Em busca do pensamento livre.
Sexta-feira, 5 de Maio de 2006





Já por aqui dei conta da febre dos nossos governantes em legislar nos aspectos mais inacreditáveis, se se considerar que as suas decisões devem situar-se, necessariamente, a um nível “macro”. É isso que se espera.

O meu pequeno almoço é, quase sempre, acompanhado da leitura dos “sites” dos jornais e do som - volume baixo - de uma estação radiofónica.
Hoje, dei com a seguinte notícia de primeira página: o governo pede aos docentes que, sempre que faltem, deixem o plano da aula para ajudar a tarefa do seu substituto.
Nem queria acreditar. Eu até compreendo o desespero, mas, francamente, que falta de sentido de adequação na hierarquização de prioridades.

Disse-me uma docente, por sinal excelente profissional, que esta decisão merecia uma manifestação singular em frente ao edifício do Ministério da Educação: uma expressão pública colectiva de docentes às gargalhadas; os organizadores, já que isto de gargalhadas programadas não é nada fácil, pediam aos docentes para imaginarem, sim, para imaginarem o que pode acontecer e... rir, ou chorar, também se deve equacionar esta segunda hipótese, claro, mas a ideia é mesmo rir às gargalhadas; se possível.

Será que o género “Sua Excelência” está a fazer escola? Ou será que os nossos governantes anunciam o plano tecnológico mas raciocinam em modelos anteriores à sociedade da informação?
Ou melhor ainda, lançam ideias mas não estudam os métodos: quando as ideias não se concretizam nem se generalizam, a culpa nunca é da sua adequação mas dos "idiotas" que as aplicam, que não são capazes de absorver a complexidade das formulações.

Deve haver sobras de papel: com a publicação digital do Diário da República - emancipa hoje o mesmo governo -, anuncia-se a poupança no corte de 28 mil eucaliptos por ano.

Paulo Guilherme Trilho Prudêncio.

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publicado por paulo prudêncio às 17:21 | link do post | comentar | partilhar

2 comentários:
De Luís Filipe Redes a 6 de Maio de 2006 às 00:57
Que belo, o novo aspecto do correntes. Também quero!
Quanto a Marx, não acho nada mais próprio para a sua biografia do que uma enxurrada de linhas meteorológicas.
Pois foi de tempestades que o marxismo viveu. A revolução russa nasce da I Guerra Mundial, o bloco de Leste, da II, a China, da guerra com o Japão, o Vietname, os países marxistas africanos, da luta anticolonial e nacionalista.
Quanto ao próprio Marx, é difícil saber o que resta de válido e, sobretudo, se esses nacos são de facto dele ou herdados por ele de outros.
Além de aproveitarem as tempestades para apanharem os restos a seu favor, os marxistas viveram sempre em tempestade uns com os outros. As maiores vítimas do comunismo foram eles próprios: Bukarine, Trotski, Preobrajenski, Kamenev, Zinoviev e uma lista que nunca mais acaba de sólidos teóricos do marxismo, para além de milhões de militantes do Partido Operário Social Democrático da Rússia e, depois, dos países de leste, foram chacinados em julgamentos que se resumiram a ordens de execução.
Isto porque a dissidência é um fenómeno constante nas grandes religiões, assim como a sua perseguição pelos defensores e definidores da ortodoxia. Por isso, a vida dos pensadores marxistas é triste, como é o caso de Lúkacs, sempre sujeitos à censura do partido, à obrigação de "autocríticas" forçadas, por excesso de hegelianismo, por idealismo, subjectivismo, conluio com a burguesia intelectual dos países capitalistas, etc.
Isso mesmo se vê infelizmente nos debates iniciais entre Marx e os outros. Marx verdadeiramente não suportava a oposição. O debate intelectual não tinha por fim chegar a uma conclusão, mas sim abater, abater Bauer, Stirner, Proudhon, Fourier, Writling, o grande Feuerbach, Bakunine, etc. Usa, por isso, em grande frequência o quiasmo: A filosofia da miséria de Proudhon é destruída como miséria da filosofia. A dialéctica do espírito hegeliano vira dialéctica da natureza. O seu objectivo não era fazer filosofia - era acabar com ela. À consciência crítica opõe a crítica da consciência crítica.
Quando olho para Marx, imagino não uma pessoa benevolente, mas alguém sempre agitado, a pensar em como retorcer e virar do avesso os textos dos outros.


De paulo prudêncio a 6 de Maio de 2006 às 02:07
Obrigado.
Belo? Belo é o teu comentário e ponto final.


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