Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

e accionei o botão de desligar

30.06.06


Sou muito sensível à preguiça. Eu sei que até pode parecer uma confissão rodeada de esoterismos, própria de um iniciado nos prazeres da vida e do corpo, mas não, a coisa bate-me ainda mais fundo. Vivo, muitas vezes, o eterno dilema da falta de tempo.

E tudo isto por causa dos feixes hertzianos. Não sabe o que são feixes hertzianos? Pois eu também não sei lá muito bem. E também não temos de saber tudo. Mas não interessa. O que me traz aqui é essa espantosa invenção a que chamamos televisão e partilhar consigo os minhas angústias com o uso que dela faço.

Antes de mais duas premissas: nem sou um grande consumidor dos citados feixes, nem me sobra muito tempo para a ansiada e mais do que merecida preguiça – embora eu seja ateu, e, quem sabe, se por isso… sim, se por isso, não vou chegar ao fim da vida com horas e mais horas de preguiça por gozar.

Está tudo muito bem encaminhado para lhe contar que guardei um tempo de ouro para, refastelado no sofá, ter uma hora de notícias na televisão portuguesa. Escolhi a sociedade independente de comunicação – pareceu-me bem, pelo nome - e o seu canal generalista.

Debalde. Ao fim de pouco tempo dei comigo sobressaltado. Parece que uns espanhóis conhecidos tiveram a ideia de aderir ao matrimónio.
Notícia? A monarquia não se questiona, ou seja, uns nascem mais dotados do que outros. Notícia? A noiva teve direito a qualquer coisa como isto: a rapariga agora já veste bem; ora vejam lá, que em 1995 tinha este aspecto – e tratam de passar umas imagens da época em que a jovem aparece… com um ar de jovem… não acredita… com um ar de jovem… a sério. Já nem se pode preguiçar?
 
Recomendo a leitura do título deste conto.




Paulo Guilherme Trilho Prudêncio (texto escrito em Maio de 2004).

2 comentários

Comentar post