Em busca do pensamento livre.
Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2006

montedaola.jpg

 

 

- Estão a pintar o pavilhão de azul claro - dizia-me uma colega, amiga de longa data e parceira de muitos dos movimentos “utópicos” dos meus neurónios mais optimistas e mais altruístas.

 

A vida tem destas coisas. Passamos por ela, fazemos projectos sobre projectos, pensamos, temos algumas ideias, sei lá... e por vezes, lá vemos a concretização desta ou daquela vontade.

 

Devo confessar-vos que falar da construção do pavilhão desportivo da Escola Básica Integrada de Santo Onofre - hoje posso escrever assim, uma vez que ele já se vê: é azul claro - deixa-me sempre com a sensação de um dever que tinha de cumprir, para obedecer a dois princípios que sempre me ocuparam: instalações dignas para o exercício físico das crianças e dos jovens em idade escolar e respeito pelos direitos desportivos destes grupos etários.

 

Mas foram anos e mais anos - cerca de doze! - de uma luta muito persistente e muito desigual. Desculpem lá, mas já volto à história do pavilhão desportivo da Escola Básica Integrada de Santo Onofre.

 

Estava a pesquisar (no motor de busca "google") uma imagem para o texto que pensava escrever, e pedi: pavilhão. Escolhi a imagem, uma das primeiras que apareceu, que podem ver junto ao título desta prosa. É uma imagem do pavilhão desportivo da Escola C+S do Monte da Ola, em Viana do Castelo. E não é que me emociono. Porquê? Então leia.

 

Decorria o ano de 1986, no mês de Maio ou de Abril, não sei precisar, quando fui colocado na Escola C+S do Monte da Olá em Viana do Castelo. Fui visitar a escola no verão, com a ideia de preparar a minha actividade, e dou com a azáfama dos finais da obra. Perguntei aos operários pelo pavilhão desportivo. A resposta veio do empreiteiro que me informou da inexistência dessa instalação, acrescentando que já tinha construído umas três ou quatro escolas c+s no distrito de Viana do Castelo e que nenhuma das escolas beneficiava desse tipo de infra-estrutura.

 

Vou poupá-lo aos pormenores da minha estadia por terras vizinhas do rio neiva. Mas digo-lhe que não foi nada fácil. Com a legítima euforia da inauguração da escola, todos as pessoas da localidade exerciam uma prestação absolutamente generosa. Eu era o único que “estragava” o ambiente, que levantava problemas, com a agravante de não ter por ali a mais pequena identidade. Era um verdadeiro estrangeiro - apesar do professor que presidia à comissão instaladora da escola me ter leccionado a disciplina de história num liceu em Moçambique (mas se a minha memoria não me atraiçoa, aquilo correu tão mal que ele só se aguentou um período). O senhor não se lembrava de mim, mas mais do que isso, tinha o mais absoluto desprezo por tudo o que se relacionava com o exercício físico. E era um completo prepotente e, claro, incompetente. Foi inenarrável.

 

Nunca desisti da minha peregrina ideia de dotar a escola com um pavilhão. Tenho a ideia de ao fim de uns seis meses já ter ambiente na escola para poder respirar. Recordo a amizade que fiz com um inspector que veio a pedido do tal presidente. O senhor presidente convocou-o com a ideia de me instruir um processo disciplinar. Começámos os três uma reunião. Quinze minutos depois, o inspector pediu-me desculpa, disse-me para sair e desatou aos berros com o senhor presidente. Literalmente.

 

O processo do pavilhão foi avançando - reuniões e mais reuniões com as diversas entidades -, foi assinado o protocolo de construção e as obras iniciaram-se em 1990, quatro anos depois. Apesar do projecto do pavilhão ter muitas insuficiências e de me perecer que não estavam garantidos os diversos financiamentos, fiquei muito surpreendido com a determinação dos diversos decisores políticos e técnicos.

 

Cinco anos depois, encontrei um professor que leccionava naquela escola e que me disse: "sabes que a escola do Monte da Olá é a única daquelas c+s que tem pavilhão desportivo em construção? Parece que as outras também vão conseguir, vamos ver..."

 

Regressemos então à história do pavilhão que está pintado de azul claro. Em 1989 fui colocado no quadro de uma escola da vila da Benedita, a uns 30 kms das Caldas da Rainha, uma vez que os quadros de professores nessa cidade – para onde tinha decidido ir viver – estavam preenchidos. Em 1992 inicia-se a construção de uma nova escola. Continua.



publicado por paulo prudêncio às 23:55 | link do post | comentar | partilhar

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