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Correntes

em busca do pensamento livre

Correntes

em busca do pensamento livre

o que é que tanto assusta a direita?

31.10.15

 

 

 

A direita está assustada com a possibilidade de um Governo de esquerda correr bem. Há uma natural insatisfação com o não governo do vencedor eleitoral, mas percebe-se o temor com a severidade do julgamento histórico. A direita aproveitou a presença da troika para se radicalizar e isso será imperdoável. Para além disso, sempre que não se está seguro do valor da obra, mesmo com a aparência ilusória de um ou outro indicador, cresce a desorientação com a possibilidade da sucessão negar "o que se seguirá bom de mim fará".

 

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por que é que os professores só pensam na "fuga?

31.10.15

 

 

 

Impressiona o clima de "fuga" de professores e conhecem-se as causas: cortes a eito, desconfiança e degradação do estatuto da carreira. Mas há no universo organizacional muito a fazer, desde logo na opção pela supressão de procedimentos em vez da substituição, manutenção ou aumento. Há procedimentos de obtenção de informação, alguns sem sequer suporte no código de procedimento administrativo, que existem por "negligência" informacional e que não suportam qualquer tomada de decisão. Os momentos de passagem para as "modernas" plataformas digitais, podem ser, por exemplo, oportunidades de supressão.

muda o governo e regressa o desconhecimento?

30.10.15

 

 

 

Há sinais da existência de truques orçamentais, e derrapagens financeiras afins, que vão "exigir" que um novo Governo use a coreografia habitual do desconhecimento e execute os conhecidos cortes nos do costume. Lá acordará o "Compromisso Portugal" com apelos a reformas "estruturais" de mais do mesmo e lá aparecerão banqueiros a dizer que assim não aguentam. Espera-se, e como desta vez o arco da governação inclui, finalmente e bem, todo o parlamento com excepção do defensor dos animais, que se diga a verdade e não se goze com a paciência das pessoas.

não pode continuar

29.10.15

 

 

 

O novo ministro da Administração Interna (mesmo que por uns dias) confirmou a aptidão moral de Ricardo Salgado para continuar à frente do BES com um parecer a propósito da prenda de milhões do cliente do BESA José Guilherme. Não é caso único a nomeação de ministros nesta condição, mas é grave para a saúde da democracia. Alastra-se e transporta um sentimento de impunidade: aguentamos com estes casos; é uma espécie de esquecimento que acentua o vale tudo. Não pode ser. Andamos a tropeçar em coisas assim. Um dia isto bate mesmo no fundo.

 

PS: voltei a publicar este post porque o apaguei sem querer; ficou a zeros nos comentários e peço as minhas desculpas.

"Tudo deve partir da sala da aula para aí voltar"

28.10.15

 

 

 

 

"Tudo deve partir da sala da aula para aí voltar", Lefévre, L. (1972:51), "O professor observador e actor", Livraria Almedina, é uma asserção com mais de quarenta anos mas que raramente encontra eco nas políticas de gestão escolar. O "desconhecimento" deste simples e lúcido princípio será a causa primeira do vórtice de descontentamento a que assistimos em Portugal. A aula tem que ser, para alunos e professores, a primeira razão do "existir escolar" e ponto final. Os professores leccionam centenas de aulas em cada ano lectivo e milhares durante uma carreira. Nuns dias as aulas decorem melhor do que noutros. A exigente avaliação do desempenho é diária e aula a aula. O que menos se esperava é que administração "impensada" inundasse a profissionalidade dos professores com tarefas inúteis para cumprir calendário e com procedimentos que infernizam a utilização do tempo.

O povo é sábio?

27.10.15

 

 

 

 

Está difícil a hermenêutica do voto. Há décadas que se repete a sageza dos eleitores portugueses, mas desta vez evidenciam-se os fenómenos de rejeição: o fim da maioria absoluta à direita, a não vitória do PS, a impossibilidade do bloco central ou até do arco da governação (nessas hipóteses, o PSD ou o PS podiam "desaparecer" a seguir) e o Governo sem o partido vencedor. Pode ser que o último fenómeno traga alguma novidade, uma vez que será um exercício de alto risco. Terá sido essa a decisão da sabedoria popular? Colocar o PS ao centro, "excluir" uma direita que se radicalizou e obrigar a esquerda a, finalmente, governar?

A PàF coligada com o BE?

26.10.15

 

 

 

 

PàF coligada com o BE é uma "solução" de cavaquistas, depois de mais um não do PS. Há uma incerteza na formação do Governo que deriva do "não" parlamentar ao mais votado. A razão estranhou a novidade, mas acomodou a ideia. Há nesta inesperada aceitação do BE governativo um tique semelhante à integração, em 2002 e no Governo de Durão Barroso, da ala dos eurocépticos (um eufemismo para sorrir) do CDS/PP.
O medo de existir e de expressar uma opinião é uma herança que nos recorda a ditadura do século passado, embora haja muito mais história associada à impossibilidade do "homem novo". A história recente conheceu a "escola" de Cavaco Silva e o tempo conferirá a sua prevalência. O não à política, o não à ideologia, o apontar o dedo aos políticos ou aos revolucionários promoveu o servilismo de políticos de ocasião. Os cavaquistas assegurariam o pragmatismo, o respeito à ordem, ao bom nome e às contas "certas".

Para esta "escola", e em caso de aflição, as mais bizarras conjugações anulam a histeria do dia anterior.

 

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berço

26.10.15

 

 

 

 

 

Quando percebi que o actual MEC pensa em criar duas vias no final do 4º ano de escolaridade, para crianças com 10 anos idade, li-a como um requiem à esperança e um sério retrocesso civilizacional. Sabemos, e não ignoramos, a crise que atravessamos. Mas se associarmos este sinal ao que se tem passado com a estrutura curricular e com uma série de variáveis da organização do ano lectivo, concluímos que não só suspendemos a democracia como nos tornámos ingratos e regressámos ao berço-é-tudo.

 

Nos últimos anos têm sido raros os que se mostram convictos na defesa do nosso sistema escolar. Se os médicos têm indicadores que os consideram na vanguarda do profissionalismo, é bom que se sublinhe que foram formados no sistema escolar público. Se o CERN tem mais de uma centena de físicos de primeira água, é bom que se repita o sublinhado. Se tanto nos gabamos com a qualidade dos nossos cobiçados cérebros, não podemos fugir à verdade. Se ainda temos taxas de abandono escolar precoce que nos envergonham como sociedade, não temos outro remédio para além de continuar.

 

Mas não. O discurso da última década instituiu a ingratidão. Se não somos filhos de analfabetos, somos netos com toda a certeza. A democracia iluminou-nos, mas a ganância não é compatível com o conhecimento das humanidades e isso é trágico. Dos 1 a 2 por cento que se embriagam com o seu berço, só uma minoria coloca a democracia acima do egoísmo. Os sobrantes 98 a 99 por cento navegam como desesperados militantes em busca da entrada no pequeno elevador da oligarquia. A uns e a outros, a democracia pagará com lágrimas.

 

1ª edição em 25 de Julho de 2012.

Marcelo já vai no sucessor?!

25.10.15

 

 

 

Foi eleito, reeleito e já se preocupa com o sucessor. Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) é, realmente, estonteante e "tem tudo na cabeça" como dizia o Expresso numa 1ª página de Agosto que me levou ao seguinte raciocínio: "Sampaio da Nóvoa terá uma vantagem decisiva: nessa segunda volta MRS já estará a planear a candidatura de renovação de mandato." Nem dois meses depois e é isto: sucessor.

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