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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

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Os agrupamentos de escolas como referência?!

01.10.16

 

 

 

 

O ministro da Educação citou a OCDE para concluir que os agrupamentos são referência em alguns indicadores financeiros. Importa centrar a discussão. O Governo não vive para lá do défice, e ponto final, e receia modificar indicadores contabilísticos. Depois de anos a fio de cortes, os funcionários da OCDE olharam para os orçamentos da Educação desde 2005 (construídos na melhor escola do Goldman Sachs com números que diferem, pasme-se, de instituição para instituição: OCDE-Eurostat, INE, Pordata/DGO e ME) e "baralharam-se". A conclusão representa uma ínfima parte do corte, existindo até mais despesa em algumas rubricas dessa vertente da austeridade a eito. Os agrupamentos, como o modelo de gestão, são negativos em qualquer ponto de vista; os próprios "criadores+arrependidos" o confirmam. As variáveis de "tolerância" (nomeadamente a partilha de professores, e de outros profissionais, em risco de ausência de serviço) seriam tratadas, com vantagens, sem estas epifanias. Como alguém disse, é bom que não "se confunda a árvore com a floresta" porque disso já tivemos que chegue.

 

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pandora

01.10.16

 

 

 

 

 

 

(Este post é de 21 de Junho de 2010, mas pareceu-me oportuno reeditar quando a ideia de mega-agrupar escolas regressa à agenda.)

 

A gestão escolar voltou naturalmente à superfície por causa dos mega-agrupamentos. Depois de mais um período sobreaquecido, as pedras e os telhados começaram a sentir o peso do tempo: a memória reaviva-se e os professores começam uma espécie de ajuste de contas silencioso. É natural. Tem sido uma luta desgastante que deixou marcas profundas.

 

Vou lendo aqui e ali algumas referências ao caso de Santo Onofre, o tal exemplo que num ápice passou de oásis a deserto. Não é justo. Como sempre acontece nos momentos emocionantes, as opiniões oscilam nos extremos; é preciso considerar que basta um pouco mais do que uma dezena de professores para viabilizar o novo modelo de gestão.

 

Muitos associam, e bem, o modelo de gestão inventado por este PS aos mega-agrupamentos. Por outro lado, são bem conhecidas as minhas posições em relação à rejeição dos dois problemas (é de todo impossível falar em soluções).

 

E clarifiquemos: Santo Onofre nasceu em 1993 e iniciou-se como um agrupamento vertical. Instalou-se uma escola com segundo e terceiro ciclos que integrou duas escolas de primeiro ciclo: uma existente que encerrou e uma outra que deveria ter nascido numa zona próxima e que se tornou numa universidade privada que hoje já não existe. Tudo no mesmo edifício.

 

Os fundamentos da lógica empresarial aplicados à escola-organização são desfavoráveis à ideia de agrupamentos dispersos no espaço geográfico; seja em qualquer das mais diversas imagens que uma escola pode assumir: empresa, burocracia, democracia, arena política, anarquia ou cultura. Até a tão propalada cultura empresarial de escola não se afirma sem ser na relação de proximidade estabelecida no mesmo espaço físico. Foi também isso que fez da Escola Básica Integrada de Santo Onofre um caso singular e de referência.

 

Há outras formas de reduzir despesa como se defende aqui sem recorrer aos problemas em curso. A ideia que se persegue nesta fase descaracteriza o projecto de qualquer escola. Mais ainda numa época de quase mercado. Pior ainda se assente num modelo de gestão que retira a democracia da escola.

 

São estes os fundamentos. Aceita-se a discussão. Tenho denunciado o oportunismo de quem só agora vem clamar por justiça. Foram avisados há uns dois anos que estavam a abrir uma caixa de pandora. Todavia, nada disso implica que não nos devamos concentrar no essencial, na defesa daquilo que é mais justo para o poder democrático da escola, para a ideia de modernidade e para a defesa da eficácia na despesa.