Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

seis ideias a propósito dos exames do 4º ano

12.11.15

 

 

 

Concordo que se eliminem os exames do 4º ano e sem tibiezas. Mas não chega, embora essa decisão tenha um efeito dominó.

 

Primeiro: só em sociedades ausentes é que estes exames abrem telejornais e andam pelos parlamentos como disputa ideológica.

 

Segundo: as crianças transportam quatro responsabilidades em provas com este enquadramento: a sua, a do seu professor, a da sua escola e a do seu país (e não tarda da sua UE se os europeus descerem para sul).

 

Terceiro: este "estado de sítio" evidencia uma certeza antiga: os instrumentos científicos podem ser válidos, mas dependem da cabeça que os utiliza.

 

Quarto: um primeiro passo civilizado, que foi reconhecido recentemente pelo CNE, para estes exames teria sido óbvio (já ouvi do eduquês mais rudimentar que os "miúdos" até gostam): eliminar a sua publicitação em pautas, quadros e rankings e dar a conhecer os resultados apenas ao respectivo encarregado de educação.

 

Quinto: é indecente que as autoridades escolares e políticas reivindiquem os bons resultados e assobiem lateralmente quando assim não é.

 

Sexto: há muito que se sabe que, em regra, os resultados escolares melhoram com a elevação das sociedades e das famílias e ao longo de gerações. O bom ensino, as boas escolas e os bons ministérios são, em regra, uma consequência disso. Quem especializa precocemente exclui, empobrece e tem sempre piores resultados globais a prazo; também há muito que se conhece esta evidência, mas a eliminação da história parece associar-se aos fanatismos.

 

domino-2-4-cartoon-yellow.jpg

 

34 mil professores "eliminados" em 4 anos

12.11.15

 

 

 

"34 mil professores eliminados em 4 anos" diz o relatório, pós-eleitoral, 2014 do CNE e se não fosse a luta mais difícil da última década (Junho de 2012), com uma impopular greve a exames do 12º ano, e a todas as avaliações de final de ano, "aos 30 mil eliminados acrescentaríamos 20 mil" (meti aspas na última frase porque fui buscá-la a um post antigo muito contestado; diziam que os números eram exagerados e afinal apurei-os por defeito). Se os professores não o tivessem feito, mais de 10 mil dos quadros seriam empurrados para uma brutal requalificação rosalina e mais uns 10 mil ficariam sem contrato.

São mais de 50 mil numa década e em que o efeito demográfico foi residual para estes números. Sabe-se que o corpo docente está saturado com tanto atropelo pedagógico e democrático e dentro de uma década o país será confrontado com sérios problemas para contratar professores.

 

1ª edição em 18 de Outubro de 2015