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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Oxalá

13.04.20

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Discordo que se viva uma fase boa para generalizar novos ambientes escolares. E por mais emergentes que sejam as designações #NetEscola ou #TvEscola, quando muito, e pensando até nas imprescindíveis (essas sim) vacinas que só se generalizam depois de apurada a fiabilidade, deverá ser um tempo de mitigação e de prudência em condições anímicas muito desfavoráveis; contudo, provocará uma aceleração única das aprendizagens sobre as consequências positivas e negativas das plataformas digitais. Sublinhemos alguns pontos essenciais:

Ponto 1. Por muito que se imagine um mundo com a substituição de professores por soluções tecnológicas, a evidência da escola presencial (onde se ensina, aprende e socializa) está não só ainda mais reforçada como justifica a recuperação do investimento - se possível, porque o futuro económico é invulgarmente incerto - no parque tecnológico escolar que ajude a enfrentar melhor o futuro (e, já agora, que se concretizem testes fiáveis, e sem pressas escusadas, de #NetEscola formativa como complemento ou intenções inclusivas).

Ponto 2. A #NetEscola acentua as desigualdades que a sociedade promove e que a escola presencial dificilmente atenua. Escuso-me a descrever os patamares sociais até à pobreza que "justifica" o recurso aos CTT para entregar documentos da #NetEscola ou a ida à escola para a refeição quente no modo "leve para casa".

Ponto 3. Como se previa, a corrida desordenada à #NetEscola tornou-se entrópica. Espera-se que se aplanem muitíssimo as curvas dos excessos com uma #TvEscola que, sem aulas presenciais, é pouco eficaz para alunos destas idades. 

Ponto 4. Acima de tudo, a pandemia, e este universo de #NetEscola, #TvEscola e #ExamesTalvezSim, desgasta as emoções de milhares de pessoas confinadas em tarefas escolares. E isso é preocupante para um futuro próximo que necessitará de "cidadãos capazes de fazer as perguntas próprias de uma mente livre: quem nos diz a verdade, quem nos engana, quem nos quer manipular". E o autor da frase, Emilio Lledó numa entrevista ao El País, acrescenta: “Oxalá o vírus nos faça sair da caverna, da obscuridade e das sombras". Oxalá.