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Na educação, os governos de António Costa caracterizam-se pela inércia. Dá ideia que as políticas nefastas aplicadas pelo primeiro Governo de Sócrates foram o fim da história. Nem os resultados desastrosos, nomeadamente a "fuga" de professores e a perda de atractividade do exercício, agitam as consciências.
A inércia tem factos. O 1º Governo de António Costa até começou com duas decisões enérgicas: disciplinar a privatização escandalosa de lucros na educação e eliminar a contratação de professores pelas escolas (a BCE). Mas ficou-se por aí e manteve o ministro da educação com mais tempo no exercício do cargo no que levamos de democracia. Impressionante, já que não se conhece a esse governante uma qualquer reflexão anterior ao mandato nem durante o exercício. Como ministro não existiu. Tinha até uma resposta formatada, e algo risível, para os mais variados assuntos: "as nossas comunidades educativas responderão a esse problema de forma adequada."
Um dos secretários de estado desse tempo é o actual ministro. Percebeu-se, com perplexidade, que era favorável à contratação de professores pelas escolas recuperada durante a "troika" (a desastrosa BCE), que ficou marcada por parcialidades e pelo ridículo de um mesmo candidato estar em primeiro lugar em mais de 100 escolas. Tomou posse e avançou com essa ideia que, repita-se, o Governo anterior, de que fez parte, eliminou. Incendiou a saturação dos professores. Em paralelo, e perante o erro do Governo de Sócrates em passar os concursos para os quadros de professores de anuais para quadrianuais, o actual ministro apareceu a propor um surreal período quinquenal. Novamente impressionante. Claro que foi contrariado pelo óbvio e terminou a legislar o concurso como anual (mas mantém na lei, que aguarda promulgação do PR, outros aspectos igualmente inaceitáveis). Não negociou: foi exposto ao descolamento da realidade. Para além disso, e quanto às inúmeras questões por resolver no sector, mantém-se inerte. Daí as interrogações: inércia ou impreparação? Ou ambas?