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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Do Universo Covid-19, das Críticas e dos Avisos

30.06.20

Afinal, Nuno Crato (e não só) tinha razão

28.06.20

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Esta semana, discutiu-se a redução de alunos por turma. E as decisões de Crato nesse domínio resistem a tudo: troika, geringonça, superavit e pandemia. Em 15 de Junho de 2013 declarou que "uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade". A epifania tornou-se irrefutável e não apenas por pragmatismo. É considerada madura e tem a tolerância dos gurus da inclusão (inclui mais alunos por metro quadrado). A educação tem esta sorte. São anos a fio com ministros com pensamento consolidado suportado por pares gurus. Aliás, Nuno Crato reconheceu esta semana "que o regime de ensino a distância pode ser positivo, mas apenas se servir como um complemento ao ensino presencial que é aquele que funciona melhor"; é, realmente, uma opinião incomum e com merecido destaque.

Mas não é caso único de solidez, intemporalidade e patrocínio de gurus. Os determinados e elogiados governos de Sócrates eliminaram 30 anos sem se avaliar professores e o inferno "reprovado" por todos continua vigente. Também impuseram um modelo de gestão das escolas para meter os professores na ordem iliberal. Para ajudar a isso, criaram duas câmaras de eco mediático: um órgão de dirigentes escolares (é um exercício temporário que representa 0,8% dos professores e que já vai em três espécies de associações) e um profissional para representar encarregados de educação. O trio, governantes, dirigente e profissional, disserta sobre tudo o que é didáctico e científico no ensino. Para se perceber melhor e pensando na actualidade, é como se na saúde, e quando se discutem actos médicos, infecções e epidemias, não se ouvissem ordens, especialistas e sindicatos, mas o dirigente hospitalar e o profissional dos utentes e amigos dos hospitais.

Mas na educação há associações científicas de professores nas mais diversas áreas. Só que nunca se uniram e a mediatização não as ouve. E há dezasseis sindicatos. Um é ostracizado por gurus, analistas e comentadores com argumentos (limitação de mandatos e exercício profissional diário) que não escrutinam nos restantes que, em regra, só opinam autorizados por quem governa.

Acima de tudo, e se o ensino tivesse verdadeira representação institucional, era mais difícil avançar no parlamento com uma proposta destinada ao insucesso, havendo soluções estruturais, exequíveis e sustentadas para o problema (para além disso, reduzir alunos por turma na incerteza que aí vem pode passar também por criar dois grupos numa turma que frequentam a escola em semanas diferentes). A redução de alunos por turma foi reprovada, mas os papéis partidários satisfizeram os desígnios populares e a imutabilidade cratiana.

Encontrei a imagem como uma adaptação no blogue Escola Portuguesa

A Entrevista Completa ao Ministro da Educação

27.06.20

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Pergunta: Não considera muito penalizador para os jovens realizar exames nestas condições?

Resposta: "As nossas comunidades educativas responderão a esse problema de forma adequada."

Pergunta: Fazer um exame de máscara diminui as capacidades dos alunos com problemas de oxigenação. O que acha do assunto?

Resposta: "As nossas comunidades educativas responderão a esse problema de forma adequada."

Pergunta: Ainda a pensar no ânimo dos jovens, o que acha do momento escolhido, tão em cima dos exames, para a publicação de rankings de escolas?

Resposta: "As nossas comunidades educativas responderão a esse problema de forma adequada."

Pergunta: No dia em que se conhecem os rankings, um dos SE da educação é autor de um texto contra os rankings. O que acha disso?

Resposta: "As nossas comunidades educativas responderão a esse problema de forma adequada."

Pergunta: Houve quem defendesse o final do ano lectivo no 2º período para evitar tanto descontrole emocional. Por que é que o Governo decidiu doutro modo?

Resposta: "As nossas comunidades educativas responderão a esse problema de forma adequada."

Pergunta: Sabe-se há muito que o índice sócio-económico das famílias é determinante nos resultados escolares. O que acha disso?

Resposta: "As nossas comunidades educativas responderão a esse problema de forma adequada."

Pergunta: Foram os interesses privados, que querem rankings para publicidade e este acesso ao superior para controlarem os numerus clausus, quem exigiu o que se vai assistindo. O que acha disso?

Resposta: "As nossas comunidades educativas responderão a esse problema de forma adequada."

Pergunta: Não se conhecem os dados sócio-económicos dos privados na elaboração dos rankings, mas conhecem-se os das escolas públicas. O que acha disso?

Resposta: "As nossas comunidades educativas responderão a esse problema de forma adequada."

Pergunta: Um SE da Educação declarou que a flexibilidade curricular preparou melhor as nossas escolas para o êxito do ensino a distância. Concorda e acha mesmo que houve êxito?

Resposta: "As nossas comunidades educativas responderão a esse problema de forma adequada."

Pergunta: Como é que sabe o que pensam as mais de 800 comunidades educativas e o que é exactamente uma comunidade educativa?

Resposta: "As nossas comunidades educativas responderão a esse problema de forma adequada."

Nota: esta entrevista é uma ficção do autor do blogue.

 

Não Tarda

27.06.20

A pandemia é uma tragédia. Compreende-se o desespero com a economia e com os flagelos associados. Mas se a retórica política não mantém a difícil serenidade, ainda se aproxima dos demagogos que põem os interesses eleitorais acima de qualquer imperativo sanitário.

Das Actas e do Escolar

26.06.20

As actas escolares não são apenas insensatas no acto de registo: é também nos procedimentos preparatórios e nos conceitos subjacentes que mergulham em sistemas de informação com processos muito insuficientes de análise e programação. É muito interessante o texto sobre actas que encontrei no facebook de Luís Sottomaior Braga.

"As atas são um dos passatempos nacionais. A obsessão detalhista doentia resulta, em muitos casos, de muito frágil conhecimento do direito aplicável e duma razoável falta de senso. E não falemos do absurdo de serem em papel, por ninguém ainda ter percebido o que é uma assinatura digital. Eu costumo brincar e dizer: fui secretário da mesa de uma Misericórdia. Em 6 anos de funções, fiz atas de vários concursos públicos, com valores acima dos 500 mil. As atas foram sempre menores que atas escolares, que, muitas vezes, nem contêm decisões, o que é a negação do conceito. A leitura sumária das leis mais focadas na educação leva a esquecerem-se regras gerais, que não estão revogadas no ministério da educação, e a que arbitrariamente se inventem regras por apetite. Por exemplo, trancar as linhas de atas escritas num computador ou escrever números por extenso, ao lado dos algarismos. Era assim no tempo das atas manuscritas, mas já não estamos nesse tempo. Arbitrário porque não fundado. Mesmo o ciber dúvidas fraqueja a esclarecer (por exemplo na questão dos algarismos), mas indicia a arbitrariedade. Este ano, se me obrigarem a trancar atas, vou trancar, porque sou obediente, mas vou pedir o fundamento legal. Não há. Até há uma norma do CPA sobre desburocratização, que merecia ser revisitada (ou conhecida). Como eu digo nestas coisas: a resposta a burocracias ocas é burocrata e meio esclarecido. A desburocratização são pequenos passos. #burocracias #atas #escolas #professores #educação"

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