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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

com este nome é ouvido de certeza

06.07.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

Stephen P. Heyneman defende que "não se pode aumentar qualidade do ensino superior só com financiamento público"

 

"(...)Os exames portugueses servem para concluir o ensino secundário e de admissão ao superior. Concorda?
É um erro, usar o mesmo exame, porque isso confunde as diferentes funções que essas provas devem ter e torna-se aterrorizador para os alunos. As instituições deviam ter o direito de escolher os seus alunos, aqueles que pagam e aqueles a quem querem oferecer bolsas.


“Começaria por dar computadores aos professores”
Recentemente, num artigo de opinião, Don Tapscott, um especialista canadiano em tecnologia, recomendava ao presidente norte-americano que pusesse os olhos em Portugal e no seu investimento em computadores individuais para os alunos do ensino básico. O Magalhães não convence Stephen P. Heyneman que esteve em Lisboa para falar sobre a política educativa da administração Obama, na Universidade Católica Portuguesa, há uma semana. 

“É um computador colorido. Gosto da sua portabilidade. O que me perturba é ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas. E os professores?”, pergunta. “Começaria por dar computadores aos professores para trabalharem e organizarem as suas lições. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação”, responde. O que viu, no Porto ou em Lisboa, foi crianças a brincar com o Magalhães, “como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar”. “Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação, mas sim o da sua integração no trabalho escolar”, sublinha.(...)"

 

 

Desta vez temos um investigador do Banco Mundial que, e de acordo com as primeiras reacções, faz umas afirmações que contradizem as de Don Tapscott, um especialista canadiano em tecnologia que teve direito a uma recente mediatização em Portugal.

Li a entrevista toda e não fiquei nada embevecido com algumas extrapolações: partir de estudos comparados dos resultados escolares de crianças pobres da Índia ou da China com crianças ricas dos Estados Unidos da América, para explicar a realidade europeia ou portuguesa, não me parece lá muito acertado. São contextos diversos e devemos ser capazes de estudar a nossa realidade e de encontrar os melhores caminhos. O Paulo Guinote tem um entrada, aqui, que deve ser lida com toda atenção.

 

Todavia, há dois aspectos que me parecem muito interessantes e que retirei da entrevista.

 

O primeiro relaciona-se com a função dos exames, nomeadamente com os do fim do secundário, que em Portugal ilibam o ensino superior de qualquer responsabilidade no trabalho de selecção dos alunos.

 

O segundo foca uma questão essencial: uma escola que não viva em ambiente de sociedade da informação e do conhecimento, e isso passa também pelo modo como recolhe a sua informação para a fornecer em tempo real, tornando residual a informação não tratada e que se destina apenas a arquivo, dificilmente consegue ensinar nesse ambiente. Ninguém ensina o que desconhece. O plano tecnológico da Educação cuidou (?) do hardware e nada fez no domínio do software; e isso pode ser trágico e tornar obsoleto a curto prazo todo o investimento em recursos tecnológicos.

 

Blogues de professores que fazem referência a este assunto:

 

o de Paulo Guinote, aqui;

 

o de Ramiro Marques, aqui e aqui.

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