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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

Números animadores

31.03.17

 

 

 

O "desemprego caiu para o nível mais baixo dos últimos oito anos". Depois do défice mais baixo do que levamos de democracia, e de, há cerca de um mês, o Governo da tal Geringonça ter "emitido a dívida com a taxa mais negativa de sempre", fica-se com a ideia que a tendência de queda do desemprego veio para ficar. Também se percebe que a economia dá alguns sinais de crescimento e que e gestão da dívida do anterior arco governativo está controlada apesar de impagável (é mesmo um fenómeno semelhante a uma patologia galopante e fulminante a prazo). Para uma Geringonça que, ao fugir do mainstream, "prognosticava" o fim da nação e quiçá da história, até que nem está nada mal. Esperam-se as sábias, e certeiras, análises de Gomes Ferreira, Camilo Lourenço, Nogueira Leite ou Medina Carreira; e, já agora, do Compromisso Portugal e de toda a massa crítica do BES, GES, PT e por aí fora.

da inclinação da escola

30.03.17

 

 

 

Já vamos com mais de dez anos de cortes na escola pública. Se há progressos nos resultados internacionais, muito se deverá ao aumento da escolarização da sociedade. Quando se refere a necessidade de uma mudança de paradigma (vocábulo que uso menos), é no sentido organizacional que leio o imperativo. Não foram só as sucessivas "reformas", baseadas em retrocessos civilizacionais ou em guerra confessada aos professores da escola pública, foi o clima que se instalou que suprime o pensamento sobre o futuro. E não é apenas a saúde orçamental do Estado de direito. Trata-se da recuperação democrática da rede pública de escolas, sem que isso avalie negativamente o esforço dos actores num sistema com tal grau de instabilidade e incongruência.

 

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do tempo escolar

29.03.17

 

 

Um estudo do CNE sobre a "Organização Escolar - o Tempo" confirma o desequilíbrio curricular que tomou conta da carga horária, principalmente dos mais jovens - mas não apenas aí, sublinhe-se -, na última década e meia com um pico em 2012.

blogue ComRegras retirou desta notícia"tempo dedicado à matemática em Portugal é superior à média da OCDE" do Público as seguintes passagens:

 

"Portugal é, em conjunto com o México, o país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) onde o ensino da Matemática tem um maior peso no tempo total de aulas do 1.º e 2.º ciclos de escolaridade, que abrange alunos entre os seis e os 12 anos. A Matemática ocupa 27% do tempo de ensino, contra 12% na Dinamarca, por exemplo.

 

Ao contrário do que sucede em todos os outros países da OCDE onde, no 1.º e 2.º ciclos, se aposta mais na Leitura, Escrita e Literatura, em Portugal as letras têm o mesmo peso dos números. Esta mesma singularidade repete-se no 3.º ciclo, onde as duas áreas têm um peso, cada uma, de 13%

 

Outra característica portuguesa é a de as escolas ocuparem cerca de 70% do tempo de ensino obrigatório no 1.º e 2.º ciclos com apenas quatro áreas: Leitura, Escrita e Literatura (27%), Matemática (27%), Artes (9%) e Ciências Naturais (7%). Em média, na OCDE, estas preenchem não mais do que 53% do tempo, um valor que desce para 51% se se olhar para o que se passa nos países da União Europeia analisados.

 

Já no 3.º ciclo, o peso atribuído às chamadas “áreas estruturantes” em Portugal está próximo da “média da OCDE em Leitura, Escrita e Literatura (13%), Matemática (13%) e Artes (7%), coincide com a média em Educação Física e Saúde (7%) e situa-se acima em Ciências Naturais (18%), Estudos Sociais (14%) e Línguas Estrangeiras (16%)”.

 

Devido à frequência das Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no 1.º ciclo que, apesar de não ser obrigatória, se generalizou praticamente a todos os alunos, Portugal é depois da Grécia o país onde as crianças mais tempo passam na escola. De resto, só em cinco outros é que existe o chamado “tempo de ensino não obrigatório”, como é o caso das AEC.

 

Olhando apenas para o tempo de ensino obrigatório, onde estão as disciplinas estruturantes, constata-se que em Portugal os alunos mais novos (1.º e 2.º ciclo de escolaridade) passam mais horas nas salas de aula do que os colegas da OCDE e da UE — 822 horas em Portugal, enquanto na OCDE a média se situa nas 799 horas e na União Europeia se fica por 775. No 3.º ciclo as diferenças esbatem-se."

do regresso à flexibilidade curricular

28.03.17

 

 

 

Para além da incerteza nas vantagens para as aprendizagens, há todo o universo organizacional que cria apreensão. A má burocracia é uma espécie de bactéria que retira energia vital aos professores. Existe o medo da repetição. Na anterior experiência de gestão flexível, generalizou-se um inferno burocrático resultante de uma coligação fatal para a organização das escolas: excessos das ciências da educação cruzados com atavismos das ciências da administração. Em regra, multiplicaram-se as reuniões de agenda repetida e as inutilidades informacionais. Os exemplos bem sucedidos nessa recente experiência investiram, acima de tudo, em sistemas de informação associados à simplificação de procedimentos e aos climas organizacionais democráticos. Não é tudo, mas é fundamental.

Os sucessivos Governos aumentaram a burocracia escolar. É irrefutável. Existem causas, nem sempre identificadas, que provocaram o estado de sítio organizativo neste sistema centralizado. Desde logo, porque não existe uma combinação moderna entre as duas ciências referidas.

Não se vislumbra um qualquer sinal da "(...)novel investigação que se preocupa com a gestão escolar propriamente dita e com os seus sistemas de informação, numa lógica que tenta ultrapassar dois territórios que, e segundo Barroso (2005), têm ocupado o universo da Administração Educacional: o das Ciências da Educação e o das Ciências da Administração e Gestão.(...)Não é possível identificar escolas de gestão escolar. Apesar destas instituições serem, Grade (2008), uma das organizações mais estudadas, inscrevemos um estado de desconhecimento quanto aos modelos de gestão. Existem opções quanto à forma como as redes de escolas se estruturam, mas o reconhecimento da singularidade organizacional das instituições é um espaço de investigação que dá os primeiros passos."

Dá ideia que Paula Rego prognosticou a apreensão (a omnipresença do fantasma) no tríptico "família" integrado na exposição "o velho visita o novo".

 

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Paula Rego.

Tríptico "Família".

Exposição "old meets new".

Casa das Histórias Paula Rego.

Cascais.

 

redes sociais

27.03.17

 

 

 

Agir sobre a informação é não só actuar sobre os dados obtidos, mas proceder sobre as relações que se estabelecem. “(...)Ou seja, é agir sobre os padrões coletivos ou individuais de formatação e através deles sobre a perceção do real e sobre a ação que dele decorre(...)” Rascão (2004: 21). Manuel Castells, por exemplo, enuncia vantagens na utilização das redes sociais. Trata-se de saber como usar as novas ferramentas e encontrar caminhos que sem a sua existência seriam improváveis ou mesmo impossíveis.

Macron e Schulz? Quem diria!

26.03.17

 

 

 

Há uns meses ninguém prognosticava as vitórias de Macron, em França, e Schulz, na Alemanha. Talvez o perigo do alastramento do trumpismo tenha este efeito na Europa, apesar dos dois candidatos não parecerem revigorar o ideal europeu. Pode ser que vençam e que a situação melhore (é um desejo cinzento como o clima, mas nem sei se se pode pedir mais).

"Trump não é um epifenómeno"

25.03.17

 

 

 

José Pacheco Pereira, no Público, e Clara Ferreira Alves, no Expresso, entre outros, claro, escrevem textos de arrepiar (esta semana parece que combinaram na análise do trumpismo), mas que retratam, se me permitem, as sociedades actuais a partir de um ângulo de análise certeiro. Há um estilo de exercício do poder ("Trump não é um epifenómeno", de Pacheco Pereira) que se faz através do bullying. É triste, mas é assim; embora o feitiço se acabe por virar, e como sempre, contra o feiticeiro, como também parece ser o caso Trump.

 

Captura de Tela 2017-03-25 às 13.54.10

 

Tríptico ainda vigente no Eurogrupo

24.03.17

 

 

 

O caso do holandês ainda presidente do Eurogrupo remete para a memória dos tempos recentes. Como o indivíduo é trabalhista, é bom que se sublinhem os efeitos nefastos da terceira via para que não exista a tentação de reincidir; em Portugal também. É que se notam alguns tiques revisionistas.

Em 2013, encontrei uma ideia mais ou menos assim (não a reencontro, mas é da autoria de Joseph Stiglitz): antes de escolhermos qualquer dos caminhos que se vão propondo para sairmos donde estamos, devemos perceber três coisas óbvias: a crise é artificial, a austeridade não é a solução e é mesmo o problema e a Alemanha é o obstáculo.

da actualidade

23.03.17

 

 

 

Na revista do Expresso (p:42:13:11:2016)Joseph Stiglitz disse, antes da vitória de Trump e pensando nos dois lados do Atlântico, que não gosta do termo "populismo", embora se preocupe com a erosão do centro político. "O "populismo" mistura coisas muitos diferentes. Podemos chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um dado governo deixou para trás? Isso não é merecedor de crítica. O populismo até pode ser um remédio contra o elitismo." O Nobel da economia (2001) prefere o termo demagogia. Dá um exemplo: "Números "surgidos" do nada como o limite de 3% do défice. Aplaude o Governo português que devia ser premiado e não o contrário." Fala, por exemplo, da batota em relação ao défice da França, do falhanço rotundo da troika e da moda recente dos governantes não eleitos made in Goldman Sachs. Uma entrevista interessante, até para não dizermos que foi incompreensível a ascensão eleitoral da Trump Tower.

 

2ª edição.

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