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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Uma Prova da Qualidade

06.01.19

 

 

 

Precisava de uma peça de vestuário e nem a fila para pagar me dissuadiu. Escolhi dois tamanhos e fui provar. O chão do provador estava preenchido por roupa misturada com cabides (alguns já partidos, provavelmente pisados pelos meus antecessores). A escolha correu bem. Trouxe a peça sobrante e mais o que lá estava. Coloquei tudo no balcão respectivo. Partilhei a estupefacção com uma das funcionárias que desabafou: "é todos os dias assim". Não sei se é um indicador da qualidade da nossa democracia, mas é, no mínimo, uma prova de qualquer coisa do género.

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Nota: Se a confiança é a palavra determinante da democracia, este exemplo inscreve de alguma maneira a interrogação de Luhmann (Luhmann, N. (1989). La moral social y su reflexión etica. Barcelona: Antropos) sobre os motivos que levariam um indivíduo a ser honesto no escuro. Seria porque o deseja ou porque há procedimentos e regras de controlo dos comportamentos? É natural que não se consiga responder univocamente a este problema. 

Da Génese do Mal e da Actualidade

06.01.19

 

 

É desconcertante o muito polémico filme, "A casa que Jack construiu", de Lars Von Trier. É uma obra brutal. A génese do mal projecta-se na actualidade com as referências mais variadas (arte - da pintura à literatura -, psicanálise, filosofia, sociologia, história, política). É uma narrativa muito dura e, como muitos dizem, excessiva. Concordo. Devia e podia evitar os excessos. Mas a actualidade também o devia fazer. Mas não só não o está a fazer, como está a eliminar a história; e até a mais recente (século XX, por exemplo; é assustador pensar que 70 anos é o limite da memória colectiva). 

"Jack é um homem norte-americano altamente inteligente que, nos anos 1970, decide canalizar o seu intelecto para o assassínio em série. Ao longo de 12 anos, este filme de Lars Von Trier mostra-nos a perspectiva do próprio homicida sobre os seus crimes, que considera obras de arte. 

Um filme provocador do dinamarquês Lars von Trier, o responsável por "Dancer in the Dark" ou "Ondas de Paixão", com Matt Dillon à frente de um elenco composto por nomes como Bruno Ganz, Uma Thurman, Riley Keough ou Jeremy Davies."

A banda sonora termina com o célebre "Hit the road Jack" (Caia na estrada, Jack, e não volte nunca mais...) de Ray Charles.