Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o centro foi eliminado?

18.10.15

 

 

 

Considero precipitado anunciar o "fim" do centro político e o início de um segundo fôlego da democracia portuguesa. Parece-me que os factos são de outra natureza. Já se vislumbra uma clarificação no PS, mas o PSD mantém-se na nuvem que a volúpia do poder permite.

 

Quando há cerca de um ano Mário Draghi e o BCE mudaram a trajectória em 180 graus, era previsível, como logo se disse, que os indicadores europeus melhorassem e que Portugal escapasse à bancarrota inapelável com as políticas além da troika: mais dívida, mais défice a prazo e mais empobrecimento. A PàF nasceu como "máscara eleitoral", provocou a radicalização à direita e a "impossibilidade" do PSD governar com quem está à sua esquerda. Passos Coelho escolheu assim e prestará contas internas pela "opção". Por outro lado, António Costa disse que não viabilizava um Governo da frente de direita (seria a pasokização), foi penalizado em votos e tenta respirar; necessita, logo que possível, de uma legitimação interna.

 

E repito o que escrevi antes das eleições:

 

"O PS não fez tudo o que era exigível na preparação atempada da candidatura e na clareza em relação ao legado dos governos de Sócrates. A CDU afirmou-se inamovível e no mesmo sítio de há quatro décadas. As outras esquerdas revelaram a tal inflação de egos e não compreendem por que é que os eleitores não votam num Syriza? O bloco de esquerda, e quando se consolidava, desmembrou-se em três e se não fosse o mérito de duas ou três figuras teria um resultado fraquíssimo. Se os eleitores derrotarem a direita e afirmarem uma governabilidade que exija consensos, a esquerda só pode agradecer a sageza do colectivo."

 

th.jpeg

 

Por Luaty Beirão

18.10.15

 

 

 

"Não sei como José Eduardo dos Santos dorme à noite. Não sei como Isabel dos Santos dorme à noite. Não sei como milhares de homens e mulheres de negócios dormem à noite. Não sei como o Governo português dorme à noite", escreve hoje na revista do Público Alexandra Lucas Coelho. É assim: a natureza humana empurra-nos demasiadas vezes para esta perplexidade.

 

image.jpeg