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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

O ressentimento dos professores tornou-se estrutural

27.04.23

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Sindicatos, Governo, partidos políticos e comunicação social afastam-se da semântica do protesto dos professores e tornam-no interminável. E isso explica-se, em parte, pela velocidade dos tempos associada às sínteses apressadas e à impaciência, na bolha mediática, para explicações sem soundbites. Por outro lado, é fundamental não esquecer que esta explosão começou com a ideia de se passar os concursos para a escolas. 

A bem dizer, é óbvio que os professores não abdicam muito justamente da recuperação de todo o tempo de serviço para todos e da eliminação de vagas nos 5º e 7º escalões. Mas quando repetem à exaustão que não confiam e que exigem respeito, é porque "a falta de democracia na escola é a mensagem cimeira". O medo de serem incomodados nas escolas impede a expressão clara desse sentimento.

O ressentimento - acrescentado a um tríptico de "fuga", cansaço e revolta contida -, provocado por uma avaliação que é uma farsa meritocrática e aplicada por um modelo de gestão que abriu portas à autocracia e ao amiguismo, tornou-se estrutural. A sua eliminação não carece de investimento financeiro; pelo contrário: reduz despesa, desde logo nas baixas médicas e na restauração da democracia. Mas mais: recupera "fugitivos" e a atractividade da profissão; e de acordo com os estudos, os jovens professores transformam-se em "fugitivos" na primeira ocasião.

Bem sabemos que sindicatos e partidos se financiam na formação especializada - em regra irrelevante - em avaliação, supervisão pedagógica, e administração educacionais e que estão acomodados aos seus interesses corporativos. Mas é tempo de mudar. O ressentimento radicaliza eleitores.

Aliás, repare-se com atenção na ordenação das primeiras 10, de 25, reivindicações dos professores:

1. recuperação do tempo de serviço;
2. eliminação de vagas 5º e 7º escalões;
3. eliminação de quotas;
4. burocracia - redução;
5. gestão - alteração do modelo;
6. aumentos salariais;
7. avaliação alteração do modelo;
8. reposicionamentos 4º e 6º escalões;
9. aposentação;
10. revisão Decreto-Lei n.º 41/2022: mobilidade por doença.
 
Nota: É o estudo mais robusto sobre o assunto. É recente. Foram mais de 10.000 respostas obtidas e tratadas por Alberto Veronesi, Lígia Violas e Paulo Fazenda.