Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

A escola a tempo inteiro e a avaliação dos deputados do PS

30.09.16

 

 

 

 

Passar do eduquês I (escola a tempo inteiro com afectos) para o eduquês II (escola a tempo inteiro com exames) é "suportável" uma vez. A rotatividade "eterna" (temos décadas de alternância) explica o burnout de professores e os persistentes números de insucesso e abandono escolares.

 

Centremos o debate no seguinte ângulo de análise: o importante estudo do cérebro continua a concluir que é mais correcto falar em ignorância do que em conhecimento sobre o seu funcionamento; António Damásio, por exemplo, sublinha-o no sentido do texto na imagemO ensino, a aprendizagem e os desenhos curriculares não escapam a isso. O alargamento curricular tem fundamentos e só em discussões ideológicas datadas é que se advoga o regresso ao back to basics (ler, escrever e contar). Quando um sistema escolar está "tão avançado" que se dá ao luxo de cortar investimentos, o conhecimento exige que o faça por igual nas diversas áreas.

 

É precisamento por isso que a humildade é inalienável. Quando se decide nestes domínios, avalia-se o estado em que se encontra essa qualidade imprescindível a um sistema escolar. Nuno Crato e Lurdes Rodrigues eliminaram-na, embora a "rotatividade" eduquesa tenha raízes anteriores. É o espaço de fusão entre as duas versões do eduquês que parece, fatalmente, de pedra e cal. Os deputados do PS que o digam a propósito da avaliação da sua produtividade.

 

14830335_hDuGR

 

Daniel Kahneman (2011:73), "Pensar, Depressa e Devagar", Temas e Debates, 

Círculo de Leitores, Lisboa.

Parece-me a mais simples

29.09.16

 

 

 

Canja_galinha_rdax_576x313

 

 

Depois de umas pesquisas, a receita que se segue foi a mais simples que encontrei e sem perder o essencial:

 

"Ingredientes para 5 pessoas:

  • 1/2 galinha Várzea
  • 2,5l de água
  • 80g de arroz Golden Sun
  • Sal Castello q.b.

Preparação:

Aproximadamente uma hora.

Leve ao lume um tacho com água e deixe ferver. Nessa altura junte a galinha e o sal e deixe cozinhar até a carne ficar bem tenra. Retire a galinha e deixe-a arrefecer um pouco. Entretanto, passe a água por um coador de rede fina e coloque-a novamente na panela, levando ao lume até ferver. Junte o arroz, mexa bem e verifique o sal, deixando cozinhar durante cerca de 15 minutos. Aproveite para limpar a galinha, tirando as peles e os ossos e desfie a carne, que deve adicionar ao arroz, depois de cozido. Misture tudo e sirva decorado a gosto. Se preferir pode substituir o arroz por 100 g de massinhas."

A alta política é tão cristalina assim?

28.09.16

 

 

 

Noutro dia escrevi: ""Se Guterres não ganhar com o que levamos de processo, a imagem da ONU fica muito afectada. Mas isso não vai acontecer porque estamos na alta política." Surpreendi-me com este uníssono de António Vitorino e Santana Lopes na SIC.(...)".

 

Hoje soube-se que a Bulgária trocou a sua candidata e lançou Kristalina Georgieva que nem sequer vai passar pelo exaustivo processo de selecção. Augusto Santos Silva declarou: "A candidatura de Guterres é exemplar. Apresentámos a candidatura no fim do mês de Fevereiro. Fizemo-lo a tempo, com toda a transparência e de forma a que António Guterres fosse sujeito a todas as provas e passos que o processo de selecção a secretário-geral das Nações Unidas hoje exige".

 

Esperemos pelos próximos episódios. Kristalina Georgieva é comissária europeia. Não se demitiu. Pediu licença sem vencimento. É um facto com leituras. Diz muito do nível funcional da alta política e do estado do mundo.

 

image

 

A dívida como um muro

26.09.16

 

 

 

A reestruturação (ia a escrever "o perdão") da dívida é um género de muro. Houve uns quantos notáveis de esquerda e de direita que assinaram "este manifesto" em Março de 2014 porque não havia margem para mais cortes a eito nos do costume (pequenos e médios empresários que pagam impostos, funcionários públicos, trabalhadores por conta de outrem, pensionistas e desempregados). Estão em silêncio. O assunto saiu da agenda, mas, e é bom recordar, os beneficiários da dívida são os que capitalizaram através da carteira de rendas que capturou o Estado e do apelo ao consumo. Começa a ser sei lá o quê que sejam defendidos pelas vítimas (síndroma de Estocolmo?). A jovem Mariana Mortágua, por exemplo, ridicularizou, e muito bem, o DDT Ricardo Salgado e o hiper-premiado Zeinal Bava e não esperou pela demora. A "intifada" (ou pogrom) apenas terminou quando se soube que Passos Coelho defendeu o mesmo imposto. Sem dúvidas: a dívida, e o seu serviço, é a génese da encruzilhada.

 

Captura de Tela 2016-09-26 às 15.32.11

 

Fotografia de Luís Moreira

enviem os relatórios quase ilegíveis

25.09.16

 

 

 

 

Quando leio divergências entre o Governo e a Comissão Europeia (ou o FMI) "sobre o que consta dos relatórios", (o Ministro Vieira da Silva desmente a comissão por causa das reformas em Portugal) lembro-me muitas vezes do "Pensar, Depressa e Devagar" do Nobel da economia (2002) Daniel Kahneman (2011:91). "Se 5 máquinas levam 5 minutos para fazer 5 peças, quanto tempo 100 máquinas levariam para fazer 100 peças? 100 ou 5 minutos? E se num lago há uma mancha de nenúfares que todos os dias duplica o tamanho e leva 48 dias a cobrir o lago inteiro, quanto tempo levaria a cobrir metade do lago? 24 ou 47 dias?" (tem os resultados no fim do post). Pediram a 40 estudantes de Princeton para responderem. Como pode ler na obra citada, os que leram os exercícios em folhas menos legíveis acertaram muito mais porque, diz o autor, aumentaram as funções cognitivas. Já ontem usei este exemplo e hoje publico uma imagem com duas rectas iguais que, à primeira vista, parecem diferentes por causa do sentido das setas o que terá também uma forte relação com o assunto do post.

 

Resultados: 5 e 47.

14241226_KZkfQ

 

Daniel Kahneman (2011:39), "Pensar, Depressa e Devagar",

Temas e Debates, Círculo de Leitores, Lisboa.

Os 5 minutos escolares e os "Maluquinhos de Arroios"

23.09.16

 

 

 

 

A profissão de professor é, de longe, a mais escrutinada em Portugal. Até o verniz da bancocracia estalar de vez, era a culpada pelo estado da nação. A devassa permitiu tudo.

 

Uma hora escolar foi de 50 minutos durante décadas. No final do milénio passado, a duração passou para 45 ou 90. Ou seja: a redução de 50 para 45 originou um imbróglio lusitano de 5 minutos (já vai quase em 20 anos sem solução à vista). Crato equacionou a possibilidade dos 50 (mas cheia de perversidades), sem eliminar os 45 e os 90. Os horários dos professores passaram a ser contados ao minuto e os intervalos dos petizes a quimeras; valha-lhes não sei o quê e ficou tudo como estava. Se para que as escolas abram todas em Setembro não fossem suficientes alunos, professores, outros profissionais e horários, algumas estavam décadas a organizarem-se. 

 

Os ""Maluquinhos de Arroios", como lhes chamou, veja-se lá, Vasco Pulido Valente no Público, tiveram outra epifania: passar a hora escolar para 60 minutos. Andaram as escolas a operacionalizar a "possibilidade austeritária" que se esfumou de imediato por falta de racionalidade.

 

Se Vasco Pulido Valente escreveu (13 de Janeiro de 2013) o que pode ler a seguir, e que se mantém, é altura de interrogarmos o futuro imediato. 

 

Captura de Tela 2016-09-23 às 14.16.35

 

Da vida interna do partido do Governo?

22.09.16

 

 

 

Os governos de Sócrates (JS) foram desastrosos para a escola pública. Até 2007, JS era o primeiro-ministro "que a direita desejava" e que a esquerda não via. Com a bolha imobiliária, tudo mudou. Os indicadores financeiros derraparam, a governação desorientou-se, a europeia também, e a "festa" acabou em protectorado. Poucos anos depois, o ex-primeiro-ministro foi detido. À justiça o que é da justiça (com escrutínio, obviamente) e o meu julgamento do político tem os dados essenciais: o que JS confessou e o exercício de cargos governativos. O PS tenta recuperar a imagem de JS e algumas pessoas indignam-se? A política partidária (ou é a essência da realpolitik?), e o seu financiamento, permite-o e o que falta saber é se a praxis política não é também estas solidariedades.

 

29225666303_76d5e3a0ba

 

Contratos de professores válidos a partir de 1 de Setembro

21.09.16

 

 

 

Impôs-se o mais elementar respeito pelos direitos de profissionais. Já não bastavam os sucessivos contratos, em alguns casos chegam a 20 anos, sem entrada nos quadros, para agora termos mais este detalhe sórdido. Felizmente o "Ministério da Educação recua e garante que contratos de 1662 docentes contam (1 de Setembro) para efeitos de uma futura entrada nos quadros".

 

Captura de Tela 2016-09-21 às 16.46.30

Pág. 1/4