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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

17 anos De Uma Tragédia Anunciada Que Só Os Professores Viam

21.01.23

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Avaliar um professor por um relatório de três páginas (que mencionará, ou não, mais duas farsas próprias do estado a que isto chegou: aulas observadas e horas de formação) pontuando-o até às décimas numa escala de 1 a 10 pontos, é uma farsa burocrática que só existe nas caricaturas de uma social-democracia. O SIADAP (avaliação na nossa administração pública) só funciona em clima de faz de conta. Quando se aplica com cotas em universos de grandes escalas, como na Educação, há uma fuga de profissionais que se arrasta à formação inicial. Se às cotas ainda se acrescenta vagas e cortes a eito nas carreiras, a explosão social, que mistura exaustão com indignação, é uma questão de tempo; agravou-se, porque se impôs um modelo de gestão de escolas com portas abertas à autocracia e a parcialidades (no mundo mediático já se fala de "clima pidesco, de pequenos tiranetes e de professores deseducados); e o impensado modelo de mega-agrupamentos ampliou tudo o que foi dito.

Em suma, nenhuma profissão pode ser avaliada no modelo aplicado aos professores.

De resto, estabeleceu-se um silêncio fatal sobre uma organização que "adoeceu os professores" e que os mergulhou num tríptico de "fuga", cansaço e revolta contida. Até quem experimentou o exercício, identificou de imediato o clima arbitrário e o monstro burocrático. E repita-se: desde que há escolas que os professores devem estar sempre preparados para a prestação de duas contas: como gerem o programa da disciplina que leccionam e como avaliam os alunos. Contudo, e por influência dos graduados em desconfiança, aplicou-se aos professores uma espécie de inversão do ónus da prova que explica a insanidade burocrática através do registo, infernal e inútil, de todos os passos em actas, relatórios, notas, pareceres ou plataformas digitais. Os resultados trágicos de tudo isto estão, finalmente e naturalmente, bem visíveis. Só surpreendem a tal casta governativa, ramificada pelo território, que criou uma bolha ilusória, alimentada nas escolas da situação, que assegurava que o bom seria governar sem os incompreensíveis professores.