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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Ler devagar; mas sentado

24.05.17

 

 

 

Leia, sff, e tente adivinhar quem fez as declarações seguintes antes de encontrar a solução no parágrafo final.

  1. “Não é preciso ser altruísta para apoiar políticas que elevem a renda dos pobres e da classe média. Todos beneficiarão com essas políticas porque são essenciais para gerar crescimento mais alto, mais inclusivo e mais sustentado. Ou seja, para se ter crescimento mais duradouro será necessário gerar crescimento mais equitativo."
  2. "Novos estudos demonstram que elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB de um país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta estão a "espalhar" para cima e não para baixo. Para além de outras variáveis, constata-se que os ricos gastam uma fracção menor da sua renda o que reduz a procura agregada e enfraquece o crescimento. Os nosso estudos anteriores demonstram que a desigualdade excessiva de renda reduz, e na verdade, a taxa de crescimento económico e torna o crescimento menos sustentável com o tempo."

São declarações, em Bruxelas, de Christine Lagarde, em Junho de 2015, baseadas no boletim oficial do FMI de 17 de Junho de 2015 que integra o estudo, também de Junho de 2015 e do mesmo FMI"Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective". Se Maquiavel estivesse por cá, teria explicação: "disse ao Príncipe: faz a maldade toda em pouco tempo e depois confessa-a; sei lá: afirma-te neoliberal no início e "social-democrata para sempre" no fim; confia na sabedoria popular."

 

liar

 

 

será que o século XXI mudará a história?

23.05.17

 

 

 

Rafael Valladares, historiador espanhol, tem um livro sobre a restauração da nossa independência. "A Independência de Portugal - Guerra e Restauração 1640 - 1680" é o título da obra, editado pela "A Esfera dos Livros".


"Ao contrário do que dizia a historiografia nacionalista dos séculos XIX e XX, a Restauração não foi um movimento geral da nação portuguesa contra Castela e muito menos contra a Espanha. Foi uma revolta das elites portuguesas, principalmente uma parte da nobreza e da Igreja, que viam os seus privilégios, e "liberdades", como eles diziam, atacadas pela política reformista de Filipe IV"

"O que triunfou em Portugal foi uma economia senhorial, de rendas, e que não privilegiava os investimentos nem nada que fosse inovador".

 

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Do Procedimento por Défices Excessivos

22.05.17

 

 

 

É um dia importante e responsabiliza a política pela imperdoável austeridade a eito iniciada em 2010. Agora, espera-se que o crescimento económico seja a "maré enchente que subirá todos os barcos" e não apenas os iates. Há uma barca quatrocentista (antecessora da caravela até 1434) a afundar-se com 2 milhões e 500 mil marinheiros no limiar da pobreza (meio milhão de crianças) e até o navio-escola, que viu atirados ao mar - no período austero de fortes ventos offshores - 42 mil dos 160 mil pedagogos, transborda de precários, congelados, remadores exauridos e reformados retardados. 

 

Dombrovskis: “Este é um dia importante para Portugal”

Captura de Tela 2017-05-22 às 16.24.24

 

a rede escolar está estabilizada?

21.05.17

 

 

 

Enfrentar a crise da rede escolar provocada pelas cooperativas de ensino é um mérito escolar da gerinçonça. Nos concelhos mais atingidos pela duplicação de oferta, Caldas da Rainha por exemplo, é patente a recuperação de alunos em escolas públicas condenadas à desertificação. Está resolvida esta componente crítica da rede escolar? É cedo para essa conclusão. As instituições particulares continuam licenciadas e uma viragem política inverterá o sentido do fluxo de alunos. Como é referido aqui, há alterações legislativas que requerem atenção. O aumento de contratos de associação deu-se em meados da primeira década de milénio e envolveu o bloco central; também ao nível local. Como esse espaço político estruturou o voto, é de considerar um forte peso político a influenciar uma reversão.

Em 2010, publiquei este texto no blogue e também na Gazeta das Caldas (exercício habitual antes do Correntes). Cumpriu-se o previsível: os autores deste género de publicações passam à incomodidade por acção dos actores do tal bloco. À medida que o tempo avança, e o tempo é sempre o mestre supremo, verifico a precisão dos escritos.

 

O Golpe disse assim:


"A propósito da recente polémica à volta da desnorteada rede escolar do concelho das Caldas da Rainha, considerei oportuno tomar uma posição que pode ser lida nos seus vários níveis de intervenção.

Foi por volta da década de noventa do século passado que se percebeu que o orçamento da Educação era demasiado apetitoso para que a ganância, que se afirmou através do PSD e do PS (o CDS e outros ficaram com empregos e fatias menores), o deixasse sossegado; potenciais PPP´s (parcerias público-privado,) ainda sem dono.

Vou fazer aqui um pequeno parêntesis para precisar que a fórmula PPP foi comprovadamente ruinosa para o estado, uma vez que os governantes assinavam contractos leoninos em benefício de empresas privadas para onde se passavam na primeira oportunidade, muitas vezes em comunhão espiritual com autarquias locais onde interrompiam obras integralmente públicas e já adjudicadas.

Desde a altura referida que as agendas mediáticas foram paulatinamente preenchidas pelo “tudo está mal na escola”, enquanto se edificavam escolas cooperativas em regime de excesso de oferta e em clima de quase mercado. Essa agenda foi levada até às últimas consequências, e com sonoro e central aplauso, a partir de 2005, através da destruição do poder democrático da escola.

Quando eclodiu a crise financeira, o PS foi apanhado de forma flagrante do lado predador. A mudança de agulha fez-se com a naturalidade de quem começa a dizer inverdades logo ao pequeno-almoço. Passou-se para um suposto lado contrário da agenda gananciosa, com mais uma epifania pato-bravista e de reanimação económica de imobiliários aflitos: a “parque escolar”. Estava quase tudo encenado para umas próximas legislativas e só faltava um detalhe precioso: somos os defensores da escola do estado e até retirámos financiamento aos nossos cooperativos que se dedicaram à privatização de lucros.

Os últimos tempos foram hilariantes (ou trágicos; é só escolher o lado). Ex-ministros do bloco central desceram da estratosfera e sentenciaram: escola do estado que seja pior fecha em favor da vizinha privada. Foi uma espécie de derradeiro serviço (consciente ou não), já que um deles até ameaçou desistir se a ideia não avançar de vez, numa intervenção que baralhou uma série de conceitos com a famigerada autonomia das escolas à mistura. Ao nível local foram convocados os inconscientes animadores de serviço.

Ou seja: edificaram inconstitucionalmente junto às escolas do estado – tentaram derrotar-lhes a fama e cobiçar-lhes os melhores alunos – inflacionaram as notas, colocaram professores sem concurso e em regime de amiguismo, construíram os rankings e já só falta subtrair uma boa fatia aos orçamentos. Uns grandes profissionais, sem margem para dúvidas. Um golpe perfeito, digamos assim. O pessoal da escola pública é bem mais naif e resistente e o país está no estado que se conhece."

 

concretoflexivel.estabilizacao encostas

Impermeabilização de tadudes.

Imagem encontrada na rede sem referência ao autor.

 

da economia ao ensino

20.05.17

 

 

 

 

A oposição não se cansa de evidenciar que a geringonça segue um caminho diferente. A oposição tem razão. Para além do Governo ter outro discurso, há uma alteração determinante: a reposição de salários e o consequente aumento da confiança. Apesar dessa "recuperação" se diluir na selecção dos factores que ajudaram aos bons resultados na economia, (Ricardo P. Mamede refere: "retoma do crescimento mundial; desvalorização cambial; crescimento e desvio do turismo internacional; continuação da descida das taxas de juro; aumento da confiança; estabilização do sector bancário; retoma da construção e do imobiliário"), e de ainda não se sentir na conta bancária dos destinatários, tem significado político e permite que a maioria que governa se torne mais audível. Existe esperança no futuro.

No ensino registaram-se alterações iniciais: inferno da medição nos mais jovens, rede escolar, contratações de escola e prova de ingresso para professores. Se esse inferno da medição ainda dá sinais em modo politicamente correcto, as outras três variáveis parecem respeitar o espírito inicial. Contudo, das supressões curriculares até ao congelamento e estatuto de carreiras, adiamento de reformas e precarização de profissionais, e passando pelo clima nas escolas (dos alunos por turma aos agrupamentos) e pela hiperburocracia, há todo um universo que desespera pelo regresso à normalidade. 

Um momento de humor

19.05.17

 

 

 

Encontrei algumas vezes discursos do género do que pode ler a seguir. São sempre momentos bem humorados.

Deixo o link, aqui, e copio e colo a versão.

Captura de Tela 2017-05-19 às 09.15.14

 

"O Ministério da Educação, finalmente, e possivelmente sem a opinião do Conselho Nacional da Educação, que não está nada virado para a cinesiologia, a ciência que estuda o movimento, e não a educação do movimento – o que são coisas diferentes, mas complementares, já que só é possível “educar” um movimento depois de perceber como é que ele funciona, como poderá ter melhor aproveitamento, qual a sua função, limitações, recuperação de lesões, etc., etc. –, compreendeu a questão.

Mas o ensino aplicado da estrutura morfológica (esqueleto) de um ser humano pode resumir-se ao estudo de um conjunto de alavancas, interpotentes ou de velocidade, interresistentes ou de força, e interfixas ou de equilíbrio. Só que elas são movidas através dos músculos, cujo movimento começa ao nível da célula, com a troca de iões de potássio (K) e de sódio (Na), de dentro para fora, e vice-versa, da membrana celular, que dá origem ao influxo nervoso que, por sua vez, provoca o movimento, ou seja, a deslocação de um segmento corpóreo.

Mas também é necessário que a energia a utilizar através do glicogénio (fígado) seja a necessária sob o ponto de vista metabólico, que pode chegar a 1 020 000 kgm/24 horas, ou seja, grosso modo, dá para elevar 1000 kg a 1000 metros de altura (nível do solo). Por outro lado, a estrutura orgânica, por razões óbvias, terá de estar em interação com a estrutura percetivo-cinética (sistema nervoso), de onde emanam as “ordens” que controlam os vários comportamentos motores: o voluntário, dependente do córtex; o automático, de origem talâmica (tálamo), que através da repetição 1000 vezes de um movimento voluntário atinge o estereótipo motor-dinâmico, ou seja, o movimento perfeito e económico; e, por último, o movimento reflexo, dependente do bulbo, ou medula alongada.

Mas é através do arco reflexo, depois da perceção de uma excitação cutânea, na placa sensível, com a sua condução aferente (centrípeta), com a integração, interpretação e elaboração de resposta, que é enviada pelas vias eferentes (centrífuga) para a placa motriz, que se produz a reação que dá origem ao movimento num tempo que não pode, nem deve, ser nem muito rápido nem muito lento, o que nos garante a normalidade do gesto motriz e do organismo no seu todo, ou seja: estímulo tátil-gnósico (ao nível da pele), 0,09” (centésimos de segundo); ao nível do ouvido (audição), 0,12”; ao nível da vista (visão ocular), 0,15” – significando isto que a vista é, de todos os órgãos, o que reage de forma mais lenta aos estímulos.

Convém ainda acrescentar que pela integração humana são responsáveis o sistema nervoso, o sistema hormonal e o sistema humoral.

Ora, o Ministério da Educação percebeu agora, finalmente, graças a um ministro diferente da maioria dos políticos, ou seja, que alia à competência e inteligência a coragem e a pressa, porque sabe que tudo isto tem ciclos e é necessário aproveitá-los, caso contrário, perdem-se gerações por ignorância e inação.

A segunda infância, como é sabido, vai até aos seis/sete anos, e a terceira infância irá até à adolescência – 11/12 anos –, e é neste espaço de tempo que temos de atuar para aplicar as atividades indiferenciadas, com movimentos espontâneos e produto da imaginação das crianças, no início da 2ª Infância ( dois anos e meio), com os “brinquedos cantados”, com expressão mímica naquela atividade denominada sincrética, depois na atividade analítica, que encontra a sua expressão no movimento artificial (construído), consubstanciado na ginástica, para terminar com movimentos naturais de gestos desportivos que podemos encontrar em todos os desportos e que apelidamos de atividade sintética.

O Ministério da Educação o que quer é operar uma viragem de 180 graus no ensino e prática da expressão físico-motora (cinesiologia) e na preparação e aproveitamento dos licenciados em Motricidade Humana (por agora), já que o nome de educação física está ultrapassado, e à luz do gestaltismo é, de facto, uma estupidez, com a ajuda decisiva do Instituto de Avaliação Educativa, tendo ainda em vista ajudar o Ministério da Saúde, com menos baixas médicas no futuro, mais camas disponíveis com os mesmos hospitais, menos mortes por acidentes vasculares cerebrais, menos gastos em remédios, e também poder ajudar o Ministério da Defesa, com jovens mais aptos para o serviço militar, e ainda a Segurança Social, com uma longevidade maior da população portuguesa.

E assim o Ministério da Educação toma o lugar dianteiro neste governo, que poderá certamente contribuir para a nossa felicidade nacional bruta, como disse Tinbergen, em oposição ao produto nacional bruto.

Parabéns ao Ministério da Educação, agora só falta o resto...

 

Sociólogo"

 

Editorial (30)

18.05.17

 

 

 

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Gosto de corrigir os meus textos. Reler e mudar. É um exercício interessante. Há sempre alterações a fazer. Adjectivos a mais, mas também verbos desnecessários. Quando são posts publicados procuro não alterar o sentido. É evidente que a velocidade de reacção no registo blogosférico não convive bem com a escrita mais pensada. Não é fácil. Ontem, foi um dia assim. No texto da publicação anterior mudei o sentido. Já pedi desculpa a quem comentou. Faço-o agora a quem leu e tentarei não repetir.