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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

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Desigualdades

14.05.20

Captura de ecrã 2020-05-14, às 22.15.58.png

Se a analítica da actualidade integra os efeitos da pandemia, também clarifica a consistência de problemas sociais. Aliás, as crises sublinham as desigualdades. Escolhi dois factos que estão na génese da tensão política, e que a crise apenas trouxe à superfície do debate, mas que se diluirão na espuma dos dias: enquanto "nos lares e nos hospitais - onde a maioria dos trabalhadores são mulheres - e na generalidade da linha da frente a maioria dos trabalhadores ganha pouco mais que o salário mínimo," é inadmissível que no Novo Banco se atribuam "2 milhões de euros de bónus aos administradores executivos apesar do banco ter prejuízos e recorrer ao Estado." 

Por outro lado, a velocidade mediática desautoriza a massa crítica e amplia o insensato que inquieta as emoções. Percebe-se que a diluição das desigualdades na espuma dos dias, numa mediatização regulada por audiências e sensacionalismos e "patrocinada" por órgãos institucionais, abre espaço, quando muito e a exemplo doutras latitudes, à prevalência dos mais fortes e ao fatal triunfo do fútil.

Não é o Primeiro "Caso Centeno"

14.05.20

Tenho 33 publicações numa pesquisa por "centeno" e este não é o primeiro "caso centeno". E tirando o tempo de serviço dos professores e uma última intervenção na AR em que nos elogios a Portugal e ao sistema de ensino omitiu os professores de modo a que não restassem dúvidas, as opiniões são positivas. Destaco esta:

Por acaso, está patente na Alfândega do Porto a exposição "Leonardo da Vinci - As invenções do Génio". O homem do renascimento, que criou uma Geringonça (imagem), não imaginaria que um dos seus delírios náuticos transformasse turismo em petróleo e provocasse um crescimento económico que espanta esse mundo "rigoroso" que não suporta veleidades. É coisa de génio, realmente. Os austeros da escola de Schäuble têm razão e devem pensar na mala para o violão.

Por muito que custe aos avessos a qualquer curiosidade científica, há mérito português. É certo que o plano de Centeno escolhia a subida do consumo interno; não se verificou, apesar da reposição de salários e das condições interessantes que podem acontecer no futuro próximo. Mas é uma lição política para os que adivinhavam uma catástrofe com um Governo apoiado numa Geringonça. Nem as sucessivas viagens em direcção à bancarrota (conduzidas pelas "elites" que guiavam - e se guiavam - o antigo arco governativo), esmoreciam o discurso só-arco-fim-da-história. Portugal recomenda-se, o plano de Costa e Centeno, que levou Passos Coelho, em pleno parlamento, às lágrimas de tanto rir com as ousadias científicas, é olhado como alternativa numa Europa mergulhada em problemas de navegação.
E acrescento este pedaço: Por outro lado, há quatro anos, e na criação da inédita maioria parlamentar que muitos anunciaram como catastrófica, Mário Centeno aterrou em Bruxelas, e no Eurogrupo, envolto numa aura risível semelhante à da primeira intervenção no parlamento que levou Passos Coelho às lágrimas de tanto rir. Por muito que custe aos ultraliberais, como foi o caso do ex-PM, houve mérito na estabilidade portuguesa e Centeno regressa como presidente do mesmo Eurogrupo. Quem diria.

A presente questão Novo Banco tem contornos anteriores aos três protagonistas do "caso centeno". Nem sei se o PR pediu desculpa, mas o que não convinha mesmo nada é que os "abutres da alta finança" vissem em Portugal fragilidades políticas para começarem novamente a dividir para reinar como fizeram com os bancos: o bom e o mau.