sessão da noite anterior, teve um desempenho muito meritório, embora amiúde também se percebesse mal o que dizia.

 

Mas afinal de que fala a peça? A sinopse, também aqui, diz assim:

 

Sinopse

"Diz-se que foi na Grécia Antiga que nasceu a Civilização Ocidental e que foi em Atenas, vários séculos antes de Cristo, que nasceu a Democracia. Nas comédias de Aristófanes, por sinal um conservador, no violento e insurrecto humor com que nelas retrata a vida daquela cidade ‘perfeita’, nestes textos escritos há 2.500 anos, fomos encontrar o material para a composição do guião deste espectáculo. É com as confusões e as dificuldades da vida numa sociedade que se quer democrática, a corrupção da sua política, o seu desejo de paz, as suas saudades do campo, a maneira como convive com os seus ‘poetas’, as peripécias sexuais e conjugais que se geram na coexistência do público e do privado, em suma, com a vida da polis, e através das mais que inevitáveis semelhanças com os contratempos dos nossos dias, que este espectáculo quer brincar. Uma grotesca metáfora de todas as Cidades, construída por um grande grupo de actores no palco do São Luiz, teatro da cidade de Lisboa."

 

 

Luis Miguel Cintra

 

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.