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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

vergonha e ponto final

04.10.09

 

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Levei pouco tempo até começar a detalhar o que pensava sobre o modelo de escola a tempo inteiro porque constatava, todos os dias, o tipo de sociedade que estávamos a edificar.

 

Tomei desde cedo uma posição contrária à ideia centralista de impor um mesmo modelo de escola total para situações diversas: desde o subúrbio duma área metropolitana até a uma pequena ou média cidade ou à mais pacata das vilas deste pequeno país - com tantos habitantes como quase órgãos de gestão para os diversos sectores e nos diversos patamares da organização do território -.

 

Mas hesito sempre em escrever sobre este assunto por pudor: também não gosto da mediatização dos problemas da disciplina escolar como me envergonho quando os professores põem a circular textos escritos pelos seus alunos onde os erros, gramaticais, por exemplo, abundam.

 

A situação actual no que à guarda dos nossos petizes diz respeito é vergonhosa e tem de ser denunciada. O opróbrio é de tal ordem que nos deveria envergonhar a todos. A questão tem uma simples formulação: não sabemos o que fazer com as nossas crianças.

 

As famílias têm os filhos e depois contam os minutos em que "têm de aturar os miúdos". Sabemos das excepções e de quem sofre com o facto de não dispor de mais tempo para a miudagem; mas são isso mesmo, excepções. A regra é a desresponsabilização: das famílias e da sociedade.

 

Alguém coloca como central a ideia de discutir a organização do trabalho de modo a que as famílias passem mais tempo com as suas crianças sem as "armazenar" das 08h00 às 20h00?

 

Não. Nem uma palavra.

 

Um silêncio conivente e ensurdecedor.

3 comentários

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    Maria Simas.

    04.10.09

    Já percebi que este texto não é novo. Gostei muito de o ler. E este comentário: "Já agora, e concordando com tudo o que está a ser dito, acrescento que as mulheres portugueses não são umas heroínas como alguém aqui disse. Na minha opinião são umas verdadeiras escravas".
  • Sem imagem de perfil

    Sérgio Ramos.

    04.10.09

    É um assunto sério.

    Encontrei outros argumentos numa pesquisa.

    "Entre pontos de vista retrógrados e
    o medo de perder a carreira profissional

    Nunca foi fácil conjugar trabalho, casamento e filhos. Estudos recentes afirmam que a situação está cada vez mais difícil e, até o momento, exis-te pouco consenso na hora de enfrentar o problema. Nas últimas duas décadas houve um aumento significativo na idade média daqueles que se casam pela primeira vez, diz a Eurostat, órgão de estatística da União Européia (UE), num comunicado do dia 8 de outubro. O último estudo sobre o tema, realizado pela Eurostat, “A vida das mulheres e dos homens na Europa”, revela que nos então 15 países da União Européia a idade média dos homens que se casam pela primeira vez era de 30,3 anos em 1999, em comparação com os 26 anos de 1980. Para as mulheres, a idade subiu até os 28,1 em comparação com os 23,3 do mesmo período. O maior aumento aconteceu na França, mais de seis anos, tanto para homens como para mulheres. O menor aumento, mais ou menos 2 anos, ocorreu no Reino Unido, Portugal e Grécia. A maior idade, tanto para homens como para mulheres, está presente na Suécia (os homens, 32,9; as mulheres, 30,4) e na Dinamarca (os homens, 32,5; as mulheres, 30,1). A menor idade está em Portugal: os homens, 27,2; as mulheres, 25,5. A idade da primeira gravidez também aumentou. As mães de 58,7% dos recém-nascidos na Espanha são maiores de 30 anos. A Grã-Bretanha e a Espanha, seguidas pela Itália, são os países europeus onde as mulheres esperam mais tempo para ter o primeiro filho, com uma média de idade de 29 anos.

    Alguns fatores explicam esta tendência. As mulheres não só estão dedicando mais tempo aos estudos, mas também querem participar do mercado de trabalho, afirmava a autora do estudo, Margarita Delgado. O alto custo de vida e a dificuldade de conciliar trabalho e filhos também afetam a decisão de constituir uma família. A autora diz que muitas mulheres desejariam ter mais filhos, se não existissem essas dificuldades. De fato, mais de 25% das mulheres gostariam de ter mais filhos do que atualmente têm; é o que diz um estudo publicado no ano de 2000 pelo Instituto Nacional de Estatís-tica da Espanha. "
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