Em busca do pensamento livre.
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2007
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Estava por aqui a navegar entre os meus neurónios – uma vez, faz agora muitos anos, lembrei-me de dizer que essa seria a única coisa cinzenta que havia em mim -; essa coisa? Sim, o cérebro, a assoalhada dos neurónios; veja lá, meu caro leitor, que até gostaria que ele fosse, no mínimo, mais eficiente: e hoje penso cada vez mais assim; assim como? Lembro-me de Giorgio Agamben:

“Em vez de procurarem uma identidade própria na forma da individualidade, os homens devem fazer do modo como são – o ser-assim – uma singularidade sem identidade e perfeitamente comum. Só deste modo o ser qualquer pode aceder à sua possibilidade mais imanente e à experiência da singularidade como tal”.


Pois é, isto levar-nos-ia muito longe. E andava pelas singularidades quando me foram evocados os géneros humanos. Já tenho idade para ousar opinar umas coisas e ajudar a certificar, se, também aqui, as singularidades se agrupam por géneros ou por outra coisa qualquer ou se nunca se agrupam (Agamben fala-nos no ser qualquer).

Recordo-me de um mundo habitado por condutores do sexo masculino. Havia gestos que só conheciam o corpo dos homens. Hoje vejo uma espécie de nivelamento sexual nas extravagâncias automobilísticas.

Atrevo-me mesmo a dizer, que as mulheres rapidamente assumiram o pior que nos homens havia (destaquei esta frase, dando-lhe o privilégio de um parágrafo singular, porque parece-me muito musical).

Com os cigarros passa-se o mesmo. Anuncia-se que, as piores doenças provocadas por esta praga, estão a migrar dos homens para as mulheres. Será? A singularidade não resiste aos géneros?

Os meus amigos são quase iguais em número se os dividir por género (se não for exactamente assim pouco importa, vamos fazer de conta que sim).
Os amigos homens ocupam mais cargos do que as amigas mulheres: interessam-se muito mais por isso; têm momentos de completa vertigem.
Os amigos homens esgotam-se mais nas lutas para esses cargos do que a darem-lhes um verdadeiro sentido de utilidade pública e de dever de cidadania (ouvi, numa entrevista radiofónica, um homem autarca do norte de Portugal, confessar que era presidente da assembleia de mais de cem colectividades e afins…).
Saltitam, saltitam e não raras vezes usam o trampolim.

Como será, ou é, com as mulheres?

 


(texto reescrito - primeira edição em 2004)

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publicado por paulo prudêncio às 19:12 | link do post | comentar | partilhar

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