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Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

Correntes

da pedagogia e em busca do pensamento livre

o que é que tanto assusta a direita?

31.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

A direita está assustada com a possibilidade de um Governo de esquerda correr bem. Há uma natural insatisfação com o não governo do vencedor eleitoral, mas percebe-se o temor com a severidade do julgamento histórico. A direita aproveitou a presença da troika para se radicalizar e isso será imperdoável. Para além disso, sempre que não se está seguro do valor da obra, mesmo com a aparência ilusória de um ou outro indicador, cresce a desorientação com a possibilidade da sucessão negar "o que se seguirá bom de mim fará".

 

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por que é que os professores só pensam na "fuga?

31.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

Impressiona o clima de "fuga" de professores e conhecem-se as causas: cortes a eito, desconfiança e degradação do estatuto da carreira. Mas há no universo organizacional muito a fazer, desde logo na opção pela supressão de procedimentos em vez da substituição, manutenção ou aumento. Há procedimentos de obtenção de informação, alguns sem sequer suporte no código de procedimento administrativo, que existem por "negligência" informacional e que não suportam qualquer tomada de decisão. Os momentos de passagem para as "modernas" plataformas digitais, podem ser, por exemplo, oportunidades de supressão.

muda o governo e regressa o desconhecimento?

30.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

Há sinais da existência de truques orçamentais, e derrapagens financeiras afins, que vão "exigir" que um novo Governo use a coreografia habitual do desconhecimento e execute os conhecidos cortes nos do costume. Lá acordará o "Compromisso Portugal" com apelos a reformas "estruturais" de mais do mesmo e lá aparecerão banqueiros a dizer que assim não aguentam. Espera-se, e como desta vez o arco da governação inclui, finalmente e bem, todo o parlamento com excepção do defensor dos animais, que se diga a verdade e não se goze com a paciência das pessoas.

não pode continuar

29.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

O novo ministro da Administração Interna (mesmo que por uns dias) confirmou a aptidão moral de Ricardo Salgado para continuar à frente do BES com um parecer a propósito da prenda de milhões do cliente do BESA José Guilherme. Não é caso único a nomeação de ministros nesta condição, mas é grave para a saúde da democracia. Alastra-se e transporta um sentimento de impunidade: aguentamos com estes casos; é uma espécie de esquecimento que acentua o vale tudo. Não pode ser. Andamos a tropeçar em coisas assim. Um dia isto bate mesmo no fundo.

 

PS: voltei a publicar este post porque o apaguei sem querer; ficou a zeros nos comentários e peço as minhas desculpas.

"Tudo deve partir da sala da aula para aí voltar"

28.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

 

"Tudo deve partir da sala da aula para aí voltar", Lefévre, L. (1972:51), "O professor observador e actor", Livraria Almedina, é uma asserção com mais de quarenta anos mas que raramente encontra eco nas políticas de gestão escolar. O "desconhecimento" deste simples e lúcido princípio será a causa primeira do vórtice de descontentamento a que assistimos em Portugal. A aula tem que ser, para alunos e professores, a primeira razão do "existir escolar" e ponto final. Os professores leccionam centenas de aulas em cada ano lectivo e milhares durante uma carreira. Nuns dias as aulas decorem melhor do que noutros. A exigente avaliação do desempenho é diária e aula a aula. O que menos se esperava é que administração "impensada" inundasse a profissionalidade dos professores com tarefas inúteis para cumprir calendário e com procedimentos que infernizam a utilização do tempo.

O povo é sábio?

27.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

 

Está difícil a hermenêutica do voto. Há décadas que se repete a sageza dos eleitores portugueses, mas desta vez evidenciam-se os fenómenos de rejeição: o fim da maioria absoluta à direita, a não vitória do PS, a impossibilidade do bloco central ou até do arco da governação (nessas hipóteses, o PSD ou o PS podiam "desaparecer" a seguir) e o Governo sem o partido vencedor. Pode ser que o último fenómeno traga alguma novidade, uma vez que será um exercício de alto risco. Terá sido essa a decisão da sabedoria popular? Colocar o PS ao centro, "excluir" uma direita que se radicalizou e obrigar a esquerda a, finalmente, governar?

A PàF coligada com o BE?

26.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

 

PàF coligada com o BE é uma "solução" de cavaquistas, depois de mais um não do PS. Há uma incerteza na formação do Governo que deriva do "não" parlamentar ao mais votado. A razão estranhou a novidade, mas acomodou a ideia. Há nesta inesperada aceitação do BE governativo um tique semelhante à integração, em 2002 e no Governo de Durão Barroso, da ala dos eurocépticos (um eufemismo para sorrir) do CDS/PP.
O medo de existir e de expressar uma opinião é uma herança que nos recorda a ditadura do século passado, embora haja muito mais história associada à impossibilidade do "homem novo". A história recente conheceu a "escola" de Cavaco Silva e o tempo conferirá a sua prevalência. O não à política, o não à ideologia, o apontar o dedo aos políticos ou aos revolucionários promoveu o servilismo de políticos de ocasião. Os cavaquistas assegurariam o pragmatismo, o respeito à ordem, ao bom nome e às contas "certas".

Para esta "escola", e em caso de aflição, as mais bizarras conjugações anulam a histeria do dia anterior.

 

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berço

26.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

 

 

Quando percebi que o actual MEC pensa em criar duas vias no final do 4º ano de escolaridade, para crianças com 10 anos idade, li-a como um requiem à esperança e um sério retrocesso civilizacional. Sabemos, e não ignoramos, a crise que atravessamos. Mas se associarmos este sinal ao que se tem passado com a estrutura curricular e com uma série de variáveis da organização do ano lectivo, concluímos que não só suspendemos a democracia como nos tornámos ingratos e regressámos ao berço-é-tudo.

 

Nos últimos anos têm sido raros os que se mostram convictos na defesa do nosso sistema escolar. Se os médicos têm indicadores que os consideram na vanguarda do profissionalismo, é bom que se sublinhe que foram formados no sistema escolar público. Se o CERN tem mais de uma centena de físicos de primeira água, é bom que se repita o sublinhado. Se tanto nos gabamos com a qualidade dos nossos cobiçados cérebros, não podemos fugir à verdade. Se ainda temos taxas de abandono escolar precoce que nos envergonham como sociedade, não temos outro remédio para além de continuar.

 

Mas não. O discurso da última década instituiu a ingratidão. Se não somos filhos de analfabetos, somos netos com toda a certeza. A democracia iluminou-nos, mas a ganância não é compatível com o conhecimento das humanidades e isso é trágico. Dos 1 a 2 por cento que se embriagam com o seu berço, só uma minoria coloca a democracia acima do egoísmo. Os sobrantes 98 a 99 por cento navegam como desesperados militantes em busca da entrada no pequeno elevador da oligarquia. A uns e a outros, a democracia pagará com lágrimas.

 

1ª edição em 25 de Julho de 2012.

Marcelo já vai no sucessor?!

25.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

Foi eleito, reeleito e já se preocupa com o sucessor. Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) é, realmente, estonteante e "tem tudo na cabeça" como dizia o Expresso numa 1ª página de Agosto que me levou ao seguinte raciocínio: "Sampaio da Nóvoa terá uma vantagem decisiva: nessa segunda volta MRS já estará a planear a candidatura de renovação de mandato." Nem dois meses depois e é isto: sucessor.

Cavaco Silva syrizou?

23.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

 

Ao excluir o BE e a CDU de qualquer solução governativa (sabia que o desenho é um Governo PS com maioria parlamentar?), o PR conseguiu vários objectivos: reforçar a união à esquerda (até apelou a dissidentes para os anular de vez), fragilizar a candidatura de Marcelo R. Sousa e facilitar as mudanças nos partidos da PàF. Ontem disse tudo o que as suas hostes queriam ouvir, nomeadamente que a coligação à esquerda ainda é inconsistente (António Costa ajudou ao declarar que o acordo ainda não está assinado). Daqui por uma dezena de dias a esquerda terá tudo preparado, o PR não terá outro remédio e os seus já estarão preparados para a indigitação de António Costa. O PR, tal como a Merkel, syrizou?

Cavaco Silva indigitou Passos Coelho

22.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

Cavaco Silva usou como argumento a tradição da democracia portuguesa (é um tradicionalista petrificado) indigitou Passos Coelho e passou o "problema" para o parlamento. Até aqui tudo normal. Mas nas suas declarações discriminou o BE e a CDU, excluindo-os da democracia, e afirmou, ao que percebi, que não dará posse a um Governo apoiado pela maioria de esquerda. Sabia-se que o PR entende o seu exercício como coisa de facção, mas era impensável que terminasse essas funções públicas com uma exibição de parcialidade tão grave e lamentável.

do exercício de António Costa

22.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

 

Surpreende-me a coragem de António Costa. Aconteça o que acontecer, diga-se o que se disser, o líder do PS revela um comportamento nada habitual. Basta que nos coloquemos no difícil lugar do outro. É necessário estar de boa consciência e ter ajuda corajosa para agir em tantas marés; Catarina Martins e Jerónimo de Sousa também me estão a surpreender.

 

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Do após Nuno Crato

21.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

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Do exercício de Nuno Crato ficam duas variáveis a corrigir (faliram na fundamentação, se é que ainda era preciso): alunos por turma e empobrecimento curricular. O seu ministério acentuou duas componentes críticas: degradação do estatuto dos professores (que se pagará durante muitos anos) e modelo, mega, de gestão escolar.

 

Lembrei-me da entrevista, na imagem, ao ex-MEC (12 de Julho de 2014) publicada no Observador. Andava-se à volta do elevado número de professores, uns 4 mil, que solicitaram a rescisão contratual; com um programa favorável a "fuga" atingiria uns 30 a 40 mil.

 

Crato culpou a indisciplina, mistificou assuntos sérios e contraditou-se. Foi óbvia a interrogação do jornalista: não devia então diminuir o número de alunos por turma em vez de aumentar? Crato tergiversou e revelou-se adepto do mercado escolar. Devia saber que onde esse mercado se instalou em Portugal (e pode ir à Suécia e afins), e considerando que o eduquês de Crato olha para os encarregados de Educação (EE) como "clientes-tout-court", os EE que mais contribuem para a indisciplina impõem a sua cultura e isso alastra-se numa sociedade ausente como a nossa.

 

A destruição do estatuto dos professores foi, é e será, a causa da "fuga" e só não concluiu assim quem nunca pôs os pés numa sala de aula. A profissionalidade, e a confiança democrática, dos professores não recebeu uma notícia positiva na última década e só com uma boa dose de cinismo se conseguiu argumentar com o "desgaste de uma profissão difícil".

 

da cartomância TV para o confessionário e vice-versa?

20.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

 

Milhares de votos, dizem os estudos, passaram da PàF para a CDU e estão de regresso? Fico confuso. Querem ver que Jerónimo (sei do colectivo) escolheu para PR o ex-Padre Edgar Silva para tirar votos católicos a Marcelo R. Sousa? Ainda há quem insista na manutenção do arco da governação e negue a escola de jogos de estratégia de Varoufakis.

 

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do apoio de Eanes a Sampaio da Nóvoa: “acredito nisto, é o meu último combate"

20.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

 

Ramalho Eanes declarou ao Expresso (17 Outubro de 2015) que a situação do país “exige um homem que saiba responder aos desafios que se vão colocar, dialogando e fazendo pontes,(...) com espírito de missão, e que Sampaio da Nóvoa é o candidato mais bem colocado para assumir a presidência de Portugal, na situação dramaticamente crítica em que o pais se encontraAcredito nisto, é o meu último combate”, acrescentou Eanes.

sair da NATO ou do euro?

19.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

 

 

 

É um argumentário aflito invocar a NATO ou qualquer outro assunto internacional para sustentar o arco da governação. Basta ler o que se escreveu recentemente sobre os gregos e olhar para o que Varoufakis confirmou em Coimbra: o Syriza não tinha como plano B a saída do euro.

 

Sabemos que o ineditismo do euro tem uma variável a rever com urgência: os tratados que "amarram" economias com ritmos muito diferentes. Mas também conhecemos a história política da Europa e até a mais recente nos mostra como os parisienses fugiram, com os haveres que tinham à mão, da invasão dos tanques alemães. É um exemplo do que sufragou a ideia de União e que olhou para o euro como um instrumento decisivo para a paz. Dá ideia que só há dois caminhos: União ou implosão, sendo a NATO importante mas algo remota. Pode ver o vídeo com o registo completo de Varoufakis em Coimbra.

 

 

o centro foi eliminado?

18.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

Considero precipitado anunciar o "fim" do centro político e o início de um segundo fôlego da democracia portuguesa. Parece-me que os factos são de outra natureza. Já se vislumbra uma clarificação no PS, mas o PSD mantém-se na nuvem que a volúpia do poder permite.

 

Quando há cerca de um ano Mário Draghi e o BCE mudaram a trajectória em 180 graus, era previsível, como logo se disse, que os indicadores europeus melhorassem e que Portugal escapasse à bancarrota inapelável com as políticas além da troika: mais dívida, mais défice a prazo e mais empobrecimento. A PàF nasceu como "máscara eleitoral", provocou a radicalização à direita e a "impossibilidade" do PSD governar com quem está à sua esquerda. Passos Coelho escolheu assim e prestará contas internas pela "opção". Por outro lado, António Costa disse que não viabilizava um Governo da frente de direita (seria a pasokização), foi penalizado em votos e tenta respirar; necessita, logo que possível, de uma legitimação interna.

 

E repito o que escrevi antes das eleições:

 

"O PS não fez tudo o que era exigível na preparação atempada da candidatura e na clareza em relação ao legado dos governos de Sócrates. A CDU afirmou-se inamovível e no mesmo sítio de há quatro décadas. As outras esquerdas revelaram a tal inflação de egos e não compreendem por que é que os eleitores não votam num Syriza? O bloco de esquerda, e quando se consolidava, desmembrou-se em três e se não fosse o mérito de duas ou três figuras teria um resultado fraquíssimo. Se os eleitores derrotarem a direita e afirmarem uma governabilidade que exija consensos, a esquerda só pode agradecer a sageza do colectivo."

 

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Por Luaty Beirão

18.10.15, Paulo Prudêncio

 

 

 

"Não sei como José Eduardo dos Santos dorme à noite. Não sei como Isabel dos Santos dorme à noite. Não sei como milhares de homens e mulheres de negócios dormem à noite. Não sei como o Governo português dorme à noite", escreve hoje na revista do Público Alexandra Lucas Coelho. É assim: a natureza humana empurra-nos demasiadas vezes para esta perplexidade.

 

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