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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

Das alterações nos exames do ensino básico

10.01.16

 

 

 

Precisemos alguns argumentos: o sistema foi sujeito durante quatros anos a políticas de radicalismo ideológico para além da troika e é natural que o período seguinte seja de eliminação desse desastre cratiano. Como o processo cratiano sucedeu à tragédia lurdiana, calamidades comprovadas e confessadas, as mudanças urgentes são inúmeras. Seria incompreensível a imutabilidade.

 

Por que será, então, que a escola portuguesa está permanentemente em ebulição reformista?

 

Há, desde logo e há muito, duas constantes: temos grupos na primeira linha em todas as áreas e não conseguimos eliminar o abandono e o insucesso escolares. Ou seja: o aumento de pessoas na primeira linha tem uma proporcionalidade directa com a quantidade da classe média, como foi evidente no período que antecedeu a bolha imobiliária de 2008 e que se iniciou em meados da década de noventa do século XX; ponto final parágrafo.

 

Eliminar os exames, anuais e gerais, do 4º ano é óbvio por motivos mais do que conhecidos. Introduzir provas de aferição no 2º ano, anuais e gerais, é da família que nos trouxe até aqui. E porquê? Porque remete para o ensino responsabilidades que são da sociedade ausente quando o argumento é a detecção de dificuldades que levam à exclusão. Neste sentido, esta prova de aferição é completamente dispensável mas servirá o discurso político mainstream numa democracia mediatizada que é incapaz de responsabilizar a sociedade pela educação das crianças.

 

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os institucionalistas que me desculpem

10.01.16

 

 

 

 

 

Desde os sofistas e de Aristóteles que se sabe que a política é também a arte da mentira. Proclamar A e o seu contrário é o modo de ser dos institucionalistas que nos empurraram para onde estamos. O branqueamento da corrupção e a eliminação da memória são consequência e causa de primeira grandeza. O refúgio na "amizade" é o argumento que esconde a obstinação da oligarquia.

 

Embora com contornos diferentes do já referido, não se percebe, por exemplo, o que tem sustentado o apoio inicial sem limites aos últimos ministros da Educação.

 

O facto tornou risível o "discurso dos arrependidos", como aconteceu com Carlos Fiolhais (falou em science killer e avaliação destruidora, imagine-se) que era amigo de Crato, que conhecia as suas ideias sobre ensino superior e investigação e que se desiludiu. Só que Crato era também ministro do ensino não superior e quem o conhecia nesses domínios apressou-se a avisar que o ministro estava impregnado de preconceitos contra a escola pública e que nada sabia de gestão escolar onde não se conhecia uma frase do seu pensamento. Tudo comprovado. O contágio ao ensino superior e à investigação foi uma questão de tempo.

 

Até o eduquês, que importou de Marçal Grilo, sempre se pareceu com o do crítico original: uma espécie de versão II que na prática resultava em mais do mesmo. As polémicas à volta do excessivo linguajar das ciências da Educação são apenas uma milionésima parte do inferno informacional em que mergulhou a gestão escolar e os últimos ministros limitaram-se a acrescentar ruído com os institucionalistas sempre à espera de uma nova vaga. E depois de tanto radicalismo pouco informado, como é que querem que fique tudo na mesma?

 

1ª edição em 18 de Maio de 2015