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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Das candidaturas à vinculação extraordinária

31.01.17

 

 

  

A constituição garante o ensino assegurado por particulares (privado ou cooperativo). Desde que se mediatizou a privatização de lucros das cooperativas associada às ilegalidades na edificação de escolas e à ausência de concursos públicos na contratação de professores (precarizados), a discussão sobre o assunto provocou indignação. Apesar dos pessimismos (não dá em nada, é sempre a mesma coisa, estão todos alinhados e por aí fora), o actual Governo agiu de forma corajosa e informada na rede escolar. Há escolas públicas oxigenadas após anos condenadas à desertificação.

Ninguém ficou indiferente ao quarto poder. Quem faz do exercício da cidadania um dever, tem esse múltiplo poder para dar corpo ao seu optimismo. Sem este estado das almas moderadas, e sem crença na democracia, não era possível "ajudar" a justiça a funcionar e desafiar o poder político para um trajecto difícil que está longe de consolidado: dirá, com fundamento, o imprescindível pessimismo crítico e a propósito dos critérios para os concursos que vincularão extraordinariamente professores com anos a fio de contratos nas escolas públicas. Veremos como sentencia em definitivo a mesa negocial.

 

Já usei parte deste texto noutro post. 

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Vinculação Extraordinária - Prioridade aos Professores do Ensino Público

30.01.17

 

 

 

Recebi por email, devidamente identificado, um comunicado do grupo de sindicalistas independentes, autonomia sindical, integrado na Fenprof.

 

"VINCULAÇÃO EXTRAORDINÁRIA – PRIORIDADE AOS PROFESSORES DO ENSINO PÚBLICO

 

 

1) De acordo com os números anunciados pelo Governo, o processo dito de “Vinculação Extraordinária” irá deixar de fora cerca de 1700 professores contratados do Ensino Público com mais de 12 anos de serviço e 5 contratos nos últimos 6 anos.

2) Situação tanto mais intolerável quanto, grande parte das cerca de 2000 vagas anunciadas para o concurso externo poderá vir a ser ocupadas pelos mais de 900 professores vindos do Ensino Privado e que concorrerão na 2.ª prioridade, com todo o seu tempo de serviço no ensino particular (20, 30 e até 36 anos de serviço!).

3) Esta situação, de claro ultraje a todos aqueles que, ao longo dos anos, deram o melhor do seu esforço à Escola Pública, é absolutamente inaceitável.

4) Em consequência, o Grupo de Sindicalistas Independentes/ Autonomia Sindical reivindica:

A. Que todas as Vagas de quadro a abrir no Concurso Externo para 2017/2018 sejam aditadas aos lugares a preencher no âmbito da vinculação extraordinária prevista.

B. Que, se após o processo anterior, sobrarem vagas por preencher, as mesmas sejam ocupadas, por ordem de graduação profissional, por professores contratados da 2.ª prioridade, que hajam lecionado no Ensino Público em 5 dos últimos 6 anos lectivos.

 

Pelo Grupo de Sindicalistas Independentes,
Carlos Vasconcellos"

mais pelas palavras

30.01.17

 

 

 


No tempo em que não havia google nem sequer internet, e considerando a informação preciosa que se perdia, dediquei-me à construção de bases de dados para alguns assuntos. A dos "ficheiros secretos" tem entradas com resumos de conferências. Andava à procura das questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda na conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.

Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo, que colo mais abaixo, imperdível "Palavra e tentação". As questões foram colocadas assim:

Muito obrigado.

Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.

Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo?

Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?

A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".

 

 

O Divã de Estaline

29.01.17

 

 

 

Vi a apresentação e não perderia o filme de Fanny Ardant - produzido por Paulo Branco -, estreado ontem e filmado quase totalmente no Buçaco. A revista do Expresso despertou-me mais curiosidade com a interessante entrevista ao actor principal Gérard Depardieu, apesar da crítica de Jorge Leitão Ramos terminar assim: "(...)Mas a grosseria carroceira com que Depardieu incarna o personagem, emprestando-lhe uma violência descabelada no relacionamento directo com os que o rodeiam, é de tal maneira despropositada que o filme se desagrega antes mesmo de ganhar consistência." Discordo do crítico. O filme tem muita consistência. Depardieu tem um desempenho muito bom. Dá ao personagem a aura violenta, sem qualquer imagem "chocante" a não ser do ponto de vista psicológico, relatada pela história numa versão que cruza o marxismo com a psicanálise. Penso que o actor principal é mesmo mais um forte motivo para se considerar o filme imperdível. O "Público resume-o assim":

"Envelhecido e de saúde debilitada, Estaline – líder da União Soviética desde 1922 até a sua morte, em 1953 – resolve seguir os conselhos médicos e recolhe-se num palácio isolado durante alguns dias. Lidia, sua amante há várias décadas, acompanha-o nesta viagem. Inesperadamente, ele decide fazer todas as noites o seguinte: deitar-se num divã, assumindo-se como paciente, e obrigar Lidia a representar o papel de psicanalista. Temendo a sua fúria, ela concorda em seguir as indicações do livro "A Interpretação dos Sonhos", de Sigmund Freud. Oleg Danilov é um artista brilhante que ali se encontra, esperando ansiosamente pela oportunidade de mostrar a Estaline a obra que criou em sua honra. Mas Lidia, que não é indiferente aos encantos de Danilov, vê-se arrastada para um perigoso jogo onde qualquer indício de traição pode significar a morte.
Quase totalmente filmado no Buçaco Palace Hotel (numa co-produção franco portuguesa), "O Divã de Estaline" é um filme dramático que que se inspira na obra com o mesmo nome de Jean-Daniel Baltassat. Com argumento e realização de Fanny Ardant, conta com Gérard Depardieu, Emmanuelle Seigner e Paul Hamy nos papéis principais."

 

 

Afinal, a Geringonça até voa

27.01.17

 

 

 

No final do ano soube-se que "a economia surpreendeu e acelerou com números que não se viam há três anos". Agora temos o défice mais baixo (2,3?) dos 40 anos de democracia, o desemprego a descer e a dívida "controlada". Temos um Governo que estuda exercícios macroeconómicos que mereciam apoio da Comissão Europeia numa fase em que é ainda mais imperativa a união dos europeus. A solução governativa era classificada catastrófica por quem nos empurrou para a bancarrota e agora não "compreende" a erosão do centro político. Foram esses que inventaram, por exemplo, o número ideológico e demagogo de 3% de défice. O Governo sabe que há muito por fazer, mas transmite confiança e prova que é possível governar com a presença da Assembleia da República.

 

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Joan Miró,

Personagem Atirando uma Pedra num Pássaro, 1926

Uma curta radiografia da profissão de professor

26.01.17

 

 

 

O ambiente no país melhorou com o novo Governo, mas é inquestionável, e com todo o realismo, que se mantêm as componentes críticas da vida profissional de milhares de professores. Temos o dever de o sublinhar. E nem todas têm implicações financeiras; algumas melhoravam a capacidade volitiva, atenuavam o burnout e reduziam a despesa.

É a 4ª edição desta curta radiografia. A 1ª é de 5 de Novembro de 2015, a 2ª de 10 de Junho de 2016 e a 3ª de 20 de Novembro de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar, sem esquecer boas intervenções em variáveis importantes (por exemplo: concursos BCE, prova de acesso e rede escolar).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais e da aposentação retardada. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

 

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 Faces, Picasso

da escola do Goldman Sachs

25.01.17

 

 

 

É a escola do Goldman Sachs. "Oferece 15.000 milhões" por 30.000 milhões de imparidades (registado muito superior ao executável). É o resultado do crédito de neutrões. Ou seja, a bomba de neutrões, a última variante da bomba atómica, é um pequeno dispositivo termonuclear que "só" destrói os organismos vivos. Nessa linha, o Goldman Sachs criou o subprime, também conhecido por crédito de neutrões, que endividou a classe média e levou-a à falência com o edificado intacto. Recupera-o na desesperada banca intermédia por metade do preço e espera que o executável suba.

 

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