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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

do estado da autonomia escolar

29.02.16

 

 

 

 

Decidir sobre a gestão financeira, escolher as soluções informáticas para a gestão da informação e decidir, com conhecimentos de proximidade, sobre a distribuição de serviço dos profissionais e da constituição das turmas são as mais elementares variáveis que distinguem a autonomia escolar no sistema português. Se com o modelo de gestão vigente esses avanços foram seriamente comprometidos, com os mega-agrupamentos o retrocesso acentuou-se. As escolas-sede "decidem" e as periféricas ficam entregues, ou "abandonadas", a uma espécie de "responsabilidade pelas componentes críticas"; e sem plano estratégico próprio, programa próprio e órgãos próprios. O modelo em curso deixa as escolas no modo definido pelo desenho.

 

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multas para os atrasos dos alunos?

28.02.16

 

 

 

Cansadas com a falta de pontualidade no tempo inicial dos alunos com 5 e 6 anos, as professoras conseguiram que a escola instituísse uma multa em dólares para os atrasos. E o que é que aconteceu? Os encarregados de educação "integraram" a multa na mensalidade e o número de atrasos subiu. A escola ficou numa encruzilhada com a passagem da multa a taxa e a sua eliminação ainda tornou o planeamento das professoras mais difícil de estabelecer. Encontra este e outros exemplos que ajudam a pensar no livro de Michael J. Sandel"O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados".

 

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"A avaliação que temos não passa de uma ficção", Paulo Guinote ao Expresso

28.02.16

 

 

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"A avaliação que temos não passa de uma ficção"

 

Paulo Guinote, Professor e autor do livro "A grande marcha dos professores".

 

"Nunca se tinha assistido a nada assim. A 8 de março de 2008, cerca de 100 mil professores saíram à rua naquela que foi a maior manifestação de uma classe profissional alguma vez realizada em Portugal. Queriam contestar a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, que elegeram como inimigo nº 1, e acabar com o modelo de avaliação de desempenho assente na divisão da carreira em duas categorias, que acabou por não avançar. Oito anos depois, Paulo Guinote, professor de Português do 2º ciclo e autor do popular blogue “Educação do Meu Umbigo”, entretanto extinto, recorda o protesto sem precedentes no livro “A Grande Marcha dos Professores”, que será lançado esta semana. Hoje, garante, os docentes estão ainda mais desanimados do que na altura. 

O que mais recorda desse dia? 
Lembro-me de uma altura em que estava a meio da Avenida da Liberdade, olhei à minha volta e vi-me completamente rodeado de gente. Para quem, como eu, nunca tinha estado numa manifestação, era uma sensação bastante estranha. 

Que marcas deixou nas escolas? 
Vendo com esta distância, acho que deixou marcas de desânimo e alguma tristeza. Houve demasiada esperança para tudo o que não foi conseguido. Nenhuma reivindicação essencial foi satisfeita.(...)"

do Brexit

27.02.16

 

 

 

 

"Não podemos reciclar uma saqueta de chá ou as crianças com menos de oito anos não podem estoirar balões", são dois exemplos risíveis apresentados por Boris JohnsonMayor de Londres, que defende a saída do Reino Unido da União Europeia. Sem dúvida que a máquina de Bruxelas e Estrasburgo, com as suas benesses ilimitadas não pode sequer acusar de invejosos os eurocépticos, põe-se a jeito e traz à memória uma espécie de "euroviete supremo". Adensam-se as preocupações e é mais uma encruzilhada europeia que parece exigir mais integração e muito mais humildade.

 

 

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da blogosfera - ComRegras

27.02.16

 

 

 

 

É um facto: os quadros de mérito são salazaristas

 

 

"O diploma (vamos chamar-lhe assim, à falta de melhor, pois lei é que não é) em que as escolas se baseiam, para regular, nos seus normativos internos, os quadros de honra é um despacho normativo de 1990, baseado numa lei de 1967, o Decreto-lei 47587 de 10 de Março.

Se procurarem os regulamentos específicos dos quadros de honra, mérito ou excelência de múltiplas escolas vão encontrar a invariável referência a esse despacho normativo de 1990: o Despacho Normativo 102/1990, ainda assinado pelo Ministro Roberto Carneiro.

Qualquer caloiro de Direito vos dirá que, um despacho normativo (que pode ser aproximado a uma norma regulamentar), que tome como lei habilitante um Decreto-lei, sobre o qual existe a fundada suspeita de estar revogado (até por causa da sua natureza juridicamente arqueológica e pela evidência de a sua matéria estar regulada por outras leis posteriores), está obviamente fora de vigência.(...)"

do pós-capitalismo?

26.02.16

 

 

 

 

"O homem perdeu, no pensamento político europeu dominante, a posição de centralidade no organismo social e foi remetido para o exterior, passando a fazer parte do meio ambiente do sistema. Tornou-se uma causa para o aparecimento de problemas constantes e de complexidades crescentes."


A lógica defendida por Niklas Luhman tem de ser encarada pelas democracias europeias e pelas suas organizações. Os sistemas de informação, e o capitalismo de génese taylorista, que se foram construindo podem estar numa fase de saturação por entropia informacional.

As redes têm uma exigência: a eliminação da centralidade. Se associarmos a sua impressionante ubiquidade aos modelos organizacionais vigentes, também no sistema escolar português (hiperburocracia e burnout são consequências da entropia associada ao taylorismo), temos razões para duvidarmos do "fim da história" e, pelo contrário, todos os motivos para afirmarmos que a história, e até a actualidade, não deve estranhar a regressão política e social e o consequente empobrecimento. Os sistemas assentes na confiança são mais exigentes, geram mais responsabilidade e, por estranho que hoje possa parecer, só se constroem com pessoas; dá ideia que passa por aqui alguma janela para o pós-capitalismo "num tempo de supressão do futuro e de absolutização do presente" (Daniel Innerarity em "O futuro e os seus inimigos"). E há outro argumento determinante: não "incomodam" a natural supremacia do hedonismo.

 

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dos estados de alma das agências de raiting

25.02.16

 

 

 

 

A esquerda está ao rubro com a notícia do Expresso, "Moody´s elogia aprovação do OE e elimina risco de eleições antecipadas", no mesmo dia em que os "juros da dívida desceram em todos os prazos", diz o Negócios, e um dia depois da ideia de nacionalização do Novo Banco. Quem, como eu, defende uma Europa mais plural, e deseja que o Governo português seja bem sucedido, está satisfeito com as notícias e olha com um sorriso para o silêncio dos fundamentalistas do "Compromisso Portugal"; embora registe com um abanar de cabeça na horizontal a subida em flecha da credibilidade à esquerda das agências de raiting. Já não são instrumentos do neoliberalismo? A coerência é sempre um elemento com presente e futuro e embora se compreenda a euforia não deixa de ser avisado recordar: "Se pensarmos como a direita pensa, acabamos a governar como a direita governou". E há tanto neoliberalismo quase sem influência financeira para mudar.

 

 

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da blogosfera - santana castilho

25.02.16

 

 

 

 

Escola a mais, pais a menos

 

 
"no Público, 24 de Fevereiro de 2016
por Santana Castilho*

"Três meses volvidos sobre o início de funções do Governo, temos, na Educação, um Orçamento de Estado pior que o último de Passos Coelho e umas Grandes Opções do Plano para 2016-2019 (Proposta de Lei n.º 11/XIII) que não são melhores. Se não é claro quem manda no ministério da Educação, é já claro quem não manda, apesar de algumas tiradas fanfarrãs e pouco respeito por quem pensa diferente. Decididamente, António Costa menosprezou a Educação e resolveu-a protegendo a impreparação do ministro com a sombra tutelar de Maria de Lurdes Rodrigues. Cruzando o orçamento com as opções, resultam projectadas para a legislatura (se o Governo a concluir) medidas sem dinheiro para as pagar e persistência em bandeiras erradas do PS de outros tempos. Um bom exemplo é o alargamento da “Escola a Tempo Inteiro” (permanência na escola das 08.30 às 19.30) a todos os alunos do ensino básico, que já estava no programa do Governo e é reafirmado nas Grandes Opções do Plano (pág. 110).

A falta de tempo para os pais se dedicarem ao crescimento dos filhos é um problema social real e grave.(...)"

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