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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Espera-se que seja uma Excepção

30.11.19

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As ditaduras e os regimes totalitários é que assassinavam, perseguiam ou internavam, com a acusação de loucura, os dissidentes ou conhecedores da corrupção do regime. Numa democracia europeia, Malta, assassinaram a jornalista, escritora, blogger e activista anti-corrupção Daphne Galizia que denunciou casos de corrupção que "podiam implicar membros do Governo".

"Joseph Muscat, o primeiro-ministro socialista de Malta, deve anunciar em breve a sua demissão, noticia o jornal Times of Malta. O governante está a ser pressionado para se afastar para não interferir na investigação ao homicídio da jornalista Daphne Caruana Galizia, há dois anos, quando investigava casos de corrupção que podiam implicar figuras do Governo."

 

Os Melhores como no Futebol

28.11.19

 

"O sistema escolar tem que ser competitivo como o futebol, em que somos dos melhores", disse o "especialista" na TSF. Defendeu que os mecanismos de selecção usados no 12º ano (exames a x disciplinas, rankings de escolas, pautas públicas de classificações e quadros de mérito) devem ser plasmados nos anos anteriores. Dá ideia que a preparação de "top performers" só não chegou ao pré-escolar porque os "especialistas" se atrasaram a determinar a parafernália. Ainda bem que se reverteu o inferno da medição que Crato impôs de supetão aos mais pequenos. E falta muito desvario para reverter; e não só de Crato.

O que se pratica nos modelos de formação desportiva bem sucedidos é o contrário do que disse o "especialista". A sensatez exige alargar a base da pirâmide e tentar perceber os "talentos" depois dos 14 anos. Antes desta idade, há jogos com resultados mas sem classificações de equipas. Sempre que começa um jogo, estão todos em "igualdade de circunstâncias" e sem sobrecargas competitivas. Há um tempo mínimo e máximo de participação de cada jogador e chega-se a impor um limite máximo de pontos (no basquetebol, por exemplo) que implica a substituição do jogador.

E podíamos estar o dia todo a elencar os domínios da formação. As vantagens do gradualismo, para além das óbvias, incluem os factores de ordem psicológica (da sua saturação: a vontade esgota-se), de aprendizagem técnica e táctica, de superação numa possível alta competição e de aprendizagens emocionais.

Só há 20 Professores no Escalão Máximo?

26.11.19

 

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O relatório anual do Conselho Nacional de Educação conclui, com os dados da imagem, que só havia 0,02% (20 para 100 mil?) de professores no escalão máximo. Estranha-se. Este escalão registou, por lei, zero professores durante anos a fio. Começou a receber professores com os descongelamentos. E só recebeu 20 em qualquer altura inicial? É "impossível". Bem sei que "dava jeito" à justa defesa dos professores. Mas o número seria 0% ou numa percentagem, no mínimo, de uns 4 a 5 por cento. Ou então é uma gralha, embora o fenómeno ganhe contornos reais ao se acrescentar que "têm em média 61,4 anos de idade e 39 anos de tempo de serviço". Mas mais importante é o que destaca o Expresso (embora os dados também devam estar, obviamente, desactualizados) e o que não destaca: cotas, listas e avaliações kafkianas e baixos salários: "O relatório do CNE também olha para a distribuição dos professores pelos vários escalões salariais para concluir que, apesar do elevado número médio de anos de serviço, a maioria (58,4%) encontra-se nos primeiros quatro escalões de uma carreira composta por 10 níveis. E apenas “0,02%” estão no topo. Para esta situação contribuiu o congelamento “prolongado” das carreiras (durante 9 anos) e a não recuperação da totalidade do tempo de serviço (menos de três anos). O CNE dá outro exemplo: no 3º escalão encontram-se 18% dos professores e estes têm em média 48,6 anos e 22,6 de tempo de serviço."

 

PS: esta sociedade está estranha, embora, e no caso dos 20 professores e num país que não sabe quantos funcionários públicos existem porque o hardware é lento, não fosse espantoso que escolas descongelassem uns 20 fora-da-lei-antes-do-tempo-no-modelo-livre-arbítrio.

Isabel Maria Sousa e Silva (1957-2019)

23.11.19

 

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É muito injusto que a Isabel nos deixe. Travou a batalha principal dos últimos cinco anos sempre com uma força incomum. Foi nessa fase que li os quatro volumes da obra superior de Elena Ferrante: "A Amiga Genial". E não havia dia que não associasse o título à Isabel. A obra de Elena Ferrante é fundamental para se perceber a história da Europa na segunda metade do século XX e nas duas primeiras décadas deste. E "A Amiga Genial" era corajosa, generosa e amava incondicionalmente os seus. Que grande lição de vida, minha amiga. Até lá.

Nota: escolhi uma imagem que antecedeu o período mais difícil da vida da Isabel e em que celebrávamos mais um momento de uma causa comum: a defesa e elevação da escola pública.

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