Em busca do pensamento livre.
Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

Nascido na Irlanda (1713 /1768), o escritor inglês Laurence Sterne tem na sua obra maior, “"A vida e opiniões de Tristram Shandy”", aquilo que muitos consideram o livro dos livros.

Um romance completamente surpreendente e apaixonante. Requer mais do que uma leitura, sempre com um prazer renovado.

Fique com o início do livro na tradução de Manuel Portela.

Capítulo I


"Quem me dera que o meu pai, ou a minha mãe, ou ambos, para dizer a verdade, uma vez que ambos estavam de serviço na ocasião, tivessem prestado mais atenção ao que estavam a fazer quando me conceberam; tivessem eles tomado em devida conta o quanto eu dependia daquilo que eles estavam a fazer;--- já que não estava em causa apenas a produção de um Ser racional, mas possivelmente a boa formação e temperatura do seu corpo, talvez até o seu génio e a qualidade do seu espírito;--- e, apesar do que pudessem pensar em contrário, mesmo a fortuna da sua casa podia ser determinada pelos humores e disposições que fossem então dominantes:------ Tivessem eles tomado tudo em devida conta e procedido em conformidade,------ estou verdadeiramente convencido que eu teria feito outra figura no mundo, muito diferente daquela em que o leitor provavelmente me há-de ver.--- Podeis acreditar, boas almas, que isto não é uma coisa assim tão insignificante como muitos de vós podereis pensar;--- já todos vós, atrevo-me a dizê-lo, tereis ouvido falar dos espíritos vitais, de como eles se transfusionam de pai para filho, etc. etc.— e de muitas coisas desse teor:--- Pois bem, podeis crer na minha palavra, nove em cada dez partes do senso ou da sandice de um homem, dos seus sucessos e fracassos neste mundo, dependem dos movimentos e actividade daqueles espíritos, e dos diferentes trajectos e calhas que tomam, de tal modo que uma vez postos em marcha, bem ou mal, não é assunto de meia tigela --- ei-los que se lançam com estardalhaço num corropio imparável; e ao pisarem e repisarem sempre os mesmos passos, acabam por fazer deles uma estrada, tão plana e direita como um caminho da horta, do qual uma vez que a ela se hajam acostumado, nem o próprio Diabo por vezes os consegue afastar. Dizei-me cá, meu amor, disse a minha mãe, não vos esquecestes por acaso de dar corda ao relógio?------- Valha-me D-------! Gritou o meu pai, lançando uma interjeição, mas tendo o cuidado de moderar a voz ao mesmo tempo,----- Onde é que alguma mulher, desde a criação do mundo, interrompeu um homem com pergunta tão disparatada? Perdão, o que estava o vosso pai a dizer?--- Nada".

 

(reedição - 1ª edição em 16 de Setembro de 2004)




publicado por paulo prudêncio às 18:00 | link do post | comentar | partilhar

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