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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

a memória para além de Rodrigues&Crato

14.02.16

 

 

 

 

As condecorações mediatizaram um regresso indignado aos legados de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato. Bem sei que a memória é ainda mais curta na democracia mediatizada, mas o apoio incondicional do ainda PR às duas tragédias comprovadas terá uma qualquer relação com o ex-MEC David Justino que iniciou a queda da escola pública.

 

Para quem não se recorda, o exercício de Justino incluiu o primeiro abalo sério na imagem da escola pública com um concurso de professores, interminável por incompetência política, que abriu portas aos desmandos que se seguiram. No auge mediático do processo, apareceu, ladeado por João Rendeiro do BPP, a afirmar que só não contratava pessoas do calibre do investidor em fundos de alto risco para dirigir as escolas "porque não tinha dinheiro para lhes pagar". Numa sociedade com memória, deixava a Educação em paz por umas décadas.

 

Um ano depois foi assessorar Cavaco Silva. Esteve dez anos em funções com o PR e em cooperação estratégica com os legados condecorados. É Presidente de um CNE que ainda recentemente não se entendeu "sobre as provas de aferição das crianças". É triste, mas é assim. Se elencarmos os problemas educativos das nossas crianças, esta coisa de mais ou menos uma prova não aparecerá nas vinte primeiras preocupações mas é "conversa da treta" e não perturba os lóbis da Educação; embora o orçamento do recém privatizado IAVE viva de exames. Justino apresenta hoje no Público uma "obra sua sobre o fontismo" (de 1868 a 1889) que foi um período de muito betão financiado pela banca britânica e que acabou em "colapso financeiro". Nada que um profissional do cavaquismo não entenda em pormenor.

 

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