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Correntes

em busca do pensamento livre

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o velho e o mar

03.07.06
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Acabei agora de ler, de novo, essa obra-prima da literatura que é o romance – há quem lhe chame um conto longo, que seja – “O Velho e o Mar” (The old man and the sea) de Ernest Hemingway (1952).

Li-o pela primeira vez na adolescência, na época do "Moby Dick", de Herman Melville – o autor do também fascinante “Bartleby” - , e julgo que nunca mais o voltei a ler.

Tinha já uma vaga ideia da história. Lembrava-me de um velho pescador que havia tempo que não conseguia pescar um peixe que fosse. Tinha a ideia que o velho pescador era muito pobre e que havia um rapaz que era muito seu amigo. Ao fim de dias sem conta – sei, agora, que foram oitenta e quatro - , entrou mar adentro e pescou o maior peixe da sua vida. Voltou a terra apenas com o esqueleto do enorme espadarte, já que não conseguiu impedir o furioso ataque dos sempre esfomeados tubarões. Passados este anos reencontrei-me com a história e fiquei com a ideia que está tudo ali. É o que me acontece quando um livro me enche o cérebro e o coração.

Não resisto a transcrever-vos um pedaço – tradução de Jorge de Sena -:
- Que tens para comer? – perguntou o rapaz.
- Um tacho de arroz de peixe. Queres? – perguntou o velho.
- Não. Como em casa. Queres que eu acenda o lume?
- Não. Acendo-o eu depois. Ou como o arroz frio.
 - Posso levar a rede?
- Claro que podes.

Não havia rede, e o rapaz lembrava-se de quando a tinham vendido. Mas todos os dias representavam esta cena. Também não havia tacho de arroz, o que o rapaz também sabia.



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