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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Da França e das ideologias

04.05.17

 

 

 

Dá ideia que "Macron tem a vitória assegurada". Há várias conclusões do processo eleitoral francês para quem viu o debate de ontem. Há uma evidência: o ultraliberalismo defendido pelos 1% vai vencendo em toda a linha. Macron, que é o continuador de Hollande, ganhará porque se encostou ainda mais aos ultraliberais (Varoufakis parece que lhe chama progressista, o que não deixa de surpreender) e já só debate com uma extrema-direita que não atinge com contundência em termos ideológicos. Deve ser tacticamente aconselhado. É este o estado crítico da social-democracia que tem uma qualquer ténue esperança em Portugal. Há todo um futuro ideológico por desenhar, que vai da globalização à defesa do estado social e passará pela revolução tecnológica e pelos fluxos migratórios. Claro que haverá sempre a imprevisibilidade provocada por conflitos armados que têm uma antecipação tão difícil como a vida ideológica dos 99%.

O surreal e a gestão das escolas

03.05.17

 

 

 

São conhecidas as componentes críticas do desastroso modelo de gestão que Lurdes Rodrigues impôs e Crato manteve no essencial, mas o que o PSD quer mudar como fundamental é que os "pais que são professores devem ficar fora dos conselhos gerais das escolas". É surreal. Há todo um rol de trapalhadas, irregularidades, abusos do poder e por aí fora e a direita, que ainda há uns dois anos saiu do Governo, conclui deste modo. Dá ideia que olham para os conselhos gerais como um espaço para contar espingardas na hora de escolher. Na partidocracia é assim. Mas nas escolas não deve ser. Há modos democráticos, mais do que testados e com provas muito boas, para eleger. São estas pequenas coisas que também explicam a nossa queda para protectorado.

Do emprego na Europa

02.05.17

 

 

 

"Portugal é o terceiro país da Europa com mais trabalho temporário". E é assim. Se pedirem uma opinião aos outrora exemplares da bancocracia, decerto que ouvirão que não temos investimento por causa da rigidez do código do trabalho. Somos superados pelos "canalizadores" polacos e pelos "camareros" espanhóis. Sabe-se que Berlim é a cidade europeia com mais mini-jobs e que a Alemanha vive numa espécie de quadratura do círculo. Se continuar a aplicar a receita que destinava aos povos que se desorientam em vida desregrada, a extrema-direita terá espaço eleitoral para progredir.

o trabalhador como conceito

01.05.17

 

 

 

 

1-maio-chicago

 

Chicago, 1 de Maio de 1886

 

"Por que será que se riem quando digo que trabalho muito?", interrogou-se um humorista. Compreendi-o. Fazer rir, como de resto acontecia com a maioria das actividades culturais, ficava aquém de um conceito que considerava um banqueiro ou um facilitador de negócios como o grau elevado do exercício profissional. O valor do trabalho restante media-se pela "possibilidade" de sobrevivência para baixo; era disso que riam.

Já não é assim. Algo mudou no conceito, mas tardam as reversões. 

Os professores, por exemplo, gozam de boa reputação, como trabalhadores, nos inquéritos junto das populações, mas "irritam" o poder da última década e meia em Portugal. São uma espécie que incomoda e foram escolhidos, não apenas por serem muitos, como alvo a abater. Começou antes da chegada dos credores. Não é especulativo afirmar que estamos há anos a fio a registar quase diariamente essa degradação sem um qualquer sinal de reversão.

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