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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

bandeira branca por um dia

23.06.17

 

 

 

 

 

 

(Este texto foi escrito em Junho de 2004. Resolvi reescrevê-lo e reeditá-lo)

 

 

 

Passei uma tarde encantadora. Foi um descanso merecido para um corpo que vai aturando maçaduras diversas. O dia soalheiro ajudou, a cadeira de jardim encorpou-se de vez e as leituras estavam a condizer. Se a perfeição existe, estive lá perto. Foram momentos de um prazer indizível. Argumentei-me em cadeia com sínteses que me elevaram as motivações. Tenho tardes assim. Mas hoje, uma das leituras fez-me viajar para longe das letras que os olhos percorriam. Fiz uma visita à minha memória. É um dos meus exercícios predilectos, pois não obedece a muitas formalidades nem aos necessários - para outros tipos de visitas, é claro - pormenores protocolares. A meu gosto. Entro por ali adentro, pesquiso à vontade e o tempo que quiser, realço o que mais me interessa, embora, e vezes sem conta, tropece em acontecimentos menos agradáveis. 

Foi hoje o caso. Lembrei-me do serviço militar. Vinte e poucos anos, muito poucos mesmo, e zero tiros no currículo. De uma hora para a outra raparam-me os caracóis, encheram-me de fardas e de sei lá mais o quê e disseram-me: vais ser comando; a honra suprema de um jovem português. Chamavam-me de Prudêncio, o meu último nome, coisa que até aí me parecia exclusivo do meu pai. Fui obrigado a fazer uma tropa de voluntários com detalhes engraçados: perguntavam-me:  - és voluntário?; respondia: - não. Mas nos papéis punham a cruz no sim e quando mais refilasse pior: aprendi rápido e sentenciei: - se tem de ser, vamos a isso.

Depois foi aquilo que se sabe. Mesmo com uma estrela aos ombros, já que ali éramos todos iguais, valha-lhes isso, a dureza e a brutalidade diárias sucederam-se até o horror se instalar. Lembro-me, entre tantas outras coisas tremendas, de saborear um naco de pão duro barrado com pelos da barba e sangue. Ou então, de me deitar em terrenos cravejados de balas que tinham acabado de cair. Violência acumulada em meses e meses sem fim. Valeu-me a ausência da guerra. Não sei o que faria dos "inimigos".

Como quero compreender os jovens que lutam nas diversas guerras. Humanos que são, jamais quererão ouvir o nome do palco do único e infeliz dos teatros: o das operações militares. 

Da parte que me toca, nunca mais "perdoarei", nem à Amadora nem a Santa Margarida, pelo facto de terem sido os solos dos meus horrores.

Socorro! Sou mãe...

23.06.17

 

 

 

Socorro! Sou mãe...

 

 

"(...)Os quadros de honra podem incitar a uma espécie de bullying [numa altura em que tanto se combate o mesmo] aos que não são bons alunos. Os quadros de honra podem até nem sequer ser bons para os que lá estão porque lhes retira humildade, e às vezes também, a vontade e a motivação para lá permanecerem e para os que sonham lá entrar.
Os quadros de honra podem criar miúdos convencidos, prepotentes e armados em bons.
(Ou considerados cromos e tótós como me foi relembrado depois de ter escrito este texto). Os quadros de honra, em crianças tão novas, podem nem fazer nada disto mas estão a dizer que há os  bons meninos e os outros. E nestas idades todas as crianças são boas, carregadas de potencial nas mais diversas áreas.
Os quadros de honra são uma falta de educação da escola para com os seus alunos. Todos os alunos. Porque a honra não se mede pelos valores nos testes.(...)"