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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

é nos detalhes

31.07.17

 

 

 

É um exercício interessante apreciar os detalhes da entrevista da ministra Maria Manuel Marques, do Ministério da Modernização Administrativa (simplex), inserida na edição do Expresso com o título: "Não temos muitos funcionários públicos"

"O Simplex trouxe poupanças para o Estado, nos gastos diretos com os serviços e em termos de horas e dias de trabalho dos próprios funcionários.(...)A implementação de 11 medidas do Simplex terá gerado poupanças para as empresas de cerca de 560 milhões de euros por ano; as mesmas 11 medidas pouparam ainda 470 mil horas de trabalho, o equivalente a 50 dias de trabalho por ano.

Estes dados poderiam indicar que será necessário no futuro fazer uma redução de pessoal na administração pública, mas Maria Manuel Leitão Marques(...)recusa essa possibilidade(...)“Se nos compararmos com outros países democráticos e com o mesmo índice de desenvolvimento, não temos muitos funcionários públicos. Podemos ter muitos nalgumas áreas que já perderam importância, e podemos ter um problema de mobilidade interna e de qualificações. Mas temos falta de pessoas com competências digitais, por exemplo. Podemos requalificar e mudar para outras funções mais qualificadas que não sejam ir buscar o livro, tirar a fotocópia, enviar a certidão”, diz ao semanário.(...)“Ao contrário do que muitas vezes se diz, esta vida é dura. Muitas vezes, passamos aqui 12 horas por dia, quase sempre 11 horas, às vezes dez. Não me estou a queixar, porque também sabemos que não estamos aqui a vida toda e há compensações”(...)"

da auto-estima

30.07.17

 

 

 

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(Este texto não é inédito. Foi reescrito.

O original foi publicado neste blogue

em 27 de Maio de 2004)

 

 

Não foi fácil. Só ao terceiro encontrei a auto-estima. Passei pelo que estava mais à mão, o da Porto Editora, um só volume, e nada. Fui ao grande dicionário da língua portuguesa, do Círculo de Leitores, seis volumes, e zero. Não desisti. Recorri ao Houaiss da língua portuguesa, também do Círculo de Leitores, seis volumes, seguramente os mais pesados e por isso ficaram para o fim, e lá encontrei: "“qualidade de quem se valoriza, de quem se contenta com o seu modo de ser e demonstra confiança nos seus actos e julgamentos”". 

A minha dúvida não estava tanto no significado. Situava-se mais na questão da palavra composta o ser por justaposição ou por aglutinação; ter ou não hífen. Neste caso tem, porque, e muito justamente, o sujeito até pode não se estimar.

Ouvi (em 27 de Maio de 2004) uma notícia surpreendente: um conjunto de sábios, afectos à maioria que nos desgovernava na altura, discutiu o porquê da baixa auto-estima dos portugueses. O painel incluiu: Marcelo Rebelo de Sousa, Clara Ferreira Alves, Vasco Graça Moura e António Borges (foi a primeira vez que ouvi falar do último, um empresário bem sucedido). Depois da mesa-redonda (por justaposição porque existem mesas que não são redondas), a auto-estima dos conferencistas subiu em flecha. Uns anos depois entrámos em bancarrota e treze anos após a discussão de sábios ainda andamos à volta de dívidas sem fim e a auto-estima continua irregular.

do ruído à volta da carreira dos professores

29.07.17

 

 

 

 

É consensual a necessidade de um programa especial de aposentações para professores. Para além disso, tornou-se irrefutável que a profissionalidade docente exige reduções da componente lectiva com a idade. Parece escusado este sublinhado inicial, mas não é: a história assiste vezes sem conta a repetições. A segunda variável, assumida até durante a ditadura, foi "esquecida" na última década: redução máxima apenas aos 60 anos (no primeiro ciclo e no pré-escolar já não existe aposentação antecipada), aumento da componente lectiva e componente não lectiva recheada de inutilidades que acentuam o desgaste profissional.

Discordo das classificações de corporativismo (e este tem virtualidades) baseadas no estatuto que já existiu. E o discurso ainda mais difícil de perceber tem origem em professores mais jovens que discordam que um professor acima dos 50 anos de idade (e aos 27 anos de serviço, como era o caso) leccione 14 aulas por semana e beneficie de redução da componente lectiva para o exercício de cargos. Acrescentam, agora e para estupefacção quase geral, que os descongelamentos da carreira cheguem em último lugar aos professores com idade mais avançada. Acham que o descongelamento deve começar pelos mais jovens. Acham que a transversalidade é corporativa e escrevem-no como um acto de coragem que fará sorrir os envolvidos no Panamá Leaks. Mudarão de opinião quando a sua idade avançar e talvez nessa altura compreendam o número elevado de baixas médicas que se regista há anos a fio e entendam o clima de burnout que se generalizou numa classe profissional com uma elevada média etária e com tantos servidores da causa "dividam-nos que reinaremos".

 

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da legítima preocupação

28.07.17

 

 

 

Cópia de pct

O regresso da flexibilidade curricular cria legítimas preocupações, tal o inferno burocrático em que se viu enredada a última experiência. A imagem acima é elucidativa. Inscreve-se, em 1, um registo do plano curricular da turma em "forma sumária", mas lê-se o 2 e os seguintes e até nos arrepiamos. Para além de todos os devaneios didácticos, há que conhecer o método. Prever a organização e eliminar patamares informacionais desnecessários. Quanto a isso, zero. Percebe-se, para começar, a ideia de faz de conta. Mas isso não é o simplex; é impreparação por excesso das ciências da educação. É legislar o impossível. O simplex dois refere a plataforma digital única. Mas só se o período de análise e programação envolver todas as entidades que obtêm informação, desde logo a Inspecção-Geral da Educação (avaliação externa) que deve premiar as boas práticas nos métodos de tratamento da informação; e não o contrário. Na actualidade, agrava-se porque estimula mesmo esse contrário e quanto ao método ficou pela tal "idade da pedra digital". É por aí que se deve começar.

Recordo um post de 8 de Julho de 2016.

 

"Aceitei estar aqui, mas tem de me deixar explicar tudo", disse MdCR, em representação da ministra Lurdes Rodrigues, para Fátima Campos Ferreira num prós e contras da RTP1 no auge da guerra da avaliação de professores (2008). E explicou: "pela primeira vez há uma avaliação com rigor: pontuação de 1 a 10 e quotas. Criámos 4 dimensões na avaliação. Para cada uma há 5 domínios (20 no total). Tudo pontuado de 1 a 10. Aplicam-se as quotas. O resto é com as escolas."

E o que era o resto? Para cada domínio (20 no total), havia 5 indicadores (100 no total). Para cada um dos 100 indicadores, existiam 10 descritores (1000 no total) para cumprir com rigor a pontuação de 1 a 10.

Este sumário do inferno encontra sinais de um qualquer retorno? É bom avisar antes que seja tarde quando se começa a perceber o programa para o sucesso escolar. E era uma pena, convenhamos que era. O pior eduquês tem tendência para começar na estratosfera central e ganhar asas até nos locais mais recônditos.

A imagem que acompanhava o post era a seguinte:

 

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outro concerto memorável - A Vida de Verdi

27.07.17

 

 

 

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Concerto às 21h30. Passámos pelo largo do Teatro Nacional de S. Carlos às 18h30 e já só havia dois lugares na zona frontal. Não os perdemos. Revezámo-nos até à hora marcada. O tempo é imparável e o lugar "ultrapassou" as melhores expectativas. O som esteve perfeito. Para além do referido no programa, o "Va, Pensiero" (vídeo mais abaixo), de uma beleza comovente (não ligue, acabei de ver o episódio 10 da série, RTP2, "Amor em Berlim" e estou emocionadíssimo), tornou o concerto inesquecível. Se a pontualidade é a regra, e foi cumprida no início, o concerto não durou pouco mais de uma hora como anunciado: foram mais de duas e ainda bem.

 

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NabuccoAbertura 

ErnaniSi ridesta il leon di Castiglia

Il CorsaroAlfin questo corsaro… cento leggiadre vergini

MacbethPatria opressa

RigolettoTutte le feste al tempio… Sì, vendetta

Il TrovatoreVedi le fosche notturne spoglie

La traviataAddio del passato

I Vespri SicilianniAbertura

Un ballo in MascheraEri tu che macchiavi

La Forza del DestinoLa Vergine degli angeli

Simone BoccanegraCome in quest’ora bruna

Don CarloO Carlo ascolta

AidaGloria all’Egitto ad Iside

OtelloAve Maria

FalstaffÈ sogno o realtá?

NabuccoVa, pensiero

 

 

ainda a rede escolar

26.07.17

 

 

 

Em adenda ao post anterior, recordo-me doutro momento de um "reformista" barrosista que teimava em situar Óbidos junto a Torres Vedras, e não a Caldas da Rainha, para uma decisão importante sobre transferência de alunos. Eliminaram os CAE´s, empossaram-se para cortes a eito, no "país de tanga", com alergia ao contraditório e "dominavam" a província a partir da capital. Iam revolucionar a rede escolar. Eram um género de profetas, espécie que fez escola nos governos seguintes. Lá entrou o sistema em autogestão para que as escolas abrissem todas em Setembro.

Chamem a polícia!

25.07.17

 

 

 

"Polícia chamada a intervir por problemas com matrículas em Lisboa" é a principal notícia do Público online. Este problema tem causas, por muito que custe à voracidade mediática. A rede escolar tinha densidade, apesar da péssima organização do território, até à chegada dos barrosistas que "reformaram" a eito e implodiram (com erros graves na escolha dos alvos) a lei orgânica do ministério: acabaram com 23 estruturas (centros de área educativa) que tinham massa crítica na organização da rede e os anos que se seguiram foram tragicómicos. Houve episódios hilariantes de boys-PSD-CDS a orientarem reuniões de rede com números que triplicavam os estudantes existentes em alguns concelhos. Segui-se o socratismo-boys-PS que exponenciou o mercado, e o negócio, de "privados" a quem o curto santanismo escancarou as portas. O Passismo-Portismo-boys-pàf acrescentou a epifania da liberdade de escolha, e da legítima segregação, que só se regula de um modo: chamem a polícia (mas não se esqueçam que as crianças assistem).

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