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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

sintaxe e semântica

26.12.15

 

 

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O texto de John Searle que pode ler mais abaixo, e que se encontra no livro "Mente, Cérebro e Ciência", ajuda a explicar o desinvestimento (que também se expressa nas inutilidades que o poder central exporta incessantemente) na escola pública em Portugal.

 

Fica-se com a certeza que os sucessivos "habitantes" do MEC não conhecem a semântica que envolve as escolas portuguesas: ficam, quando muito, pela sintaxe.

 

"A razão por que nenhum programa de computador pode alguma vez ser uma mente é simplesmente porque um programa de computador é apenas sintáctico, e as mentes são mais do que sintácticas. As mentes são semânticas, no sentido de que possuem mais do que uma estrutura formal, têm um conteúdo.

Para ilustrar este ponto, concebi uma certa experiência intelectual. Imaginemos que um grupo de programadores de computador escreveu um programa que capacitará um computador para simular a compreensão do chinês. Assim, por exemplo, se ao computador se puser uma questão em chinês, ele conferirá a questão com a sua memória ou a base de dados e produzirá respostas apropriadas para as perguntas em chinês. Suponhamos, em vista da discussão, que as respostas do computador são tão boas como as de um falante chinês nativo. Ora bem, entenderá o computador, nesta base, o chinês tal como os falantes chineses entendem o chinês? Bem, imaginemos que alguém está fechado num quarto e que neste quarto há vários cestos cheios de símbolos chineses. Imaginemos que alguém, como eu, não compreende uma palavra de chinês, mas que lhe é fornecido um livro de regras em português para manipular os símbolos chineses. As regras especificam as manipulações dos símbolos de um modo puramente formal em termos da sua sintaxe e não da sua semântica. Assim a regra poderá dizer: «Tire do cesto número 1 um símbolo esticado e ponha o junto de um símbolo encolhido do cesto número 2.» Suponhamos agora que alguns outros símbolos chineses são introduzidos no quarto e que esse alguém recebe mais regras para passar símbolos chineses para o exterior do quarto. Suponhamos que, sem ele saber, os símbolos introduzidos no quarto se chamam «perguntas» feitas pelas pessoas que se encontram fora do quarto e que os símbolos mandados para fora do quarto se chamam «respostas às perguntas». Suponhamos, além disso, que os programadores são tão bons a escrever programas e que alguém é igualmente tão bom em manipular os símbolos que muito depressa as suas respostas são indistinguíveis das de um falante chinês nativo. Lá está ele fechado no quarto manipulando os símbolos chineses e passando cá para fora símbolos chineses em resposta aos símbolos chineses que são introduzidos. [...].

Ora, o cerne da história, é apenas este: em virtude da realização de um programa formal de computador, do ponto de vista de um observador externo, esse alguém comporta se exactamente como se entendesse chinês, mas de qualquer modo não compreende uma só palavra de chinês. [...] Repetindo, um computador tem uma sintaxe, mas não uma semântica. Tudo o que a parábola do quarto chinês pretende é lembrar um facto que já conhecíamos. Entender uma língua ou, sem dúvida, ter estados mentais, implica mais do que a simples posse de um feixe de símbolos formais. Implica ter uma compreensão ou um significado associado a esses símbolos. (John Searle, Minds, Brains and Science, Cambridge [Mass.], Harvard University Press, 1984, pp.31-33; Mente, Cérebro e Ciência, trad.port., Lisboa, Ed.70, 1987, pp.39-41).

tecnologias, simplificações e distracções comerciais?

25.12.15

 

 

 

Simplificação, acesso à informação, melhor gestão do tempo e por aí fora são ideias associadas ao desenvolvimento tecnológico. Apesar de tanto avanço, impressionam as dificuldades criadas no uso de aparelhos triviais. Ligar um televisor com uma "box", o que exige dois comandos, tornou-se uma aventura. O antigo On/off, seguido dos botões dos canais e do volume, foi substituído por um comando para o televisor destinado à busca do canal (que nem sempre é o mesmo) que "vê" a box, deixando o som num volume que permita uma boa audição quando se usar o segundo comando: o da box. Uma simples troca de comandos pode deixar o utilizador à deriva. 

vozes distanciadas?

24.12.15

 

 

 

 

 

É importante ouvir uma voz que se espera algo distanciada a discorrer sobre a crise vigente. Richard Koo Nomura faz uma análise muito curiosa sobre os problemas de competitividade dos países do sul da Europa; e podemos incluir a "estratégia submarino".

 

”A Crise europeia começou com um gigantesco resgate da Alemanha pelo BCE”, diz Richard Koo Nomura, economista Taiwanês e norte-americano, residente no Japão, especializado em balanços de recessões. O economista-chefe do Nomura Research Institute, olha de um outro modo para o chamado “problema de competitividade” dos países do sul da Europa nesta muito interessante análise.

Ao invés de um problema inerente a esses países, Koo diz que o que aconteceu é que após o colapso da bolha tecnológica de 2000 (que afectou muito a Alemanha) o BCE utilizou uma política monetária excepcionalmente solta para estimular a economia, de modo a que a Alemanha não tivesse de reavivar a sua economia através da política fiscal.

Embora essa politica monetária não tenha feito muito internamente pela Alemanha (em recessão), ajudou a resolver as bolhas na periferia, que passou a ter uma maior facilidade de investimento, ajudando ao boom das exportações alemãs e colocando os países periféricos em dívida.(...)".

ainda, e sempre, o surrealismo

23.12.15

 

 

 

O surrealismo, como corrente artística de vanguarda que definiria os caminhos do modernismo entre as duas grandes guerras do século XX, está vigente no liberalismo que tem comandado o país e a maioria das instituições. 

 

Ansiamos por uma saída para o estado em que vivemos e um olhar para o surrealismo ajudaria a reencontrar o caminho da modernidade, mesmo para os que atingiram um qualquer pico de adrenalina como foi o caso do deputado trauliteiro do PSD, Carlos Abreu Amorim, que ainda ontem nos recordou esta sua confissão: "Já não sou um liberal. O Estado tem de ter força".

 

Ou seja, primeiro destrói-se e depois confessa-se. E aí voltamos à análise do surrealismo. A saída do estado surreal só se consegue com muita psicanálise. É bom recordar que a corrente de Sigmund Freud penetrava no inconsciente e isso influenciou decisivamente o surrealismo como actividade criativa.

 

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Pintura de Vladimir Kush.

 

as expressões-chave do caso Banif?

22.12.15

 

 

 

"Luta de classes", "este capitalismo de saque é uma ofensa ao capitalismo", "a classe dos super-ricos está a fazer a guerra e a ganhá-la", "austeridade ruinosa a favor de uma minoria", "a desigualdade é uma escolha política", "os EUA exportaram o seu modelo de corrupção" e podia ficar aqui a noite toda a escrever expressões-chave deste ultraliberalismo (ou totalitarismo) que capturou os estados e o poder político e que tenta convencer as pessoas que é o fim da história. As expressões que escrevi não são de radicais de esquerda nem nada que se pareça. É só pesquisar. É evidente que as imparidades (executável inferior, muito neste caso, ao escriturado) desnudadas com a crise de 2008 (o auge deste radicalismo e que não tem solução pela mão da bancocracia que o criou) estão a ser pagas pelo aumento das dívidas públicas da forma retratada pela imagem.

 

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o Banif, a PàF e os professores

21.12.15

 

 

 

PàF usou truques orçamentais eleitoralistas que "atrasaram e oneraram a operação Banif" e que influenciam o défice 2015 (mesmo que não entre no "défice excessivo") e o dos próximos anos. Depois das eleições, a mesma PàF mentiu sobre as rescisões de professores e sobre a relação desta variável com o apuramento do défice. Passos & Portas, mesmo na oposição e com coreografias de guinada ao centro, devem demitir-se como se percebeu logo na noite eleitoral.

 

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FMI testa a democracia e a paciência das pessoas

20.12.15

 

 

 

"As falhas dos programas da troika são assumidas pelo próprio FMI que assume que teria sido melhor fazer uma reestruturação das dívidas públicas demasiado elevadas como a portuguesa", destaca o Público. E podemos recordar outros trios com argumentos na matéria: dois Nobel, Stiglitz e Krugman, e um a caminho, Piketti, adivinharam a tragédia lusitana sustentada por trios de colossos incompreendidos: Medina Carreira, Camilo Lourenço e Gomes Ferreira (César das Neves como suplente) ou PaFistas, Cavaquistas e "Compromisso Portugal". Do último trio espera-se que não reneguem o legado "além da troika e destruição criadora". Tragédias que a história explicará.

 

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a analogia futebolística é precipitada

19.12.15

a pobreza em números

18.12.15

 

 

"A taxa de pobreza mantém-se em 19,5%: aumentou nos idosos e diminuiu nas crianças", diz o Público. Os números têm lógica, já que há mais idosos e menos crianças e são mais um estímulo à emigração quando dizem que 42% dos desempregados estão em risco de pobreza. Ou seja: o risco é estar por cá. Este flagelo vai, obviamente, muito para além dos números e envergonha uma sociedade que não pára de aumentar as desigualdades.

 

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