Em busca do pensamento livre.
Domingo, 7 de Março de 2010
 
 
Foi daqui
 
 
Entrevista publicada na "Gazeta das Caldas" em 11 de Julho de 1999. A entrevista foi feita a Paulo Guilherme Trilho Prudêncio, o autor deste blogue.


Como é que vai ser o ensino no ano 2000/próximo milénio?

Com todos os riscos que uma previsão desse tipo encerra, podemos e queremos imaginar um ensino que estimule a curiosidade, que desperte uma permanente vontade de aprender. Sabemos que isso exige esforço. Também sabemos que quem gosta de aprender constrói modelos de referência, perspectiva caminhos, serve-se dos vastos recursos existentes e ajuda a que outros também o façam. A etapa que vivemos teve um caminho inevitável e desejável, a massificação do ensino. É necessário passarmos a outro estádio, também imperativo, a democratização do ensino. Desejamos que o ensino chegue a todos de uma forma verdadeiramente significativa, mas, para isso, é desejável que a articulação entre as diversas instituições responsáveis pelo sucesso educativo (que não apenas o escolar...) seja eficiente. De uma coisa estamos certos: se não sabemos muito bem para onde vamos, sabemos de certeza por onde já não queremos ir. O conjunto de experiências e de estudos é suficientemente vasto para não repetirmos soluções gastas e do passado. A escola continuará a ensinar, mas os modelos organizacionais que proporcionam o acesso aos saberes, aos conhecimentos, aos valores, às atitudes, serão definitivamente diferentes. Mesmo hoje, parece-nos desnecessário fazer o elenco dos parceiros educativos da escola para sermos claros na resposta a uma questão deste género. No entanto, o destaque para a família como parceiro privilegiado e decisivo evidencia-se, agora e no futuro.

Como é que essas transformações se vão repercutir na sua escola, ao nível de professores e alunos?

Já se repercutem. Ao longo deste século sempre se procurou metas de excelência nos diversos domínios das aprendizagens. A cultura da escola é a cultura permanente da exigência, da finalidade, da regra mas também do afecto, da amizade, do drama. Com a alteração vertiginosa dos meios, impõem-se novos modelos de relação pedagógica que reconhecidamente terão exigências crescentes. Contudo, espera-se que renovem entusiasmos, que reformulem projectos, que abram novos horizontes. Para ambos, professores e alunos, caminhar num bom percurso de aprendizagem não é uma tarefa fácil, é antes um somatório de venturas e desventuras; o fundamental é que as condições de realização do acto educativo acompanhem e apoiem as necessidades de uns e de outros.

Quais as prioridades que deveriam haver nas Caldas ao nível da educação?

É importante que se crie um conselho local de educação, onde todos os contributos se cruzem. Esse conselho ajudará a estabelecer as políticas educativas ajustadas às necessidades da comunidade, com indicadores que não se desloquem duma perspectiva emancipadora, sempre balizados pela preocupação de tentar apreender o novo e dar-lhe forma. O conselho local de educação estará assim em condições de sugerir com clareza quais as áreas prioritárias de investimento. Deverá ser um conselho que funcione, que se governe por um regimento moderno, que seja simultaneamente aglutinador e mobilizador. Mais do que fazer elencos de prioridades, é fundamental criar as bases organizativas que orientem as políticas educativas ou outras. Também é fundamental, que depois a comunidade perceba o caminho, que identifique ao longo do percurso o que claramente se quer ou não se quer. Como alguém disse "o ensino não deve continuar a encontrar soluções que tenham um pé no passado, ou seja, não deve responder de forma igual para todos sem perceber que o fundamental é introduzir saídas para cada um. A escola não pode continuar a ser um local de estacionamento de potenciais desempregados". Ora aqui está uma prioridade absoluta, que só pode ser concretizada com ideias sólidas sobre o que vai ser o mercado de trabalho no futuro, na região e no mundo. Aí, a escola, isoladamente, pouco fará. O ensino do futuro passará decerto também por aqui. E o sucesso das políticas terá uma relação muito directa com a capacidade de ANTECIPAÇÃO.


publicado por paulo prudêncio às 18:57 | link do post | comentar | partilhar

5 comentários:
De anónimo a 24 de Junho de 2005 às 00:12
Tem piada o teu comentário. Tem piada mesmo. Na minha escola, desde 2001, que não existem toques. Quando em 1996 comecei a falar nisso diziam que era doido. Hoje é assim e é bem mais agradável. Educa para a responsabilidade :) Tenho ideia que mais uns anos e já nem ninguém imagina uma escola com sinais sonoros para as entradas e para as saídas. Mas teve que ser gradual, ou seja, alguns toques abolidos por ano lectivo. Paulo G. Trilho Prudencio
</a>
(mailto:pgtrilho@netvisao.pt)


De anónimo a 23 de Junho de 2005 às 23:32
A voz, a representação pública do pensamento do professor, tal como a que ousaste difundir em 1999, será a força primeira da mudança. Juntando vozes, não em mera justaposição mas interlaçadas ou articuladas, de modo a formar coros de entendimentos e partilhas através da sedução e força das próprias ideias, poder-se-ão ensaiar as primeiras mudanças autênticas nos modelos organizacionais e culturais das escolas, começando pelas primeiras coisas mais pequenas. Para que não seja apenas mais um modelo, mas corpos vivos de acção-reflexão. Por exemplo: o sinal sonoro que anuncia os momentos de início e termo das aulas da minha escola está de acordo com a competência actual de responsabilidade dos alunos e professores? Não haverá sinal mais harmonioso, de convite ou de festa, que seja aliado simbólico mais poderoso do nosso projecto e da nossa comunidade? Será devaneio?António Faria Lopes
</a>
(mailto:antlopes@bigfoot.com)


De anónimo a 23 de Junho de 2005 às 23:04
Têm-me falado nisso. Vou começar a identificar o autor das publicações.
Para quem não saiba, Paulinho é o meu "nick" da adolescência e dos primeiros anos de adulto. Muito basquete :) Belos tempos, caro amigo Toni.Paulo G. Trilho Prudencio
(http://correntes.)
(mailto:pgtrilho@netvisao.pt)


De anónimo a 23 de Junho de 2005 às 22:48
Paulinho: como "publicante" desta mensagem sugiro-te que referencies o autor das declarações prestadas na entrevistas. A pessoa antes do professor e do autor. A pessoa é, de facto, o mais importante. Terás sido tu próprio? Abraço
Toni Faria Lopes António Faria Lopes
</a>
(mailto:antlopes@bigfoot.com)


De anónimo a 7 de Março de 2010 às 20:19
Interessante.


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