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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

fuga com penalização

12.10.09

 

Foi daqui. 

 

 

Só quem não fez uma carreira como professor dentro da sala de aula e comprometido com a vontade de ensinar é que não entende o fenómeno de fuga ao exercício profissional por parte de muitos professores mesmo que isso implique uma reforma com maior ou menos penalização.

 

Podemos argumentar com o susto que se adivinhou na aplicação do monstro burocrático que era a avaliação de professores, com a climatologia nefasta que foi provocada pela divisão da carreira ou com a atmosfera incompetente, pouco transparente e contrária à cooperação que se suspeita - e já se vai dando a conhecer para os mais fracos de memória - do novo modelo de gestão escolar. Todos esses argumentos são válidos.

 

Mas sabendo-se que os que se decidiram pela fuga eram em muitos casos profissionais muito competentes e amadores da causa no mais nobre sentido da expressão e ainda com muito para dar aos seus alunos e às suas escolas, importa encontrar as causas mais profundas dessa debandada irreparável e devastadora e até de modo a que se possa interromper uma sangria que tem custos elevados em qualquer dos parâmetros em análise.

 

Sabe-se que à medida que a carreira de um professor avança a sua componente lectiva vai sendo justamente reduzida. Só por inveja e ou desconhecimento é que se pode advogar o contrário. Mas o que os professores obtiveram dos ainda governantes (desconhecedores das salas de aula e descomprometidos com o ensino?), foi o preenchimento desse tempo de redução com aulas inopinadas. Passaram a um estado de espera - aulas de substituição - onde podem encontrar crianças de sete anos - às 17h30, com oito horas de escola e em estado de saturação latente - até jovens de dezassete anos que olham para o professor como uma inexplicável "ama seca".

 

É disto que me fala a maioria dos meus colegas. Numa fase da carreira em que viram os duzentos alunos anuais reduzidos a uma centena, são confrontados com um sufoco que vai da inútil espera ao contacto com a didáctica impossível. Mas mais: os professores que sofrem esta praga com mais intensidade são exactamente aqueles que menos faltam: leccionam as suas aulas e suprem as faltas dos outros. Mais valia não se ter reduzido a componente lectiva. Era tremendamente injusto mas mais sério. 

 

Se a lógica é a troca das aulas quando se falta, então é curial que exista uma bolsa concelhia de professores - ou de outro patamar organizativo - que remedeie as situações mais difíceis de resolver. Afinal, trata-se apenas de imitar quem tem práticas destas com respeito pelo profissionalidade docente.

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