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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

E o Governo continua viciado em marketing e a hostilizar os professores?

04.06.23

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Numa pesquisa rápida, percebe-se a grave falta de professores na Europa em 2023: Alemanha (25.000 a 40.000), Inglaterra (13.000) França (10.000), Polónia (25.000), Hungria (15.000), mas também na Espanha, Irlanda, Itália e Suécia. Por todo o lado se tomam medidas desesperadas, passando pela tentativa de recrutamento de professores formados à pressa noutras latitudes. No Reino Unido, por exemplo, discutem-se aflições: turmas com 60 alunos, eliminação de disciplinas menos populares (o conceito é surreal), menos dias de aulas por semana e menos horas diárias na escola. Por cá, no tal “cantinho” livre das desgraças do mundo, hostiliza-se os professores e o marketing político chama avanços a recuos que querem impor a professores que vivem no Norte do país a mudança para Sul sem qualquer apoio financeiro.

A bem dizer, o todos contra todos e em todo o lado, inventado na década de 1980, fez dos professores um laboratório. A banalização do mal fez escola. A profissão perdeu, abruptamente, atractividade.

Portugal, e na primeira década do milénio, acentuou obstinadamente o pior dessas políticas. Somos o país da OCDE em que os professores mais preenchem burocracia inútil, temos a avaliação mais aberrante, injusta e kafkiana e impusemos um modelo (único no que se conhece) autocrático de mega-agrupamentos de escolas que abriu portas à parcialidade e ao amiguismo.

Para além da recuperação do tempo de serviço, é inacreditável como estas políticas não são revertidas no Parlamento e se assiste à luta interminável dos professores em defesa da escola pública e dos seus professores. Governo e PR assistem impávidos à queda. Dizem dirigentes do PS que são imperativas as mudanças na educação, a começar pela gestão das escolas e pela reposição do clima democrático. Afirmam que só falta o consenso no seu grupo parlamentar. É um impasse imperdoável e um legado histórico com resultados imprevisíveis para a democracia. Bem sabemos que a educação não devasta como a guerra, a economia ou o sistema de saúde, mas continuar a esperar para ver o que acontece poderá ser caótico.