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Correntes

em busca do pensamento livre

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a propósito da ideia de escola cultural

03.03.09

 

(encontrei a imagem aqui)

 

 

A propósito da ideia de escola cultural fiz um comentário noutro blogue que resolvi transformar em entrada por aqui.

 

Escrevi assim:

A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratasse. Parece mesmo um percurso circular.

Uma vez, algures em 1998, escrevia uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada.

Sobre a escola cultural ficou assim:

Escola cultural.

Registo da patente: não tem a patente registada, mas podemos considerar o ano de 1984 como o momento da sua divulgação em Portugal.

Composição: práticas culturais intensivas; hábitos culturais com elevado grau de contágio; resumos concentrados do manual “tudo é cultura”.

Indicações terapêuticas: estimula, de forma irreversível, os apetites culturais de toda uma nação em apenas meia geração; estimula a ideia que a produção cultural requer apenas 10 por cento de esforço e 90 por cento de inspiração;

Contra-indicações: cria a sensação de que tudo é mesmo cultura; tomado nas doses certas, pode provocar, anos depois, o aparecimento de incómodas erupções cutâneas com o nome científico de “músicas de uma nota só” (outros investigadores optaram pela denominação “pimba”).

Precauções especiais de utilização: só pode ser vendido mediante receita médica; só deve ser receitado após, o suposto utilizador, ter frequentado 254 colóquios, 367 seminários e ter obtido 196,45 unidades de crédito devidamente certificadas pelo conselho científico de uma qualquer faculdade da universidade técnica de Lisboa.

Prazo de validade: não se chegou a estabelecer.

Têm mais remédios se clicarem no link que se segue:

http://correntes.blogs.sapo.pt/47124.html

 

 

2 comentários

  • Eu tb não. Tenho ideia de no início da década de oitenta se ter falado muito na ideia como alternativa a uma escola centrada nas aulas e nos programas das diversas disciplinas; uma escola onde existiriam os mais diversos "clubes", digamos assim, para sermos rápidos e selvagens.

    Manuel Ferreira Patrício foi entrevistado no mesmo número da revista onde publiquei os remédios a que faço referência. Da minha parte foi apenas um registo leve e humorístico de uma paranóia reformativa que já se instalava.

    Tb li o que referes no blogue do Ramiro Marques. Aliás, foi ele quem se lembrou de trazer o assunto à discussão. A coisa passou para outros blogues onde inseri o meu leve comentário. Lembrei-me de lançar a coisa aqui. Já leste os restantes remédios? Basta clicares no link que recomendo.

    Da minha parte é assim. Para os plumitivos é uma boa sugestão

    Abraço e obrigado.
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