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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

"A alínea c) do n.º 2, artigo 5.º do Estatuto da Carreira Docente"

30.03.22

Um comentário aqui no blogue de Rui Manuel Fernandes Ferreira que transformei em post.

"A alínea c) do n.º 2, artigo 5.º do ECD estabelece como um direito do professor, entre outros, o direito à autonomia técnica e científica e à liberdade de escolha dos métodos de ensino, das tecnologias e técnicas de educação e dos tipos de meios auxiliares de ensino mais adequados, no respeito pelo currículo nacional, pelos programas e pelas orientações programáticas curriculares ou pedagógicas em vigor. Ora, é ilegal escolher pelo professor. É um direito seu.
“Se a lei está bem feita, o método está lá” (José Gil). Limitar a ação do professor a um ou dois métodos de ensino, para além de ser ilegal, é não entender a metodologia que lhe está subjacente. Independentemente da corrente teórica, Muska Mosston, por exemplo, o uso do método de ensino está dependente de circunstâncias de vária ordem, a exemplo, o grau de maturidade afetiva, emocional e social dos alunos, o seu nível de conhecimento sobre o assunto em apreço, a natureza dos conteúdos, a função didática da aula.
A discussão, que a cada passo surge sobre os métodos de ensino mais ativos para o aluno, provém de sujeitos que ignoram esta temática em todas as suas dimensões, ampliando somente as vantagens do método ativo, que é verdadeiro. Ignoram as desvantagens desse mesmo método, ignoram as vantagens dos outros métodos e, ainda mais crítico, ignoram os requisitos que se encontram subjacentes à escolha adequada naquele dado momento e para aquela população alvo. Pacheco Pereira denomina o conhecimento desta gente como “superficial”. É preciso ler muito, aplicar muito, estudar muito para se saber razoavelmente."

Dos Excessos

28.03.22

 

Primeira edição em 26 de Junho de 2011.

Se há quem se queixe da ausência de debate ideológico, o sistema escolar em Portugal não o pode fazer. Os tempos recentes têm sido preenchidos pela discussão ideológica à volta das correntes da pedagogia. Como já escrevi várias vezes, tenho a impressão que a opção por qualquer das correntes fica à porta das salas de aula. Afirmo a sua importância na formação dos professores, na didáctica do ensino e na utilização dos diversos estilos. Mas remeto para a personalidade de cada professor a intemporalidade na forma de gerir grupos de pessoas e de a associar aos estilos de ensino

As correntes magistercentristas (professor rei) são as mais criticadas por terem uma conotação com os extremos totalitários. A revolução francesa deu início ao direito do aluno e provocou uma série de novas correntes, que se afirmaram no construtivismo, nas chamadas pedagogias modernas e não directivas. Com o tempo, e com o avanço ideológico, as primeiras foram arrumadas no não democrático e as segundas na promoção da igualdade de oportunidades.

Só que, tudo isso e repito, foi ficando à porta das salas de aula e ainda bem. O aluno como um igual, e não como o outro que tem de aprender, nunca passou do debate ideológico e do lugar do politicamente correcto. Pior: construíram-se máquinas de má burocracia que se destinaram a advogar o aluno réu perante o professor juíz e asfixiaram-se a liberdade de ensinar e, por muito inesperado que possa parecer, a igualdade de oportunidades para aprender. O caderno de encargos da escola tornou-se insuportável. Infantilizou-se o clima relacional fora das salas de aula e dificultou-se a afirmação do saber no seu interior.

Parece-me que é isto que custa perceber a quem se bate pela manutenção da ideia do aluno como um igual herdada da revolução francesa e que acusa de sei-lá-o-quê quem o questiona.

A questão chave parece-me de simples formulação. Dentro da sala de aula todos os estilos de ensino são válidos. O que estará sempre em causa é a personalidade de quem os usa, a disciplina que é leccionada e a intencionalidade didáctica pretendida.

Do Histórico da Falta de Professores

27.03.22

Esta publicação é de 27 de Setembro de 2017 e podia ir muito mais atrás.

Ficaram professores por colocar? Sim; em poucos grupos de recrutamento (uma modernice vocabular recente e evitável) é um facto. Mas uma passagem pelas listas dos professores não colocados ou de reservas de recrutamento, regista um número reduzido (ou ausência) de candidatos para várias disciplinas. É uma tendência que se agrava e que abrirá telejornais. Com a "eterna" precarização dos professores contratados (há quase duas décadas nos vínculos e salários) associada ao estatuto de cobaia na avaliação kafkiana (e de moeda de troca entre governos e sindicatos) e passando por um processo de desconsideração profissional, é natural que os jovens desistam de "ser professor" e que os menos jovens optem por outra actividade no país ou no estrangeiro.

PS: se nada se fizer no estatuto dos professores do quadro, as condições de aposentação associadas ao burnout provocarão uma avalanche de insubstituíveis.

 

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O xadrez de Borges não hesitaria e condenaria Putin

25.03.22

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"Xadrez

 

No seu grave recanto, os jogadores

Deslocam os peões. O tabuleiro

Tem-nos até à alva do altaneiro

Âmbito em que se odeiam duas cores.

 

Dentro irradiam mágicos rigores

As formas: torre homérica, ligeiro

Cavalo, alta rainha, rei postreiro,

Oblíquo bispo e peões agressores.

 

Quando os jogadores se houveram ido,

Quando o tempo os tiver já consumido,

Nem por isso terá cessado o rito.

 

A leste se ateou uma tal guerra

Que hoje se propaga a toda a terra.

Como o outro, este jogo é infinito.

 

 

Jorge Luís Borges, 

poemas escolhidos."

Da Guerra Na Ucrânia (2)

23.03.22

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