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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Prioridade à Educação?!

30.01.19

Da Falta de Professores e da Redução de Dias Escolares

29.01.19

 

 

Os mais informados perceberam que a falta de professores seria uma questão de tempo e constatam que nada acontece na atractividade da carreira que contrarie a realidade; bem pelo contrário.

Houve um estado americano mais radical que subtraiu despesa reduzindo para três os dias escolares semanais. É evidente que não se espera essa epifania, a não ser que lá mais para a frente se eleja algum tresloucado. Sabe-se, nos ministérios, que por cada dois professores que se reformem com redução lectiva por idade entrará um professor. Se se agravarem as condições da carreira (mais turmas por professor e ausência de redução lectiva por idade) associadas a cortes curriculares, a falta de professores talvez se atenue. Mas será uma carreira tão infernal e um recuo civilizacional tão preocupante no ensino público, que para essa supressão de futuro será melhor ler os extremistas dos EUA (por exemplo, e de algum modo, obviamente, Diane Ravitch, ex-governante no tempo do 1º Bush, que muda radicalmente de posição em "O reinado do erro: A farsa do movimento de desestatização e o perigo para as escolas públicas da América") que se estamparam com a receita dos três dias.

 

Como evitar o caminho da escuridão?

28.01.19

 

 

Para que o crescimento económico seja "a maré enchente que fará subir todos os barcos", é preciso que o elevador social funcione para os pobres e para as classes médias. Se não existir para os pobres e for apenas descendente para as classes médias, está aberto o caminho dos radicalismos. Como se faz? Desde logo, e como alguém disse, libertando os países dos mercados financeiros, harmonizando as políticas fiscais (nos blocos como a Europa, para começar, e alargá-las com o contributo da ONU) e fortalecendo o estado social.

Terminar a Semana a Ler Roma nos Dois Sentidos

27.01.19

 

 

 

Foi mais uma semana estranha, mas com alguns fenómenos conhecidos. O Governo, quem sabe se aconselhado por mais um "especialista" em Maquiavel, ignorou outra contestação de professores e mantém o registo "vencê-los pelo cansaço". Não era desaconselhado que o Governo lesse, ou relesse, o Príncipe, já que o florentino apenas observou e explicou o comportamento dos governos e não o que deviam fazer.

A CGD recentrou o debate com a publicação de listas das "elites" que depauperaram os contribuintes. São amigalhaços dos que fizeram o mesmo à banca privada, numa lógica mundial que destruiu a relação das democracias com a economia de mercado deixando em roda livre o lado mais insaciável do capitalismo. Não são, portanto, surpreendentes as explosões "jamaicanas" de exércitos com pessoas de todas as gerações que labutam de sol a sol para deixar a brilhar os corredores do turismo. 

Não percebia a indignação dos holandeses com um vídeo verdadeiro de uma mulher brasileira que mentia (uma mentira risível, diga-se) acusando-os de iniciar bebés a partir dos sete meses na vida sexual. Afinal, a irritação justificava-se porque era a ministra do trabalho do Brasil.

Já perto do fim da semana, li que a quadratura do círculo passou para outro canal com um neologismo no nome: circulatura do quadrado. Não sei se é uma notícia falsa, mas são tempos confusos e esquisitos. Até o regresso ao tribalismo está em crescendo. É por isso que não há melhor solução do que terminar a semana a ler Roma nos dois sentidos. Explico-me. A fita de Alfonso Cuarón, "Roma", retrata o colonialismo norte-americano no México (independente desde 1821) dos anos 60 e 70 do século XX. É Roma, masculina e violenta, se ler da esquerda para a direita. Se ler da direita para a esquerda, encontrará um Amor maternal e pacífico. As grandes obras são assim: fazem a síntese dos tempos e o melhor mesmo é não perder este grandíssimo filme.

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Nota: um dos vídeos de apresentação do filme.

 

 

Dos Amanhãs que Cantam

25.01.19

 

 

 

Não é privatizando o sistema escolar, atribuindo "cheques" aos mais pobres e dizendo-lhes que assim matriculam-se nas escolas dos ricos, que se reduzem as persistentes desigualdades. Essa falácia já deu mais do que provas que tem efeitos contrários. As escolas têm limites de vagas e um qualquer sistema de cotas é muito insuficiente. O caminho está há muito conhecido: investir na rede pública de escolas simultaneamente com uma incansável redução da pobreza num processo que atravessa várias gerações. A asserção inicial é que é um "amanhã que canta". É como na imagem: por mais letras e números que lancem, a teimosia ideológica evidencia-se.

Falácia

 

Vence-os Pelo Cansaço, Terá Dito o Príncipe?

24.01.19

 

 

 

Ouvi noutro dia e concordo: Maquiavel, no Príncipe, foi um generoso, ao contrário do espírito insinuado nas inúmeras vezes em que é nomeado; limitou-se a explicar, o que é diferente de propor ou concordar, o que observou. Se com os professores o Governo continua no registo "vence-os pelo cansaço", será melhor ler, ou reler, o Príncipe e não confiar no que dizem que lá está escrito.

Os professores voltaram hoje aos protestos de rua através da acção dos sindicatos. A peça da Lusa, que o Público divulgou, merece ser lida e tem como título: "Centenas de professores protestam em Lisboa e dizem que "nunca vão desistir"".

Onde Estão?

23.01.19

 

 

 

De 2007 a 2015, o financiamento à banca (BPN, BES Novo Banco e BANIF), custou (fonte BdP) 12.600 milhões ao défice orçamental e 20.000 milhões à dívida pública. Aguardam-se os dados até ao início de 2019, mas é público que a CGD custou cerca 4.000 milhões em 2016 e 3.000 milhões em 2017. Também é seguro afirmar que os bancos valem cerca de 20% do valor injectado. É importante conhecer devedores, mas é curial recuperar capital. E com o que vamos vendo, e considerando as habituais cortinas de fumo, temos de ter respostas às repetidas acusações às classes médias e até a uma das franjas da pobreza: quem é que vivia acima das possibilidades? Quem é que está a pagar as imparidades (registado superior ao executável) e os empréstimos impossíveis de pagar? Onde é que continua o intocável dinheiro e a quem é que isso interessa?

Já se provou que encontrar responsáveis, e o respectivo capital, não é tão difícil como a imagem sugere. É apenas uma questão de meios, de vontade política e de mecanismos transparentes.

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Para Além do Humano

22.01.19

 

 

 

"Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático",

é uma evidência que devia ser óbvia nas sociedades modernas. Se um político afirmar que a primazia da avaliação do desempenho leva o medo às empresas, a maioria das pessoas sorrirá com a "manifestação de fraqueza" e os comentadores mainstream colocarão a "impossibilidade quantitativa" como uma inevitabilidade competitiva da pós-modernidade. 

A avaliação quantitativa escolar é uma exigência educativa que intervém na formação da personalidade; o aluno é o outro e tem, naturalmente, uma reduzida possibilidade de contestação. O faz-de-conta é quase inexistente. Entre adultos, entre iguais, o faz-de-conta, e a sua absolutização, é uma condição de sobrevivência para os intervenientes. Mas isso não impede que o "medo" se instale e que se criem, paulatinamente, condições para um totalitarismo; por explosão ou implosão.

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