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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

das lendas

31.10.16

 

 

 

À medida que o nazismo ocupava os países europeus, era decretada a obrigação dos judeus se identificarem, de braçadeira amarela com a estrela de David, nos territórios "conquistados". Conta a lenda que, na Dinamarca, a população se solidarizou e usou a judia identificação, incluindo o monarca Cristiano X. O gesto originou a salvação de cerca de 98% dos judeus que fugiram e encontraram abrigo na Suécia.

 

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da lógica dos aparelhos

30.10.16

 

 

 

A democracia instituiu-se com partidos que consolidam a cooperação e o espírito gregário essencial à política. Tudo é posto em causa, injustamente, quando se elevam as imperfeições. As componentes críticas dos aparelhos são comuns às organizações que não contrariam as causas mais conhecidas: espírito dinástico, falta de transparência, alheamento organizacional e medo. A lógica de aparelho tem tendência para seleccionar com base em critérios tribais, ostracizando opiniões contrárias e silenciando sinais incómodos com favorecimentos arbitrários. Este jogo de dependências dificulta o controle democrático. Prolongado no tempo, elimina a capacidade interna de correcção como se observou nos recentes casos das habilitações falsas dos assessores do Governo.

 

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as minhas calças brancas parte I

29.10.16
 
 
 
 
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(Este texto, que tem duas partes,
foi escrito em Março de 2006)
 
 
 
Estava aqui a tentar perscrutar as sensações produzidas por vibrações mecânicas de frequência compreendidas entre determinados valores nas sinapses que acontecem nas circunvoluções do meu córtex cerebral.… Como?! 

Não, não, não, vou começar de novo.

Estava aqui a tentar ouvir o som dos meus pensamentos…. O som dos meus pensamentos?!

Não, não, isto ainda não está suficientemente claro.

Não desista, meu caro leitor. Por vezes, o que é difícil é começar. Tomar-lhe o jeito. Depois, tudo flui. Estou aqui a reflectir sobre duas categorias imensas: a morte e a consciência moral. Tão imensas que por causa delas o Homem criou leis na terra e no céu para que com as diferenças não se fizesse apenas tragédia. Dificílimo tem sido o caminho.

Exercitando dificuldades sobre dificuldades, para que com a escrita se atenue alguma escuridão, ambiciono relacionar as categorias convocadas. Já está melhor? É capaz de me dizer que este assunto não promete? Claro que não é capaz. Tenho até a intenção de o abordar em poucas palavras.

Ora leia, se faz o favor.

Eu sei que poderia trazer à liça os círculos do inferno de Dante Alighieri, tão divina continua a comédia das vidas terrenas, já que este poeta do século XIII, um piscar de olhos, deixa qualquer outra tentativa desarmada.

Faria aqui o ponto final e ficávamos os dois descansados: eu e o caríssimo leitor, entenda-se.

É isso. Vou pela metáfora. Não deixo de lhe dizer que preferiria que não me conhecesse pessoalmente. Se chegou até aqui só me posso desfazer em vénias. Nem sei para que é que estou com tantas questões prévias, já que o texto, uma vez publicado, já se sabe: ganha as asas que a cabeça de cada leitor quiser.
 
 
 
 

as minhas calças brancas parte II

29.10.16


 

 
 
 
Haverá ser humano que nunca tenha desejado ardentemente uma coisa material? No meu caso foi um par de calças.

Teria quase dezoito anos quando passei pela montra de uma loja em tudo inacessível e de me ter deslumbrado com um par de calças de ganga de cor branca.

Não digo a marca. Seria publicidade e não me pagam para isso e não só as tenho como ainda as uso.

Enquanto massacrava os meus progenitores, conquistava, diária e pacientemente, as graças das “minhas calças brancas”. A inacessibilidade não passou o primeiro natal.

A estreia coincidiu com a minha maioridade moral: a etária. Não, não se inquiete: sei que estas coisas da moral não têm barreiras definidas, mas ajuda-me a contar a história.

Saí de casa, depois de inúmeros olhares deslumbrados para um espelho de corpo inteiro, e dou com um charco imenso. Se a intenção era chegar a um local que se situava no lado oposto, o aparecimento de um obstáculo lamacento surgiu-me como uma dificuldade inultrapassável.

Parece-me que se compreende. As amadas calças salpicadas de lama no dia um? Nem pensar. Nem um pingo sequer. Havia que contornar o charco com a certeza da sua finitude; decerto que o outro lado se alcançaria.

Têm sido anos de caminhada e o charco parece não ter fim. Não raras vezes, recebo convites de pessoas que se atravessam charco adentro motivados pela impaciência para caminhadas longas, limpas e seguras. Chafurdam na lama. Também nunca as tinha visto de calças brancas, é certo. Acenam-me do outro lado ou mesmo em pleno charco. Digo que não e já não mudo. E o que é que isto tem a ver com a morte, direis vós? O outro lado, o inferno de que vos falei, direi eu. E as categorias não eram duas?
 

Ler os clássicos

29.10.16

 

 

 

"Os clássicos são livros de que se costuma ouvir dizer: "estou a reler..." e nunca: "estou a ler..."; um clássico é um livro que nunca acabou de dizer o que que tem a dizer; os clássicos são livros que quanto mais se julga conhecê-los por ouvir falar, mais se descobrem como novos, inesperados e inéditos ao lê-los de facto; é clássico o que tiver tendência para relegar a actualidade para categoria de ruído de fundo, mas ao mesmo tempo não puder passar sem esse ruído de fundo"(...).

 

 

Italo Calvino (1991), "Porquê ler os clássicos?" 

tradução de José Colaço Barreiros, 

edição da Teorema

 

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Do orçamento e do tempo

28.10.16

 

 

 

 

A aceleração do tempo dificulta a percepção dos momentos de curto, médio e longo prazos (opinião pública, legislatura e constituição). A discussão à volta do orçamento de Estado tem o tempo da opinião pública. É, principalmente, um exercício retórico que governos e oposições usam com oportunidade mediática. O ministro Mário Centeno sublinhou-o, ontem, quando denunciou, de forma muito pedagógica, a descida qualitativa do documento europeu de controle orçamental (falou de uma "complexidade" inatingível que me recordou a banca mentora do subprime).

Há, no tempo vigente em Portugal, uma sensação interessante. A sobrevivência da constituição parece um contraponto à prevalência avassaladora da opinião pública.

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O Governo vive e recomenda-se

27.10.16

 

 

 

No mesmo dia em "que Centeno vai responder a Bruxelas dentro do prazo", o presidente do PS critica duramente, e muito bem, o ministro Schäuble ("é um incendiário a vender a imagem de bombeiro"). São atitudes que fazem a diferença e que reforçam a solução governativa apoiada pelo Parlamento. O arco governativo (AG) prevaleceu anos a fio como o fim da história. Quiseram as circunstâncias que se formasse um Governo que o quebrasse. Como logo se intuiu, a geringonça não nos atiraria para Marte. Deu provas. O tal descontrole orçamental não acontece pela segunda vez. O que nos consome é uma dívida impagável gerada na vigência do AG. É pena que uma geringonça não se tenha antecipado contrariando a "sapiência" dos DDT´s, e da bancocracia, que associavam o fim do AG à desgraça financeira.

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Do sentido da política

26.10.16

 

 

 

"Se o sentido da política é a liberdade, isso significa que neste âmbito - e em nenhum outro - temos o direito de esperar milagres. Não porque sejamos supersticiosos, mas porque, na medida em que podem actuar, os homens têm condições para realizar o inverosímil e incalculável e porque habitualmente o realizam quer saibam quer não." 

 

Hannah Arendt (1906-1975

Mais uma derrota de Lurdes Rodrigues

25.10.16

 

 

 

A desqualificação do modo de escolher as direcções escolares é mais uma derrota para a herança de Lurdes Rodrigues (LR). O veredicto poderá acontecer com a vontade de alguns dos seus, outrora, correligionários. É reconhecida a desqualificação dos actuais Conselhos Gerais para promover concursos públicos seguidos de eleição. LR decidiu, em 2009, eliminar um modelo com avaliação positiva para controlar, a partir do poder central, os "indisciplinados" professores. Teve a oposição de muitas escolas, mas a oportunidade criou alinhados de última hora. 

 

Em 11 de Janeiro de 2012escrevi que "(...)mesmo entre nós, e no caso do sistema escolar, o arco governativo não descansou enquanto não eliminou o poder democrático das escolas substituindo-o por uma amálgama com tiques do PREC e da ditadura.(...)" Não foram necessários muitos anos para se perceber o erro grave, nomeadamente com a entrada nas escolas do pior da partidocracia local. É consensual para as organizações que estudam e avaliam a situação vigente: as direcções escolares devem ser eleitas, num processo devidamente escrutinado, por todos os que exercem funções nas escolas.

 

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Antero

do dever de repetir

24.10.16

 

 

 

Há mudanças imperativas no domínio legal. Não vai lá doutro modo. Há procedimentos a eliminar com urgência. A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas, ou em modo de repetição em plataformas digitais, anula o indivíduo sem acrescentar atributos cooperativos e gregários. Institucionaliza a inutilidade. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade. A má burocracia prolongada é o principal motor da desmobilização, da saturação e do burnout

 

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