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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

Do particular para o geral e do geral para o particular

31.05.17

 

 

 

Apesar da internet e da velocidade dos restantes meios de comunicação social, as análises também se condicionam pelo espaço físico. Ou seja, raciocinamos por indução e dedução. Constata-se a diversidade geográfica, mesmo num país pequeno como Portugal. Por exemplo, e pensando na blogosfera, observa-se o modo como a localização dos bloggers os posicionam no intenso espaço mediático da educação nos últimos anos. A municipalização e a rede escolar são casos ainda mais evidentes. Quem vive em concelhos onde não existem "privados" não estará tão sensível para o problema e o mesmo se passa com o grau do caciquismo na discussão sobre municipalização.

Da Geringonça e de Leonardo da Vinci

30.05.17

 

 

 

Por acaso, está patente na Alfândega do Porto a exposição "Leonardo da Vinci - As invenções do Génio". O homem do renascimento, que criou uma Geringonça (imagem), não imaginaria que um dos seus delírios náuticos transformasse turismo em petróleo e provocasse um crescimento económico que espanta esse mundo "rigoroso" que não suporta veleidades. É coisa de génio, realmente. Os austeros da escola de Schäuble têm razão e devem pensar na mala para o violão.

Por muito que custe aos avessos a qualquer curiosidade científica, há mérito português. É certo que o plano de Centeno escolhia a subida do consumo interno; não se verificou, apesar da reposição de salários e das condições interessantes que podem acontecer no futuro próximo. Mas é uma lição política para os que adivinhavam uma catástrofe com um Governo apoiado numa Geringonça. Nem as sucessivas viagens em direcção à bancarrota (conduzidas pelas "elites" que guiavam - e se guiavam - o antigo arco governativo), esmoreciam o discurso só-arco-fim-da-história. Portugal recomenda-se, o plano de Costa e Centeno, que levou Passos Coelho, em pleno parlamento, às lágrimas de tanto rir com as ousadias científicas, é olhado como alternativa numa Europa mergulhada em problemas de navegação. Quem diria. 

 

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 A Geringonça. Leonardo da Vinci.

no mínimo, é uma Europa diferente e com jogos perigosos

29.05.17

 

 

 

 

O Brexit e Trump mudaram a condição da Europa. Aumentaria a apreensão se a direita radical tivesse vencido em França.

Merkel é um bom barómetro. Está em campanha. Quando diz o que vai ler, está a dramatizar ou a tentar convencer as pessoas que se ausentou nos últimos anos?

"Num comício de campanha este domingo, a chanceler alemã sugeriu que aliança ocidental pós-II Guerra foi gravemente afetada pela vitória do Brexit e pela eleição de Donald Trump."

É, no mínimo, uma Europa diferente e com jogos perigosos.

dos neoliberais e dos pingos da chuva

28.05.17

 

 

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Os neoliberais entraram em "revisionismo". É espantoso. Schäuble, com eleições à porta, "elogiou" Centeno enquanto ironizava com a antecipação de 10 mil milhões ao FMI. É uma maldade mais sofisticada que a de Moedas. Há, desde logo, uma evidência: Schäuble não pode impor a Portugal uma tragédia semelhante à grega através doutro duelo com o FMI; isto não apaga a responsabilidade histórica das "elites" gregas; nem das portuguesas. Esperemos que a história o evidencie, já que as principais figuras do FMI fazem o seu papel assumindo responsabilidades em tanto mal irreparável: "Olivier Blanchard (2017): Portugal não deve apressar decida do défice" ou "Christine Lagarde (2015): elevar num (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB de um país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar num (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta "espalham" para cima e não para baixo."

E a municipalização à vista

28.05.17

 

 

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A "notícia" é do DN.

Aumenta a apreensão com a municipalização e não é só na Educação: na Cultura cresce um sentimento semelhante. É possível perspectivar o ensino não superior num país "capturado" pela partidocracia com os seus sindicatos de voto.

A sensatez recomenda poderes desconcentrados e descentralizados. A gestão do território exige coerência e estruturas que funcionem. Como temos mais de cinquenta quadros de divisão administrativa, em vez de um como seria razoável e moderno, há um caldo que gera preocupação. Cruzei esta notícia do DN com uma reportagem da revista do Expresso: "Nos templos há cada vez menos políticos influentes e a esfera da maçonaria diminuiu. Os "irmãos" estão preocupados e têm estratégias para recuperar o poder. Mas permanecem os rituais, os códigos secretos, as teias de negócios e o peso maçónico em áreas como as autarquias e os serviços secretos; estão espalhados por todo o país". Às tantas, passa-se o mesmo com a "opus dei".

Se somarmos toda a informação, todos os sinais e todas as evidências, encontramos respostas importantes para tanta apreensão. Por que será, por exemplo, que mais de 90% dos professores são contra a municipalização? Os inquéritos dos últimos anos dão que pensar num país de comprovado mau centralismo. É, realmente, uma contradição que impressiona.

O sentido do fim

28.05.17

 

 

 

Gosto de todos os filmes. Estou numa fase assim. Leio qualquer coisa antes ou vejo os vídeos de apresentação. É evidente que escolho. "O sentido do fim", um filme britânico realizado por Ritesh Batra, tem a muito boa representação de Jim Broadbent no meio de um elenco que prestigia a reconhecida escola de actores daquelas ilhas. O Público apresenta o seguinte resumo deste filme a não perder:

 

 

década e meia de revolução neoliberal (da série: repetir coisas óbvias)

27.05.17

 

 

 

A propósito da revolução que a presença da troika destapou, recorda-se os teóricos da simculta revolução, na actualidade, pode ser tão rápida que nem damos conta. Há sinais da contra-revolução? Há sempre sinais; até existiram alguns, mas não sobreviveram. Nunca se sabe se uma contra-revolução será tranquila, mas espera-se que sim e igualmente rápida. Desta vez, percebe-se que as personagens carregadas de ideologia neoliberal ficaram com o discurso descontinuado e datado. Muito do mal não é reparável, embora a mensagem da imagem estimule os contraditórios que, sublinhe-se, não escapam à asserção: é mais rápido e fácil destruir do que construir. Há duas irrefutabilidades de sinal contrário sobre o que é revertível: não será com a mesma velocidade da queda, mas não depende de vontade divina.

 

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E é isto

26.05.17

 

 

 

Entrei na sala, para uma acção de formação sobre avaliação, e vi uma fotografia repetida em cima de cada mesa com a seguinte imagem: um rapaz a abraçar uma árvore. O formador solicitou a um porta-voz por grupo que enunciasse as conclusões após uns minutos de análise. Desde o amor pela natureza a uma genética abençoada, foi um rol de virtudes. O formador sentenciou: um rapaz a abraçar uma árvore e ponto final. Não voltei a encontrar um modo tão significativo de começar uma acção de avaliação. E o que é que me levou a este post trinta anos depois da referida acção? As fotografias com sorrisos, ou cara séria, que envolvem Obama, o Papa Francisco, o Trump e por aí fora, e com análises políticas que são de imediato contraditadas com mais imagens. E nem os OCS de referência escapam, como se comprova na imagem seguinte que acompanha um tratado sobre um aperto de mão entre Macron e Trump:

 

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A aflição fundamentada com a municipalização

25.05.17

 

 

 

Desde a viragem do milénio que se detectou na massa crítica escolar centralizada (e algo estratosférica) a intenção de um mega-agrupamento por concelho (com excepções nas zonas metropolitanas). O argumento é a redução de custos. A massa crítica docente não fez, nem faz, o que devia para o evitar (dando razão ao nosso último monarca que, ao que consta, dizia "que somos um país de bananas governado por sacanas") e os mentores partidocratas preparam a ofensiva que designam por municipalização.

Repitamos: não é avisado qualquer aumento de escala com os instrumentos legais em vigor; a gestão de proximidade, e a consequente liderança, é um factor inalienável da gestão escolar. Haverá apenas um reforço: o pior da política partidária. O que urge é o movimento contrário, redução da escala, e o regresso da democracia às escolas.

Está em causa a confusão eterna em variáveis fundamentais: desconcentração do MEC e lei orgânica, municipalização (descentralizada) do sistema escolar e modelo de gestão escolar que foi "pensado" para uma escola não agrupada e que é mais desconcentrado (com forte dependência do poder central) do que descentralizado. As redes escolares, e as análises e diagnósticos, dão mais sinais de que a terraplanagem cria o hábito.

 

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