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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

prioridades

25.06.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

 

Na última entrevista televisiva do actual primeiro-ministro houve um detalhe que confirmou as minhas piores expectativas. Confrontado com as dificuldades económicas do país, o chefe do governo elencou as suas tentativas de solução no domínio interno. Inscreveu como primeira medida o programa de requalificação das instalações das escolas secundárias (a que chamou liceus). Advogou três ou quatro indicadores fundamentais e com os quais todos estaremos de acordo: oportunidade de negócio, apoio às médias e pequenas empresas do sector das obras públicas e o combate ao desemprego. Mas nem uma referência à melhoria das condições de realização do ensino. E isso é grave e recorrente no nosso país e em qualquer dos níveis da decisão política.

 

O ensino é a primeira prioridade, propala a grande maioria. Mas depois não sabem o que fazer com a ideia.

 

Se considerarmos que os principais constrangimentos visíveis do ensino em Portugal (e isto dito assim de um modo um bocado selvagem) se centram no regime de desdobramento em que funciona a esmagadora maioria das escolas, no excessivo número de alunos por turma e nas precárias condições de realização de cada uma das aulas, seria imperativo que estes objectivos fossem perseguidos por todos e para além das legislaturas.

 

Em vez disso, esgotamos os nossos recursos financeiros em programas falhos de visão e desarticulados dos princípios básicos de qualquer planeamento e retardamos o nosso desenvolvimento. E isso origina o que estamos cansados de saber: fazemos bons diagnósticos mas depois ficamos espantados com o facto dos resultados das nossas acções serem nulos ou de ficarem muito aquém do esperado; e não aprendemos. E porquê? Porque não temos software que nos informe e apoie de modo sustentado as nossas decisões e nada fazemos para contrariar esse fatalismo. Somos um país caótico, em termos de ordenamento territorial, como se sabe; e isso explica muita coisa.

 

Passa-se o mesmo com o plano tecnológico da Educação, o que até pode ilustrar melhor o que escrevi anteriormente. Todos conhecemos o forte investimento que se fez em hardware, mas quase nada se sabe sobre software e sobre a "rede não física". E até podemos considerar que os decisores nem saibam do que estamos a falar e se interroguem: "mas qual software? Os computadores do plano tecnológico têm sistema operativo e as aplicações de base mais conhecidas no mercado!".

 

Mas já se sabe. A oportunidade de negócio tudo sacrifica e isso sim: é uma verdadeira prioridade.

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