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Correntes

em busca do pensamento livre

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o rei da suazilândia

07.05.06






O suplemento fugas - viagens, prazeres, motores - do jornal Público de hoje, faz da Suazilândia, pequeno país de África, a notícia de destaque.

O jornalista Humberto Lopes - que intitula a primeira página com: “Suazilândia, a face amável de África” - escreve depois: “uma mão-cheia de singularidades distingue este país: é uma das nações mais pequenas do continente africano e uma das mais tranquilas, proporcionando aos viajantes relaxantes vagabudagens. Apesar de ser a última monarquia absolutista, a nação suazilandesa tem para oferecer um dos rostos mais amáveis de África”.

Que me lembre, estive apenas uma vez de visita à Suazilândia. Foi uma incursão curta, por altura de meados da década de 70, a seguir ao 25 de Abril de 1974.
A Suazilândia é um pequeno território com cerca de 17,300 km2 que partilha fronteiras com Moçambique e com a África do Sul. Uma das suas fronteiras fica a menos de uma hora - por estrada - da capital moçambicana, onde nasci e vivi.

Recordo-me de entrarmos num café da capital, Mbabane, para lanchar e de a certa altura alguém me ter dito: “aquele ali é o rei”. Vi um indivíduo acompanhado de uma criança. Acabou de tomar qualquer coisa, pagou e saiu. Entrou num carro “utilitário” e seguiu viagem. Tudo com a máxima descontracção, notando-se, pareceu-me, que recebia o sorriso simpático dos restantes suazilandeses.

Estava habituado à sacralização da segurança que rodeava os homens de poder, e aquele rei, de nome Sobhuza, surpreendeu-me de um modo muito favorável.

Trinta anos depois, leio a reportagem do “fugas” e fui à procura do rei. Já não é o mesmo. O rei Mswati (na foto), filho de Sobhuza, é o novo monarca.

Mudou o rei e mudaram os tempos.

O novo soberano é alvo das críticas mais habituais neste tipo de regimes e até já tem um partido da oposição na clandestinidade.

Dei com isto: o parlamento não aprovou uma petição para financiar a aquisição de um avião de luxo, avaliado em 45 milhões de dólares; o rei Mswati participou numa cerimónia de dança, o Baile da Cana, com 50 mil virgens para a escolha de sua 13ª mulher; "Eu quero uma boa vida, quero dinheiro, quero ser rica, quero um BMW e um telefone móvel", dizia uma das dançarinas, Zodwa Mamba, de 16 anos, enumerando os presentes que as outras 12 esposas já têm.

Fiquei triste, a sério, eu que nunca serei adepto da monarquia ou de coisa que o valha.


Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.